terça-feira, 22 de maio de 2018

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domingo, 20 de maio de 2018

Os nazistas queriam criar uma "Guiana Alemã" no Amapá - Por Gesiel Oliveira.

Você sabia que a Amazônia, especificamente o Amapá, esteve nos planos de Hitler como um território a ser conquistado pelo III Reich?

Um persistente ar de mistério cerca uma grande cruz a beira do Rio Jari, com uma suástica gravada em um cemitério próximo da cachoeira de Santo Antônio na cidade brasileira de Laranjal do Jari, no Amapá. Uma inscrição na cruz diz, em alemão: "Joseph Greiner morreu aqui" sempre causou muita curisodadade a respeito da intenção dos nazista aqui na Amazônia. Resolvi então ir atrás dessa desconhecida história e descobri muitas coisas interessantes. 

O objetivo do nazistas era criar uma Guiana Alemã aqui no Amapá. Mas as doenças tropicais do "inferno verde amazônico"  atingiu a maior parte dos 17 membros da expedição secreta com uma epidemia de malária e febre amarela. Alguns deles estão sepultados em um pequeno cemitério nazista, junto a 37 sepulturas, alguns nacionais desconhecidos também estão lá. Esse local fica próximo à cachoeira de Santo Antônio no Rio Jari. O impacto foi tão forte, que fez o supersticioso Adolph Hitler recuar da ideia.



Cemitério nazista onde está uma cruz com a suástica do Nazista Joseph Greiner, morto por doenças tropicais no Vale do Rio Jari. 

Uma enorme cruz de madeira ostenta uma suástica nazista no cemitério de uma ilhota sem nome do Rio Jari, entre os estados do Amapá e Pará. É o que resta da expedição nazista que chegou a Belém em 1935 e durante dois anos explorou a geologia, fauna e flora da Amazônia. 

“A tomada das Guianas é uma questão de primeira importância por razões político-estratégicas e coloniais.” Essa frase faz parte de um relatório de 1940 preparado pelo biólogo e geógrafo Otto Schulz-Kamphenkel para a SS – a força de elite do Terceiro Reich. O objetivo da chamada Operação Guiana era colonizar as guianas Francesa, Inglesa e Holandesa. A invasão seria feita pelo norte do Brasil, pois os nazistas já haviam passado por aqui – e gostado do que viram. De 1935 a 1937, Schulz-Kamphenkel liderara uma expedição que começou em Belém do Pará e percorreu as margens do rio Jari, no atual estado do Amapá, até chegar à fronteira da Guiana Francesa.

