Era 2019, e as ruas ferviam com o cheiro de esperança patriótica, bandeiras tremulando como asas de águias em voo rasante. Milhões bradavam contra a corrupção, pela família, pela pátria, um rugido que ecoava de Brasília ao Oiapoque. Mas devagar, como o veneno que se infiltra gota a gota, a reação do sistema começava. Não com tanques nas avenidas, mas com teclas de teclado e canetas de relator. Alexandre de Moraes, o ministro que se ergueu como um colosso judicial, tecendo uma teia de inquéritos que mais parecem redes de arrastão, transformou o Brasil num presídio de mordaça. Hoje, em novembro de 2025, os brasileiros não gritam mais, sussurram, se tanto. As redes sociais, outrora arenas de debate aceso livre, viraram pátios de recreio vigiados, onde um post errado pode render buscas e apreensões e bloqueio de redes sociais. E o pior, esse cala-boca não caiu do céu, foi construído tijolo por tijolo, normalizando o absurdo até que a impunidade reinasse suprema, como um rei sem coroa num trono de mentiras diante de um povo imobilizado pelo medo.
Vamos voltar ao rastro dessa trilha sombria. Tudo começou com o Inquérito das Fake News, aberto em 2019 pelo próprio STF, sob relatoria de Moraes, o inquérito mais longo da história do Brasil, um inquérito sem fim. O que era para investigar "ataques à democracia" virou um “buraco negro jurídico”, onde cabia tudo: de memes irônicos e emojis a críticas ao Supremo. Aos poucos, as decisões pingavam: primeiro, bloqueios de perfis no Twitter (hoje X) por "desinformação", termo técnico que, na prática, significa qualquer opinião que desagrade o establishment. Em 2021, o TSE, sob influência similar, multou 12 influenciadores bolsonaristas em R$ 100 mil cada por supostas "fake news eleitorais". Não era repressão; era a “pedagogia do medo” em ação. Aos poucos, o impacto crescia; uma pesquisa do Datafolha de março de 2022 mostrou que 62% dos brasileiros com acesso à internet hesitavam em postar sobre política, temendo retaliações, um salto de 28% em relação a 2018.
O crescimento foi inexorável, como uma maré que lambe a praia até engolir a casa. Em 2023, Moraes decretou a suspensão de contas de 1.200 usuários no X, incluindo jornalistas independentes e deputados oposicionistas, sob alegação de "incitação ao ódio". Segundo relatório da Anistia Internacional de julho de 2024, o Brasil liderou o mundo em remoções de conteúdo político, com 78% das ordens judiciais atendidas em 24 horas pelas big techs, um recorde de submissão sem precedentes. Mas o pulo do gato veio em 2025: a decisão da Primeira Turma do STF, em junho, de responsabilizar plataformas por "conteúdo ofensivo" sem necessidade de ordem judicial prévia. O resultado foi uma avalanche de autocensura. Estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), divulgado em setembro de 2025, revelou que o engajamento em posts conservadores caiu 47% no primeiro semestre, enquanto narrativas petistas subiram 32%. O impacto nos movimentos de rua foi direito. As manifestações de 7 de setembro de 2024, que reuniram 1,2 milhão de pessoas em São Paulo (dados da PM), encolheram para atos tímidos e amedrontados de 35 mil em março de 2025 contra a regulação das redes, e olhe lá, com medo de infiltração e prisões em massa.
Essa intimidação não é abstrata; é visceral, como um soco no estômago que te deixa sem ar. Eu conversei com um amigo, um pequeno empresário de Macapá, que em 2022 postava abertamente contra o lockdown forçado. Hoje? Ele deleta tweets antigos e evita o X como quem foge de cão raivoso. "E se o algoritmo me entrega pro Moraes?", diz ele, com olhos baixos e preocupados. É o efeito chilling, termo da psicologia social que descreve como o medo congela a ação coletiva, e no Brasil, ele congelou uma nação inteira. Dados do IBGE de outubro de 2025 mostram que a participação cívica online despencou 39% entre jovens de 18 a 24 anos, o grupo mais ativo nas redes. Reagir nas ruas? Nem pensar. Após os bloqueios de 2023, as prisões preventivas por "associação criminosa" em atos pacíficos subiram 215%, segundo relatório do Ministério da Justiça. O brasileiro comum, aquele que acorda às 5h para labutar, agora engole o sapo: critica o governo no churrasco de domingo, mas se cala no celular. É a normalização da arbitrariedade, gota a gota, até que o copo transborde em silêncio cúmplice.
