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O primeiro dia do recomeço

O cenário da desolação: mais de 250 casas consumidas pelo fogo e 2000 desabrigados
Dia 24 começou diferente. Somente hoje a “ficha caiu” para muitos macapaenses, que agora não podem mais voltar para suas casas com suas famílias. Entre olhares atônitos, em meio a um amontoado de gente e objetos, a maioria inservíveis, em meio a um corre-corre, quase duas mil pessoas iniciam o primeiro dia de um longo recomeço. A ajuda para solucionar as necessidades mais imediatas vem de associações, ONGS, igrejas evangélicas e do governo estadual e municipal. Estes dois últimos não estavam preparados minimamente para uma calamidade dessas proporções. Uma onda de solidariedade, sem precedentes na história do Amapá, tomou as ruas num efeito benevolente de comiseração e empatia. Crianças correm de um lado para o outro, brincando em meio à desolação. Idosos permanecem em estado catatônico, olhando desorientados para uma preocupação que até ontem desconheciam. Cachorros latem e as filas para usar os poucos banheiros e espaços coletivos aumentam, enquanto outros ficam de olho no que sobrou, para evitar os constantes furtos. Outros que ficaram somente com a roupa do corpo tentam entender o que aconteceu ontem. Os olhares expressam a sensação de um povo em que só a esperança não foi consumida pelo fogo. O dia 23 de outubro de 2013 entrou para a história do Amapá, mas não de forma positiva. Ali há tantas histórias, há tanto lamento, há tanta dor, nessa atmosfera carregada de uma leve fumaça que invadiu todas as casas do bairro do perpétuo socorro e arredores, trazendo à memória uma triste lembrança. O dia amanheceu com as ruas interditadas, tomadas de carros de bombeiros, policiais militares, polícia técnica, repórteres e curiosos. O retrato da dimensão da calamidade mudou e redesenhou a paisagem na Avenida Pedro Américo, que agora pode ser vista a partir da Avenida Ana Nery. O que restou ali foi uma cicatriz, um campo de cinzas do tamanho de três campos de futebol, que nunca vai ser esquecida, e que deve nos fazer lembrar e repensar pelo que aconteceu, mas também deve nos reorientar ao que fazer a partir de agora.

Por Gesiel de Souza Oliveira
Twitter: @PrGesiel_
Facebook: "Gesiel Oliveira"

















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