Os metais preciosos da região e a forte influência dos ingleses na América do Sul foram os principais incentivadores da Operação Guiana. Em carta endereçada a Hitler, no dia 3 de abril de 1940, o oficial da SS Heinrich Peskoller diz que as reservas de ouro e diamantes locais seriam suficientes para sanar a situação financeira da Alemanha em poucos anos. “Na Guiana Britânica, a extração de ouro e diamante é mantida em baixa para não atrapalhar o mercado sul-africano (dominado também por ingleses). Nas mãos do Führer, cada metro quadrado de solo poderia ser em pouco tempo explorado pela grande Alemanha”, escreveu o oficial.
Peskoller não queria apenas criar uma colônia para alimentar a economia do Terceiro Reich. A região teria importância na construção do Espaço Vital da raça ariana – pois os nazistas acreditavam que seria possível transformar a região em um lugar bom de viver. “O empenho e a técnica alemã poderiam domar as inúmeras cachoeiras na forma de usinas hidrelétricas colossais. Podendo fazer uma rede elétrica em todo o país com bondes, navegação fluvial, produção de madeiras nobres, pontes, aeroportos, escolas e hospitais. A comparação entre o antes e o depois da tomada dos alemães contaria pontos para o Führer”, argumentava Peskoller. 
A conquista das Guianas também traria outro grande benefício para os alemães: atrapalhar a Inglaterra. Os ingleses compravam muitas matérias-primas das Américas, e boa parte dos cereais consumidos no território inglês vinha da Argentina. Depois de montar a base na América do Sul e tomar as Guianas, o próximo passo dos nazistas seria mandar submarinos para a região – para que os navios que se dirigiam à Inglaterra fossem abatidos.
Em 1940, o projeto foi encaminhado a Heinrich Himmler, líder da SS e um dos principais nomes do governo nazista. “O plano parece romântico, mas é factível”, defendeu Schulz-Kamphenkel. A operação, de acordo com o pesquisador, deveria ser feita em sigilo. Os alemães atacariam em duas frentes. Uma tropa de 150 soldados navegaria o rio Jari, no Amapá, para chegar a Caiena, capital da Guiana Francesa. Ao mesmo tempo, pequenas embarcações e 2 submarinos atacariam pela costa da Guiana.
A América do Sul e a Sibéria deslumbravam Schulz-Kamphenkel pelas riquezas naturais. Esses territórios eram considerados áreas ideais para a expansão do Terceiro Reich. Mas a invasão militar na Sibéria estava temporariamente descartada. Os Russos dominavam a região. E, até 22 de junho de 1941, estava em vigor um pacto de não-agressão germano-soviético. Sobrava a América do Sul.
Na avaliação dos nazistas, os países vizinhos não impediriam a invasão. O Brasil dera apoio irrestrito à primeira viagem de Schulz-Kamphenkel pela Amazônia, em 1935 (quando o pretexto dele era estudar a flora e a fauna locais), e não sabia dos planos de ataque. Uma possível represália dos EUA também era considerada improvável. Em 1940, eles ainda não estavam em guerra contra a Alemanha. Pela lógica da SS, a troca de poder nas colônias seria uma mera substituição de nações europeias na região – e não afetaria a influência dos americanos por aqui.
O plano também incluía previsões assustadoras para o período do pós-guerra. Após a conquista da Europa, o novo alvo seria o Japão. “Se conseguirmos assegurar (o território das Guianas), teremos uma posição estratégica para enfrentar o Japão”, diz o relatório. Era uma questão de defesa. “Há o risco terrível de domínio amarelo no mundo. A raça branca está ameaçada pela raça amarela.”
Preparando a invasão

Um livro de 1938 achado recentemente num sebo em Berlim traz anotações precisas da expedição. Intitulado "Mistérios do Inferno da Mata Virgem", o diário do geologista e piloto Otto Schulz-Kampfhenker revela que os quatro oficiais alemães teriam outros interesses que os científicos - buscavam os acessos e caminhos do Amapá, região estratégica a ser ocupada na guerra que se aproximava. 

Os exploradores levaram 11 toneladas de suprimentos e munição para 5 mil tiros. Enviaram para a Alemanha as peles de 500 mamíferos diferentes, centenas de répteis e anfíbios e 1.500 objetos arqueológicos. Produziram 2.500 fotografias e 2.700 metros de filme 35mm que mostram índios, caboclos, animais, peles, cobras e outros espécimes exóticos do mundo tropical. 

Eles também aproveitaram para testar um hidroavião com flutuadores de compensado de madeira, técnica inédita na época, e algumas armas e equipamentos não detalhados no livro.

"Papai grande"

A missão foi repleta de incidentes. O piloto errou duas vezes a rota de Arumanduba, de onde partiriam. Somente ao chegarem ao rio descobriram que era raso, encachoeirado e pedregoso, inviabilizando o uso da aeronave. O jeito foi seguir a pé e de barcos, com a contratação de caboclos para fazer o trabalho braçal. 

Os alemães apreciaram o tipo indígena dos aparaís: "construído como um atleta olímpico (...) parecendo uma estátua de bronze modelada por um artista". Fizeram amizade com eles apresentando-se como "filhos do Papai Grande da Ciência" e moraram na aldeia durante quase um ano, período em que Schulz teve uma filha com uma das nativas. 

A uruca da sucuri

A expedição, porém, continuava azarada. Um dos alemães, Joseph Greiner, contraiu malária e morreu poucos dias depois. Foi enterrado ali mesmo, numa ilha do Rio Jari, onde está a cruz com a suástica. A expedição prosseguiu por mais um ano, até fevereiro de 1937, com ajuda de caboclos e índios. Malária, repetidos acidentes e apendicite atacaram os alemães. Otto quase perdeu a vida ao tentar subir as violentas corredeiras do rio. 

Para os índios, os alemães estavam sendo castigados por terem matado uma sucuri de sete metros, animal sagrado cuja morte traz azar. A expedição terminou e os sobreviventes retornaram à Alemanha. Em seu diário, Otto anotou que concluíram a maioria das experiências técnicas "em prol de missões maiores no futuro".

