Quando a máquina de poder americano finalmente decide agir, não negocia, não pede permissão e raramente se importa com narrativas convenientes que o alvo oferece como defesa. A administração Trump acaba de demonstrar isso de forma cristalina ao deflagrar operação de sanções financeiras contra PCC e Comando Vermelho, as duas maiores organizações criminosas do Brasil, e, mais importante, contra pessoas físicas e jurídicas brasileiras ligadas a esses grupos através de esquemas de lavagem de capitais. O que parecia, meses atrás, ser apenas reação simbólica à classificação de PCC e CV como organizações terroristas transformou-se em ofensiva econômica concreta que promete complicar vida de centenas de brasileiros, paralisar operações de dezenas de empresas e, mais importante, expor ao mundo inteiro a realidade que o governo Lula desesperadamente tenta esconder: a penetração profunda do crime organizado em estruturas políticas e econômicas brasileiras, penetração que, na visão de Washington, ...
Há momentos em que instituições poderosas enfrentam dilemas que as definem, momentos em que não há escapatória diplomática, em que o confronto torna-se inevitável, em que escolher um lado significa, necessariamente, deixar escombros do outro. O Supremo Tribunal Federal está vivendo exatamente isso. E o epicentro dessa tempestade institucional é André Mendonça. A decisão de Mendonça de conduzir como relator investigações envolvendo o escândalo do Banco Master, com seus tentáculos profundos estendidos para estruturas de poder que vários ministros gostariam que permanecessem opacas, ocultas e inatingíveis, não foi apenas questão de competência processual ou distribuição de casos. Foi, na verdade, um golpe sísmico de magnitude 9 que rachou o STF em duas alas irreconciliáveis, revelando fissuras que a instituição tentava manter encobertas sob o verniz da unanimidade teatral. De um lado, Mendonça, apoiado pela trindade conservadora de Luiz Fux (ex-presidente da Corte com preocupações l...