Há um princípio jurídico tão antigo quanto a própria civilização ocidental que qualquer estudante de primeiro semestre de Direito conhece de cor: nemo iudex in causa sua, que significa: “Ninguém pode ser juiz em causa própria”. Não é doutrina, não é ideologia, não é pauta conservadora ou progressista. É a pedra angular sobre a qual se constrói qualquer sistema judicial que mereça esse nome. Pois bem. No Brasil de 2025, essa pedra foi arrancada do alicerce, triturada e jogada no lixo da conveniência política, e o autor do feito usa toga, tem gabinete no Supremo Tribunal Federal e responde pelo nome de Alexandre de Moraes. O episódio mais recente dessa novela de poder sem freios envolve auditores da Receita Federal que, segundo as investigações, teriam acessado e vazado informações sigilosas de declarações de Imposto de Renda da esposa e do filho do próprio ministro. A questão fiscal em si já seria grave o suficiente para render manchetes por semanas. Mas o que transforma o caso em ...
Quebrando a criptografia: Quando as mensagens apagadas de um celular podem desmoronar um regime cleptomaníaco
Há momentos na história de uma nação em que o véu se rasga, e a nudez do poder se expõe de forma tão crua que nem mesmo os mais hábeis tecelões da narrativa oficial conseguem remendar o tecido esfarrapado da credibilidade institucional. Estamos vivendo um desses momentos. O escândalo do Banco Master não é apenas mais um capítulo na longa novela da corrupção brasileira, é potencialmente o epílogo de uma república que há tempos cambaleava sobre alicerces corroídos pela promiscuidade entre poder político, judiciário e econômico. Daniel Vorcaro, empresário até então relativamente obscuro para o grande público, emerge agora como personagem central de uma trama que faria corar até os roteiristas mais nefastos e audaciosos de Hollywood. Sua relação com figuras do topo da hierarquia judicial brasileira, notadamente os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, deixou de ser mera especulação de bastidores para se tornar objeto de investigação formal da Polícia Federal. E quando a PF con...