A Amazônia resiste

Os alemães sempre tiveram um interesse especial pela terra brasileira; Euclides da Cunha, em "Os Sertões", mostrou como eles cartografaram detalhadamente a geologia e geografia nacionais havia muito tempo. Também é germânica a descoberta de que Goiás tem o solo mais antigo do planeta.

Além dos nazistas, os capitalistas tentaram a sorte na Amazônia e foram derrotados: em 1927, Henry Ford comprou cerca de um milhão de hectares na selva, junto ao rio Tapajós, e iniciou uma gigantesca plantação de borracha, a Fordlândia. O projeto durou 18 anos até ser tragado pela selva.

Em 1967, o homem mais rico dos EUA, Daniel K. Ludwig, também fracassou com sua fábrica de celulose flutuante denominada Projeto Jari. Mas estas histórias ficam para outro dia.

Os nazistas também estiveram na Ilha de Santana. 

Não se sabe a data exata, mas foi lá pelos idos da década de 1940 que um caboclo ribeirinho espalhou pelas nossas localidades interioranas a conversa de que viu um submarino submergindo no Rio Amazonas, próximo à boca do Rio Vila Nova, e que de dentro dele saiu um grupo de marinheiros e se dirigiu à Ilha de Santana. 

Há relatos de avistamentos de um submarino desembarcando marinheiros nazista na ilha de Santana 

O relato desse caboclo, cujo nome caiu no esquecimento de antigos moradores santanenses, causou uma grande confusão, inclusive, com a prisão de padres estrangeiros, que na época tomavam conta do Orfanato “São José”, construído naquela década na Ilha de Santana, já que se suspeitou que o submarino era da Alemanha e que os marinheiros iam até lá em busca de informações. 

Ao ser interrogado pelas autoridades, o caboclo, meio que confuso, mudou o depoimento e disse apenas ter visto um grande barco com duas velas. Em meio a risos, os próprios padres teriam afirmado que na verdade o que o caboclo teria visto era uma embarcação tipo “regatão”, que passava pelos rios da região vendendo mercadorias aos ribeirinhos. 

Mas para alguns moradores da Ilha de Santana, a primeira versão dita pelo caboclo seria mesmo um submarino, já que nessa época, falava-se que os padres (residentes no Orfanato) costumavam agir de forma bastante estranha e recebiam “visitas muito suspeitas” nas altas horas da noite, o que era constatado pelas louças sujas que de vez em quando as cozinheiras encontravam na cozinha do Orfanato. 

E a “estória” vai mais além: conta-se que ao emergir e partir do local onde costumava ancorar, o submarino levantava enormes ondas d’águas que causavam o afundamento de pequenas embarcações, daí, talvez, justifica-se o surgimento da lenda da “Sofia”, que por muitas décadas, justamente a partir de 1940, era contada em prosa e verso por ribeirinhos e catraieiros, que diziam ser uma grande cobra com a cabeça em chamas vagando pelo Rio Amazonas, o que poderia muito bem ser um submarino e suas luzes. 

Na verdade, não se tem nenhuma comprovação oficialmente documentada de que esses religiosos (padres) recebiam marinheiros nazistas, já que nessa época a Alemanha era governada por Adolf Hitler. Contudo, sabe-se que o Orfanato “São José” foi realmente construído por alguns padres europeus em um terreno situado na parte de atrás da Ilha de Santana, e que lá eles permaneceram por um longo período até serem substituídos por padres italianos em 1948. 

A versão do caboclo ribeirinho foi relatada pelo aposentado Manuel Rodrigues de Araújo, hoje com 74 anos, residente em Santana e que chegou a morar no Orfanato, tendo seu Manuel ouvido muitas histórias acerca do submarino alemão, mas não acreditando que realmente tenham acontecido. 



Fonte principais: 

1) Pesquisador Cristóvão Lins com matéria publicada neste link aqui https://serqueira.com.br/mapas/naziam.htm

2) Emanoel Jordânio, com matéria publicada no seguinte sítio http://memorial-stn.blogspot.com.br/2011/06/nazismo-na-ilha-de-santana.html?m=1

3) Super Interessante, com informações "Das Guyana-Projekt. Ein Deutsches Abenteuer am Amazonas
Jens Glüsing, Cristoph Links Verlag, 2008". 

https://super.abril.com.br/historia/nazistas-na-amazonia/

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Cabralzinho foi mesmo um herói do Amapá?


