sexta-feira, 26 de abril de 2019

Por que a sociedade não sabe abordar a temática do suicídio? Por Pr Gesiel Oliveira



Estatísticas
Abordar uma questão tão delicada não é tarefa fácil. Então vamos tratar sobre esse tema da maneira mais didática possível. Ocorrem mais de 800 mil suicídios por ano em todo mundo, ou seja, 1 a cada 40 segundos. A maioria dos casos está ligada à depressão. Estima-se que 11,5 milhões brasileiro tem DEPRESSÃO, fazendo do Brasil o 5º país mais depressivo do mundo. No Brasil foram mais de 12 mil suicídios/2018
1 a cada 45 minutos, maioria de idosos. No Amapá neste mesmo período em 2016 tínhamos 16 casos. Hoje 26/02/2019 já são 60.

No Brasil e no mundo a maioria dos casos envolvem IDOSOS, mas no Amapá os JOVENS, especialmente na faixa etária entre 15 a 25 são os mais afetados com esse flagelo social, não sabe ainda por qual razão. Mas algumas questões devem ser consideradas para e que certamente estão  relacionadas, como o alto índice de desemprego (o Amapá possui a maior taxa de desemprego do Brasil), bullying, grupos e minorias discriminadas, ausência de diálogo, desentendimentos familiares, desilusões, mudança abrupta de status social, decepções, frustrações, etc.

Há um estudo UNICAMP que aponta que 17% dos brasileiros já pensaram alguma vez em suicídio, e isso que chamamos de “ideação suicida” não pode ser confundido com a ação preordenada suicida, que tem um desígnio bem mais definido.

O suicídio é multifatorial
A pré ordenação suicida é um fenômeno multifatorial e tem tratamento, se identificado a tempo. A questão é que quem chega a estágios avançados tem uma linguagem não falada, mas comportamental, bem mais difícil de ser identificada. O silêncio, o isolamento e comportamento anti social, e outros aspectos dão algumas dicas, mas isso não é uma regra geral. Tratar de combate ao suicídio não é uma questão matemática de valores exatos, de uma fórmula pronta, não! É adentramos em uma seara difícil de ser identificada e que as ações suicidas podem evoluir de maneira mais ou menos acelerada a depender de cada pessoa e cada caso. País, professores, pastores, etc não estão sabendo tratar a temática, visto que a depender de como ela for abordada poderá ter efeitos e consequências imprevisíveis.

A questão é identificar a tempo os sinais que nem sempre são claros e fáceis. É uma linguagem não falada, muitas vezes comportamental, que exige muita atenção e diálogo a para ser identificada.

A mídia evita falar sobre o assunto por causa do Efeito Werther, que está relacionado a um livro lançado na Alemanha no século passado, que evidenciava o sofrimento do jovem Werther, que tinha uma narrativa  exaltando o suicídio que acontece ao final da obra, e quando esse livro foi lançado isso acabou provocando um aumento dos casos de suicídio, daí surgiu essa noção de “efeito de contágio” ou “efeito de cópia”. Por isso a mídia, regra geral, não fala sobre suicídio.

Por outro lado fala-se hoje no Efeito papageno, baseada em Mozart e a flauta mágica, ou seja, dependendo de como  falamos de suicídio na mídia isso pode ter um efeito PREVENTIVO.

Os sinais não são fáceis de serem identificados.

E nem todo mundo dá sinais, mas aqui estão alguns deles:

1-Mudança brusca de comportamento
2-Álcool e drogas
3-Isolamento
4-Posts nas redes sociais
5-Silêncio, condutas antissociais
6-Vontade de dormir sem parar
7-Desinteresse pela vida, lazer, higiene pessoal, etc.

A pessoa que quer se suicidar na verdade não quer acabar com a sua vida, quer sim acabar com uma DOR INSUPORTÁVEL. Na Bíblia vemos alguns casos de personagens que desejaram a morte:

Elias - quando ele estava embaixo de um zimbro (árvore) quando fugia da perseguição de Jezabel

Após grandes vitórias espirituais sobre os profetas de Baal, este poderoso homem de Deus correu para salvar sua vida, longe das ameaças de Jezabel. E lá no deserto, ele se sentou e orou, derrotado e desgastado:

“Ele, porém, foi ao deserto, caminho de um dia, e foi sentar-se debaixo de um zimbro; e pediu para si a morte, e disse: Já basta, ó Senhor; toma agora a minha vida, pois não sou melhor do que meus pais” 1 Reis 19:4


Jonas - quando sai de Nínive, se senta na saída da cidade, embaixo de uma cabana feita por ele mesmo e desejou a morte.

Davi: Em muitos dos Salmos, ele escreve sobre sua angústia, a solidão, o medo do inimigo, seu coração gritando contra o pecado e a culpa. Vemos também o seu enorme pesar na perda de seus filhos.

“Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, o qual é a salvação da minha face, e o meu Deus.” Salmos 42:11

Jó: Este homem justo de Deus perdeu literalmente tudo. Tão grande era o seu sofrimento e da tragédia que mesmo a sua própria esposa disse: “Então sua mulher lhe disse: Ainda reténs a tua sinceridade? Amaldiçoa a Deus, e morre.” Jó 2:9

Embora Jó tenha mantido sua fidelidade a Deus durante toda a sua vida, ele ainda lutava profundamente através das trincheiras da dor:

“Por que não morri eu desde a madre? E em saindo do ventre, não expirei?” Jó 3:11


De quem é a culpa?
O ser humano quer sempre por a culpa em alguém. Mas em boa parte das vezes as causas são endógenas. E pior sem causa aparente. Ou muita vezes são causas pequenas, mas que por alguma razão foram agigantadas. Boa parte das vezes que um suicídio acontece em uma família, há forte possibilidade de voltar a acontecer, por conta do sentimento de culpa. Por isso essa famílias precisam serem acompanhadas.

Aqui quero deixar uma lista para que as famílias estejam atentas com aquilo que ei chamo de os “seis D's”, que são fases progressivas que antecedem o suicídio, lembrando que nem sempre isso acontece:

1) Desilusão: Pode ser amorosa, profissional, sentimento de tristeza, frustração; desapontamento, decepção. Perda da alegria; decepção;

2) Desamparo: ausência de diálogo, sensação de que a pessoa está só, sentimento de rejeição, alijamento, em relação às outras pessoas.

3) Desespero: a pessoa começa a mudar seu comportamento. Passa ter atitudes bipolares (ora está alegre, ora triste), há um destempero em sua reações. Há um desequilíbrio na forma como age. Desrespeita, xinga, ofende, na verdade a pessoa está gritando por socorro e pouco conseguem perceber isso.

4) Desesperança: Saudosista - eles falam muito do passado, com saudades de coisas que já passaram. Eles deixam de fazer planejamentos. Vem a Melancolia. A pessoas perde a esperança em tudo. Se julga incapaz, sem utilidade, sem valor algum.

5) Desinteresse: nesta fase a pessoa perde a vontade de buscar a beleza da vida. Se desinteressa por coisas que antes gostava de fazer. Recusa convites, se fecha pra diversões e lazer. E em estágio mais avançados, deixa de se cuidar, não liga mais para higiene pessoal (fica cabeludo, anda fedorento, mau hálito, etc). A pessoa está morrendo ao poucos.

6) Depressão: esse é o estágio mais profundo dessas fase e que normalmente antecede ao suicídio. A depressão uma doença psiquiátrica, crônica, psicossomática e recorrente, que produz uma alteração do humor caracterizada por uma tristeza profunda, sem fim, associada a sentimentos de dor, amargura, desencanto, frustração, desesperança, baixa autoestima e culpa, assim como a distúrbios do sono e do apetite.

Mas isso não é o fim! É aí que entra o médico dos médicos. Aquele que resolve causas impossíveis: JESUS DE NAZARÉ.

Você não está sozinho nessa luta. O amor de Deus se manifesta em nossa vida. Basta buscá-lo, que ele está sempre ao nosso lado:

A Bíblia nos diz em:

Isaías 40:31: “Mas os que esperam no Senhor renovarão as forças, subirão com asas como águias; correrão, e não se cansarão; caminharão, e não se fatigarão”


Isaías 43:1-3: “Não temas, porque eu te remi; chamei-te pelo teu nome, tu és meu.
Quando passares pelas águas estarei contigo, e quando pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti.
Porque eu sou o Senhor teu Deus, o Santo de Israel, o teu Salvador”


2 Co 4.8,9: “Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados. Perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos”.

Jonas 2.2 “Na minha angústia clamei ao Senhor, e ele me respondeu; do fundo da sepultura  gritei, e tu ouviste a minha voz”.

Quem mata quem quando um suicídio acontece?


Às famílias que perderam entes tenho a dizer:

-Não se sintam culpadas

-Reforcem a sua fé no recomeçar!

-Vocês precisam encontrar forças para se  levantar dos escombros da saudade, da ausência e da dor.

-Procurem apoio, pois sozinhos a coisa fica mais difícil de acontecer. Procurem apoio dos amigos, na família, na igreja, grupos de apoio, mas principalmente em JESUS.

-O luto é um processo lento, progressivo, mas não é uma barreira intransponível. Por mais escura que seja a noite, ela não impedirá o raiar de um novo dia em sua vida. Que Deus vos abençoe!

Pr Gesiel de Souza Oliveira
Coordenador do “Projeto Valorizando Vidas”, de conscientização e combate ao suicídio no Amapá.


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