E eis que, nesse paraíso da impunidade, o escândalo do Banco Master irrompe como um furacão, só para ser abafado por uma nova cortina de fumaça tão densa quanto o diesel de geradores da COP-30. Em 18 de novembro de 2025, o BC liquidou o conglomerado, rombo de R$ 12,2 bilhões em fraudes piramidais, com o FGC cuspindo R$ 41 bilhões para tapar o buraco. A esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes, advogada do banco em ações judiciais, com evidente conflito de interesses que fede mais que lodo do Tietê. Caciques do Centrão, fundos de pensão como a Amprev (R$ 400 milhões perdidos no Amapá), lobistas do BRB: um ninho de víboras. Mas o que aconteceu? Nada! O foco virou para a prisão de Bolsonaro, decretada ardilosamente no dia 22 de novembro pela Primeira Turma do STF, sob relatoria do mesmo Moraes. O Motivo? Violação de tornozeleira eletrônica em regime domiciliar, mas a sentença final, 27 anos e três meses por "tentativa de golpe", é uma farsa processual, baseada em ilações de depoimentos desconexos e narrativas sem provas materiais. Desproporcional é eufemismo, basta lembrar que os maiores traficantes do PCC pegam penas em média de 15 anos por homicídios. Bolsonaro, por "conversas" hipotéticas, estando fora do Brasil, com 71 anos, em estado de saúde grave em decorrência das facada de 06 setembro de 2018, apodrecerá em cela. A defesa alega saúde frágil com soluços incontroláveis, câncer de pele, arritmias, etc, mas o STF manteve a decisão de Moraes por unanimidade em 24 de novembro, ignorando habeas corpus e mandando para o lixo toda a legislação brasileira.
É a cortina de fumaça perfeita: enquanto o Banco Master some das manchetes (queda de 89% nas buscas no Google Trends de 23 a 28 de novembro, por ferramenta interna), Bolsonaro vira o “bode expiatório” que está em foco. Aliás isso já virou rotina, cada vez que explode algum escândalo, Moares sempre tem uma decisão contra Bolsonaro para desviar o foco. O Senador Eduardo Girão (Novo-CE) clama por CPI do Master em 24 de novembro, citando "desvio de atenção pública de corrupções sob investigação". Mas ecoa no vácuo. Por quê? Porque o sistema precisa de um vilão para santificar os seus. O petismo, com Lula no Planalto, e o STF, com Moraes como xerife, constroem um Brasil desfigurado, onde a dissidência patriótica é esmagada como cigarro no asfalto. Impunidade para os de toga e terno; masmorra para quem ousa questionar.
E por trás dessa cortina, o grande truque: pavimentar o caminho para 2026 com uma "direita permitida", uma marionete de palha que dança ao som da orquestra do establishment. Não é segredo, com Bolsonaro preso, o tabuleiro se rearruma. Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, surge como o cavalo de Troia, elogiado pela CNN em 25 de novembro como "o nome competitivo da direita contra Lula". Mas olhe de perto: ele visitou Bolsonaro na prisão em 29 de setembro de 2025, jurando lealdade bolsonarista, mas já flerta com o Centrão e o PSDB, partidos que Moraes tolera. Artigo da Gazeta do Povo de junho de 2025 lista "candidatos tolerados pelo STF": Tarcísio, Ratinho Júnior (PR), Zema (Novo) e até Eduardo Leite (PSD). É a “direita de araque”, que critica o "excesso regulatório" nas redes, mas não toca no inquérito das fake news. Uma marionete com fios puxados pelo sistema: aprova reformas fiscais mornas, ignora CPIs de corrupção e posa de moderado para não azedar com o Planalto. Flávio e aliados alertam Bolsonaro, pela CNN de 24 de novembro: "Sem pressa, mas o nome tem de ser nosso". Lamento dizer que foi tarde demais, porque o sistema já ungiu seu fantoche.