É fundamental, antes de tudo, que se procure saber sempre por quem determinado personagem histórico é considerado herói? Por que ele merece essa classificação? Quais as variações de significado e importância que o herói assume em situações históricas determinadas?

O final do século XIX foi marcado pelas construções de símbolos de manipulação, como o herói, pois a república precisava se consolidar, principalmente no Norte do Brasil e eram necessários símbolos para ajudar a criar o imaginário republicano no norte do país, pois assim se criou um processo heroico em torno de várias figuras dentre elas Cabralzinho, pela sua resistência contra os franceses no dia 15 de maio de 1895, Cabralzinho foi um político que sempre foi alvo de duras críticas, principalmente pelo seu feito “heróico” ao mesmo tempo de elogios por alguns estudiosos e historiadores.

Francisco Xavier da Veiga Cabral nasceu em 05 de maio de 1861 e faleceu dia 18 de maio de 1905 em Belém aos 44 anos de idade, era paraense, natural da cidade de Cametá foi comerciante por muito tempo, exerceu vários cargos públicos, assim como escrivão e despachante da Alfândega Paraense, chegou ao Amapá, depois de se envolver em uma revolta armada, para restaurar a monarquia, depor o governador na época Duarte Huet Bacellar e impedir a posse do novo Governador da Província do Grão-Pará Lauro Sodré.

O historiador Carvalho diz que os [...] heróis são símbolos poderosos, encarnações de idéias e aspirações, pontos de referência, fulcros de identificação coletiva. São por isso, instrumentos eficazes para atingir a cabeça e o coração dos cidadões a serviço da legitimação de regimes políticos. Não há regime que não promova o culto de seus heróis e não possua seu panteão cívico [...] (CARVALHO, 2009, p. 55).

Francisco Xavier da Veiga Cabral, mais conhecido como “Cabralzinho”, tinha esse apelido por causa de sua baixa estatura.

Em 1891, Cabralzinho liderou uma revolta contra o governo do PRP (Partido Republicano do Pará), o que deixou a cidade Belém em “pé de guerra” e colocou o governo sob alerta, esta ficou conhecida pela historiografia como Revolta 11 de Junho ou Revolta do Cacaolinho, o grande motivo deste conflito foi a votação da Constituinte Estadual do Pará, que ocorreria na capital paraense, no dia 11 de junho de 1891.
Cabralzinho motivado por interesses partidários de oposição, colocou-se contra o direito de votação da população, que seria inserido na Constituinte do Pará em 11 de junho de 1891. Cabralzinho e uma pequena parte dos democratas não eram a favor da votação, defendendo que ela prejudicaria os interesses políticos da oposição, contudo, no partido não houve consenso sobre a revolta, sendo a proposta derrotada. Veiga Cabral não aceitou a decisão do Partido Republicano Democrata (PRD) e com auxilio de um grande número de praças e oficiais do Corpo de Polícia do Pará somados a correligionários Democratas do interior do Estado, organizou o movimento revoltoso.
Liderados por Cabralzinho, o grupo invadiu o quartel de polícia sendo apoiado por vários membros da corporação. No quartel o grupo se apropriou de uma quantidade considerável de armas lá existentes para fazer à revolta, depois este grupo partiu em direção a residência do presidente do partido Democrata Vicente Chermont de Miranda , o qual não se encontrava em casa, assim amotinados dirigiram-se para o Sítio do Cacaolinho onde ficaram aguardando a chegada de alguns revoltosos da localidade de São Domingos do Capim.
O governo ao saber da revolta organizou uma reação contra os amotinados, e contou com auxilio da Marinha do Brasil  e do Corpo de Bombeiros que cercaram o local e, após grandes disputas, conseguiram vencer o grupo de Veiga Cabral, isto por que o governo prometeu anistiar todos os envolvidos na querela. Entretanto, dias depois do fim do conflito o Governo começou a prender os principais lideres do partido Democrata, exceto Cabralzinho, que fugiu antes de ser preso e exilado. Cabralzinho foi fugitivo para os Estados Unidos da América, retornado apenas após a declaração de anistia aos envolvidos na revolta, mesmo assim Cabralzinho preferiu se instalar na Vila do Espírito Santo do Amapá, pois tinha receio de represália política e também porque soube da descoberta de campos auríferos em Calçoene na área contestada por França e Brasil, que reafirmava a ideia que o “El Dourado” se localizava na Amazônia.

Cabralzinho chegando à vila continuou no ramo do comércio, ganhou muito prestígio (além de dinheiro e terras é claro) no Amapá, fez parte do Triunvirato e foi, a partir da composição deste governo local, que passou a ser conhecido, pois seus feitos como Presidente do Triunvirato começaram a incomodar principalmente os franceses, como afirma Cardoso, ao ressaltar que, nos primeiros anos em que Cabral permaneceu na vila do Amapá não há maiores referências ao seu nome ou qualquer grupo organizado de brasileiros. Foi apenas a partir de 1895 que o governador da Guiana Francesa passou a pedir autorização de interferências no Contestado para o Ministro das Colônias em Paris, em virtude de Cabral ter se tornado governador da vila Amapá, em dezembro de 1894, e instituído uma legislação que permitia a exploração aurífera no leito do rio Calçoene.

Cabralzinho se tornou um líder dentro da Vila do Espírito Santo do Amapá, pois tinha a malícia que todo e bom político têm e começou juntamente com o Triunvirato organizar politicamente e socialmente com legislações aquela região esquecida pelo Governo Brasileiro.

A área do Sagrado Espírito Santo do Amapá pertencia à área contestada desde o século XVII pela França, a qual nunca teve direitos sobre a mesma, conforme tratados que foram assinados, primeiramente o Tratado Provisional de 1700, onde essa área ficou conhecida por algum tempo como Contestado franco-luso, criando o primeiro contestado na área e se tornou, em uma terra de sonhos no imaginário de muita gente, como escravos fugitivos tanto da Guiana Francesa como do Brasil, soldados desertores e criminosos, assim, essa área se tornou um ótimo lugar de refúgio para essas pessoas, mais tarde no decorrer dos séculos XVIII e XIX, essa área foi contestada por França e Brasil.

Segundo o historiador Cardoso (2008), o governo de Cabralzinho era um governo pessoal e que ele era um ditador, as suas ações foram em benefício da elite brasileira, não só aquela que habitavam na área contestada, mas também a que morava em Belém. Essas afirmações são confirmadas quando analisamos o relatório feito pelo cientista alemão Emílio Goeldi, chefe de uma expedição do Museu Paraense de História Natural e Etnografia, conforme o mesmo em seu relato diz que:

[...] apresentei-me em casa do Senhor F. da Veiga Cabral, Governador do Amapá [...] Instalamos o nosso laboratório na Escola Pública; o nosso quartel-general era na casa e no quarto particular de Cabral. Cabral seguiu na mesma noite, a bordo do “Ajudante”, ficando o governo entregue a gente da nossa roda – que pouca ou nenhuma confiança me inspira. É uma oligarchia de capangas [...] A população vive debaixo de uma tirania nojenta e percebi desde as primeiras horas symptomas sérios do descontentamento, de oposição [...] Não quero e não posso acusar diretamente o Senhor Cabral da culpabilidade destes abusos sem conta, praticados tanto nos deportados como nas pessoas livres do lugar [...] Mas que a roda d’elle é ruim, péssima, abjeta – não há dúvida alguma e julgo ser o meu dever esclarecer o Governo Brasileiro acerca d’isto, enquanto que é tempo [...] (GOELDI, 1895 apud ANDRADE, 2000, p. 55).

Há muitas dúvidas sobre o que de fato aconteceu naquele dia 15 de maio de 1895, quando a esquadra francesa, comandada pelo Capitão Lunier, invadiu a Vila do Sagrado Espírito Santo na área do Contestado Brasileiro.


Cabralzinho sempre se põe como governador do Amapá e Trajano por ser um representante francês atrapalhava de certa forma seus planos na região aurífera, que segundo Cardoso,ele, antes de estar relacionado com a representação do herói nacional, tinha interesses reais em torno das expectativas mais proeminentes de quase todos que buscaram o território em litígio a partir de 1893, que era a busca de jazidas auríferas [...] ele fazia parte de todo um contexto histórico, no contestado, marcado pela corrida em busca de jazidas auríferas [...] (CARDOSO, 2008, p. 24).