Esse jogo não é novo; é o conservadorismo traído, onde a pátria vira palco de bufões. Retórica à parte, os números gritam: 51% dos brasileiros veem Moraes com imagem negativa (pesquisa Atlas/Bloomberg, agosto de 2025), e 68% acreditam que a censura judicial calou vozes opositoras (DataSenado, outubro). Mas o silêncio reina porque o medo é o grande equalizador, rico e pobre, jovem e velho, todos engolem seco.
O rugido que ainda pode ecoar
Enquanto a teia de Moraes se fecha como uma mortalha sobre o Brasil, o silêncio não é paz, é o estertor de uma nação sufocada. Eu vejo nos olhos de quem eu encontro nas ruas de Macapá, nos sussurros de amigos que outrora bradavam alto: o medo não é só de prisão; é de extinção. Extinção da voz que questiona, da bandeira que tremula sem algemas, da pátria que sonha sem o peso de uma toga que julga e condena sem freio. O Inquérito das Fake News, esse monstro devorador de liberdades, já engoliu 1.800 investigados até outubro de 2025, de acordo com dados do CNJ, números que a mídia minimiza como "medida necessária", mas que para o homem comum soam como sentença de mudez perpétua.
O escândalo do Banco Master foi enterrado sob a poeira da espetacularização da prisão de Bolsonaro, um espetáculo de lawfare que faz traficantes do CV parecerem anjos. Tratado pior que Beira-Mar, Bolsonaro, aos 71 anos, com saúde em frangalhos, apodrece em cela úmida, onde o ar úmido agrava sua arritmia e o câncer de pele que ele carrega como cicatriz de luta pelo Brasil. É o ápice da impunidade seletiva, bilhões desviados no Master evaporam sem CPI, mas uma live de 2022 vira crime de Estado. Não, é o sistema nu, mas uma direita de gravata que dança valsa com o establishment, enquanto o povo real, o caminhoneiro, a dona de casa, o jovem patriota, assiste do balcão.
Mas escutem, brasileiros, o silêncio não é eterno. Ele é o prelúdio do rugido. Maquiavel já dizia: “não ignorem ódio represado das massas”. Lembrem de 2013, quando o Brasil parou por 20 dias contra o PT; de 2018, quando 57 milhões disseram não ao lulismo. Hoje, 72% dos eleitores conservadores, segundo AtlasIntel de novembro de 2025, juram votar contra o sistema, mesmo que signifique o caos. O caminho foi longo sim, de bloqueios tímidos em 2019 a prisões em massa em 2023, normalizando o inaceitável até que a toga de juiz virasse símbolo do déspota.
Despertem! Em 2026, não escolham as marionetes, escolham o fogo. Rejeitem os representantes da “direita domesticada” pelo sistema. Exijam ministros para o STF eleitos, não vitalícios; redes livres, não vigiadas; pátria soberana, não submissa. Que o STF trema como tremeu o PT em 2016. Que tenhamos em 2026 uma gigantesca vitória de deputados e senadores conservadores, porque o Brasil não nasceu para ser submissa a quem não teve nenhum voto; nasceu para ter liberdade democrática.
Que o eco de um post apagado, de uma rua vazia, de um líder preso vire o trovão que abala Brasília. O povo é o juiz final, e quando julgar, que não perdoe, porque a liberdade não se implora de joelhos, ela se conquista de pé, com o peito aberto e a voz rouca de tanto gritar. Hoje é hora de rugir, hora de encontrar os destemidos patriotas, e cantar a parte do hino nacional que diz: “verás que um filho teu não foge à luta, nem teme, quem te adora, a própria morte”.
Gesiel de Souza Oliveira, Especialista em Direito Constitucional, Professor de Geopolítica Mundial, Escritor, Colunista e analista político.
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