A prisão de Trajano provocou uma reação imediata por parte do governo da Guiana Francesa, conforme Reis (1968, p.111), “governava a Guiana Mr. Charvein que não demorou em expedir contra o Amapá uma expedição militar, que se transportou no navio de guerra Bengali, sob o comando do capitão-tenente Lunier”. É a disputa pelas jazidas auríferas e pelo território contestado ganhando mais evidência e força. Assim no dia 15 de Maio de 1895 expede-se, a Canhoneira de Guerra Bengali, chegando ao território contestado no intuito de fazer cumprir as determinações dadas pelo governador de Caiena, que era libertar Trajano e prender Cabralzinho.

A expedição francesa do dia 15 de maio de 1895 à Vila do Espírito Santo do Amapá se tornou numa verdadeira carnificina, a mesma foi relatada por Carlos Augusto de Carvalho ministro das relações exteriores da época que matou crianças, idosos, adultos num totalnde 40 mortos, e 4 oficiais franceses mortos, incluindo o seu comandante.

As controvérsias começam pelo próprio Cabralzinho que, em sua carta ele deixa dúvidas se foi ele mesmo que matou Lunier, pois conforme seu relato ao Ministro das Relações Exteriores, uma carta de cunho oficial o mesmo disse, “dei-lhe três tiros com seu próprio revolver que o protrei, levando elle mais duas balas de rifles”, segundo seu relato Cabralzinho não deixa claro que matou o capitão francês, mas o mesmo começa a tropeça em suas próprias palavras, em uma entrevista ao Jornal Folha do Norte, o mesmo em sua entrevista falou, “matei o capitão Lunier com seu próprio revólver”, as controvérsias ficam ainda maiores quando Raiol (1992) coloca em dúvida essa veracidade de Cabralzinho.

O referido autor reforça a especulação que Cabralzinho não matou Lunier ao apresentar o relato do filho de uma sobrevivente do ocorrido no dia 15 de maio de 1895, o senhor Paulo de Souza Magave que em seu depoimento disse:

[...] tinha um prisioneiro, não sei se ela ainda sabe o nome desse prisioneiro, gritou que queria soltasse ele, pra que ele queria morrer, mas não preso [...] ele era baixinho e agüentou no peito do corneteiro [...] e o corneteiro caiu, ai fizeram fogo [...] e o Cabralzinho nessas alturas foi se esconder no mato, né. Quem tava de testa para resolver a parada era um senhor por nome Félix [...] (RAIOL, 1992, p. 200).


Mais tarde esse fato foi confirmado pela própria Dona Ianez Valeriana de Souza Magave, que segundo Raiol (1992, p. 201), já não tinha muitas forças e lucidez pra falar, mas em relação à Cabralzinho a Dona Ianez Falou “falsidade, foi falsidade porque a cabeça era o velho Félix. Aquele homem era guerreiro mesmo. Cabralzinho, Cabralzinho ele foi se esconder [...]”. Essas contradições só alimentam a desconfiança sobre o heroísmo de Cabralzinho e aquela velha brincadeira do “mato ou morro”, como não tinha morro ele correu pro mato, deixando a população a mercê dos franceses, mas o certo é de que Cabralzinho não lutou sozinho contra os franceses, mas levou toda a glória por ele ter feito uma campanha patriótica e heróica em torno dele mesmo, e a população que lutou e morreu foram deixados de lado pelos jornais da época, pela república e principalmente por Cabralzinho.

Dizer que Cabralzinho é herói e esquecer a população que lutou ao lado dele contra a invasão francesa é muita prepotência, pois ninguém ganha uma batalha sozinho, as pessoas que morreram e as que sobreviveram também foram heróis, eram poucas e conseguiram expulsar os franceses, lutaram pelo pequeno pedaço de chão que eles tinham, eram pessoas humildes e conseguiram vencer. Eles foram verdadeiros heróis, que foram esquecidos pela história oficial e positivista em algum lugar da própria história.

Fonte: Silva, Diovani. 2014.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

The zuera never ends, mesmo que isso destrua a vida de uma menina. 

Mode ironia, level Hard *ON. By Gesiel Oliveira

De uma hora pra outra apareceu um monte de intelectuais virtuais. Gente que conhece muito de história, geografia, cultura, música, dança e arte do Amapá (MODE IRONIA HARD ON). Gente que ridiculariza, escarnece e achincalhar sem dó, sem vislumbrar as consequências na vida de uma pessoa tão jovem. Os "tribunais virtuais" estão formados, e são constituídos por “especialistas”, gente "estudada", gente que “sabe tudo” sobre marabaixo, batuque, sobre a origem do nosso povo, relevo, vegetação, lutas, música e arte. Gente que vai comemorar o feriado do próximo dia 15/05 e nem sabe quem foi Cabralzinho, ou se ele realmente merece o título de herói aqui no Amapá, gente que nem sabe o que aconteceu no dia 15/05/1895, nem muito menos sabe o que foi a República do Cunanis, e quem foram os Tucujus e Cunanis. Não sabem quem são os Palikurs, Galibis, Karipunas, nem de onde vieram e onde habitam, mas são capazes de chamar a menina Miss Amapá de "burra" e afirmam que a menina não conhece a história do nosso Estado. Será que conhecemos tanto assim a história da nossa terra a ponto de pedirmos para esse menina estudar mais sobre o Amapá?  São “juízes virtuais” que fazem montagens e memes, determinam a “sentença”, e espalham o seu nefasto e vituperioso “veredicto” nas redes, e na velocidade dos compartilhamentos, vidas são destruídas e sonhos são destroçados, lágrimas são derramadas e traumas são eternizados. Tá sobrando hipocrisia e faltando empatia. Tá transbordando apedeutas virtuais e faltando gente resiliente que reconheça que essa menina tem potencial de sobra e não será um deslize de poucos segundos que levará a sua carreira à derrocada. O que fica na rede, de lá não sai nunca mais. Interessante observar que a entrevista, que foi muito boa e mostra que ela conhece muito de outras áreas, durou mais de 11 minutos, mas por um lapso de apenas 10 segundos, seus conterrâneos não a perdoaram. A massa virtual adora essas coisas, ri demais, e sem mesmo conhecer a história de luta e superação de uma menina tão nova, a chama de “burra”, “alienada” e a enxovalha sem piedade, por conta de um deslize, de um comentário, e isso tudo sem nenhum tipo de remorso. Até mesmo gente adulta e velha, que tem filhos na mesma idade, aproveita o embalo e não se contém na hora de espalhar, e logo prepara a sua pedrada, que hoje vem em forma de comentários insanos, sem mesmo se dar conta de que isso poderá estar acontecendo amanhã com um filho seu, com um amigo, com alguém conhecido. Não há pelo menos uma gota de empatia no reservatório de maldade desses seres virtuais insanos? Mas o que vale mesmo é a risada né? a gargalhada, mesmo que para isso seja necessário destruir a carreira e a vida de uma menina que falava do nosso Estado com tanto orgulho e com brilho nos olhinhos, antes vívidos e cheios de vida, que agora só vertem lágrimas. As redes sociais promoveram um bullying virtual avassalador, taxando dos piores adjetivos a jovem que só queria representar o Amapá. De tão triste que ela ficou, que resolveu devolver o título de Miss Amapá para esse povo tão “educado”, “ordeiro” e “compreensivo”(ON) , mormente os que patrulham as redes sociais com  comentários eivados de terríveis erros ortográficos, de concordância e sintaxe, mas que se acham acima da “estratosfera cognitiva mediana”, tudo a ponto de crucificá-la por um mero erro, uma falha tão comum na vida da maioria dos nossos jovens de hoje. Uns segundos de comentários da menina, que lhe custaram tão caro nas mãos de um povo que se acha tão “inteligente”. Infelizmente uma jovem sonhadora de apenas 20 anos não está a altura de tanta “intelectualidade e sapiência” (ON), e não suportou tanta pressão. Resta-nos agora ficar com a risada, com o sarcasmo da casta cognitiva superior (ON). Mas é isso aí, vamos rir gente abjeta e "intelectualizada", que prossiga a exéquias virtual de outros tantos; como é bom fazer isso e sentir-se acima de alguém que errou publicamente (ON), e como dizem os mais conectados patrulheiros virtuais: “The zuera never ends”, e realmente não tem fim, a não ser para quem está do outro lado.


domingo, 6 de maio de 2018

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sábado, 5 de maio de 2018

Posse do novo secretário da FCRIA, Profº Guaraci Pastana

O governador do Amapá, Waldez Góes, empossou o novo secretário da FCRIA na tarde desta sexta, 04, na sala de reuniões do Palácio do Setentrião. Estiveram presentes: o deputado Jory Oeiras, a ministra Fátima Pelaes, o vereador Yuri Pelaes, dentre outros secretários e representantes das instituições governamentais do Estado.

Profº Guaraci Pastana é quem assume a pasta a partir de agora, substituindo a advogada Natália Façanha Vasconcelos, que estava a frente da desta secretaria desde 28/11/2016.

A novo gestor reconhece as dificuldades e desafios e declarou que vai dar continuidade aos trabalhos que estão sendo desenvolvidos na FCRIA e pretende implantar outros, bem como ampliar o alcance dos atuais projetos. 

Em entrevista do Blog do Gesiel Oliveira, o novo secretário afirmou que pretende “seguir o programa de governo estabelecido para a reintegração do adolescente ao convívio social, e dentro desse âmbito, verificar mecanismos para que possamos ampliar os atuais programas e projetos, buscando parcerias para implantar outros, bem como buscar uma aproximação com  outras entidades públicas, privadas e religiosas, para que juntos possamos promover estratégias para que a criança e o adolescente possam ter a sua adequada reinserção ao convívio de sua família e à sociedade, este será o grande desafio da nossa gestão”, declarou.

Sobre o novo secretário:

Guaraci Assis Pastana, filho de Francisco Evangelista dos Santos Pastana e Maria das Graças Assis Pastana, é amapaense, natural de Macapá, casado com Adia Lucia Oliveira Ferreira. Tem 3 filhos: Ivanessa , Caio Flavio e João Pedro. É formado em História e Especialista em História Social e Cultural pela Unifap. Graduado em Teologia na FATECH,  especialista em Educação Financeira pela Associação Brasileira de Educação Financeira do Brasil. Especialista em Educação e História. Palestrante motivacional. Professor na rede pública e particular de ensino há longos anos. Leciona na faculdade Fatech na graduação e pós graduação. Na vida pública foi gerente no DETRAN. Diretor escolar das escolas estaduais  Raimunda Virgolino e Azevedo Costa. Também foi gerente do núcleo de ensino médio na SEED. Participou do projeto Desafio Pré-vestibular onde lecionava e fazia o programa de rádio e televisão. Atualmente é organizador do aulão pro IJOMA e participante do projeto ENEM itinerante da Seed. É voluntário no programa Amapá Jovem como palestrante,  desempenhando suas atividades na casa do professor como educador financeiro.


Prof Guaracy Pastana - presidente da FCRIA





quarta-feira, 2 de maio de 2018

1ª Escola de Líderes da Assembleia de Deus no RJ da COADERJ

Aconteceu na noite de ontem (01) a 1ª Escola de Liderancas da Assembleia de Deus no Estado do Rio de Janeiro. O evento foi  promovido pela COADERJ, Convenção da AD no Estado do Rio de Janeiro, presidida pelo Pr Tiago Costa e aconteceu no salão de reuniões do terraço do Hotel Mont'Blanc no centro de Nova Iguaçu/RJ. O evento trouxe para a ministração da Palavra o Pr Gesiel Oliveira, vice presidente da Convenção Internacional da Assembleia de Deus Zona Norte e o Pr David Teodoro, vice dirigente da AD em São Cristóvão/RJ. A temática foi a seguinte: "Todos por uma igreja mais unida, avivada, Missionária e relevante. Vários pastores assinaram fichas de filiações na CADB durante todo o evento. Esta convenção, além de estar tendo um forte e rápido crescimento, trás uma visão inovadora e inclusiva em relação a família do pastores membros. Há um espaço de lazer com piscina, salões de reuniões e playground voltado a atender a família do pastor enquanto as reuniões convencionais ocorrem. Há projetos de capacitação, treinamento, gerenciamento e coaching para pastores.







Pr Tiago Costa - Presidente da COADERJ