Segurança Pública nas urnas: Como as sanções dos EUA contra o crime organizado no Brasil podem eleger a maior bancada da Direita da história.
Quando a máquina de poder americano finalmente decide agir, não negocia, não pede permissão e raramente se importa com narrativas convenientes que o alvo oferece como defesa. A administração Trump acaba de demonstrar isso de forma cristalina ao deflagrar operação de sanções financeiras contra PCC e Comando Vermelho, as duas maiores organizações criminosas do Brasil, e, mais importante, contra pessoas físicas e jurídicas brasileiras ligadas a esses grupos através de esquemas de lavagem de capitais.
O que parecia, meses atrás, ser apenas reação simbólica à classificação de PCC e CV como organizações terroristas transformou-se em ofensiva econômica concreta que promete complicar vida de centenas de brasileiros, paralisar operações de dezenas de empresas e, mais importante, expor ao mundo inteiro a realidade que o governo Lula desesperadamente tenta esconder: a penetração profunda do crime organizado em estruturas políticas e econômicas brasileiras, penetração que, na visão de Washington, conta com complacência, incompetência ou quem sabe até participação do governo.
O mecanismo da retaliação: OFAC e o poder financeiro americano
Para compreender a magnitude do que está acontecendo, é preciso entender exatamente o que o governo americano acionou. O Office of Foreign Assets Control (OFAC), agência subordinada ao Departamento do Tesouro americano, é talvez o instrumento mais poderoso de política externa que qualquer potência possui, porque opera não através de militares, mas através do acesso ao sistema financeiro global.
Quando OFAC designa uma pessoa, empresa ou organização para sua lista de sanções, o que acontece é devastador em suas consequências práticas: qualquer país, pessoa física ou jurídica, banco que tenha operação nos EUA, qualquer corporação que transacione em dólares americanos com quem está sancionado pelos EUA, qualquer instituição financeira que deseje manter acesso ao sistema financeiro internacional, pode ter suas contas ou negócios legalmente bloqueados, podendo ainda ter congelados seus ativos e ser obrigado a interromper transações envolvendo a pessoa ou empresa sancionada.
Em um mundo onde 88% de todas as transações internacionais são feitas em dólares, e onde praticamente todo grande banco do mundo tem operações nos EUA, estar na lista de sanções do OFAC é equivalente a ser economicamente isolado, não apenas dos EUA, mas do mundo inteiro.
O governo Trump, portanto, não apenas classificou PCC e CV como terroristas. Transformou-os em entidades economicamente intocáveis, incapazes de transacionar no mercado financeiros, ou de operar usando dólares, incapazes de movimentar dinheiro pelo sistema financeiro controlado mundialmente pelos EUA , receber transferências, fazer investimentos legítimos, e forçando todos aqueles que desejam fazer negócios com entidades sancionadas a fazer operações que são, elas mesmas, criminosas.
O Brasil como refém: Quando o governo protege criminosos
Aqui reside o nó da questão que constrange severamente Lula e seu governo. Washington não está simplesmente punindo criminosos. Está enviando mensagem inequívoca: “vocês, governo brasileiro, não estão fazendo o necessário para combater essas organizações, então nós, que não conseguimos tolerar ameaças transnacionais operando em nosso quintal geopolítico, vamos agir”. Esse é o recado direto de Trump!
As sanções americanas, na prática, funcionam como acusação tácita. Significam: se essas operações criminosas penetraram tão profundamente em estruturas econômicas que cidadãos americanos e brasileiros conseguem lavar dinheiro através de redes financeiras sofisticadas, e se o governo brasileiro não consegue (ou não quer) interromper essas operações, então nós vamos fazer.
Segundo relatórios de inteligência do governo americano que vazaram para imprensa, o PCC sozinho movimenta entre US$ 2 bilhões e US$ 4 bilhões por ano, cifra que rivaliza com orçamento de ministérios brasileiros. Essa quantidade massiva de dinheiro não simplesmente desaparece. É investida em ativos reais, empresas, propriedades, operações comerciais. E para fazer isso, precisa de intermediários políticos, de proteção institucional, de conivência tácita de autoridades.
Quando o governo americano sanciona brasileiros envolvidos em lavagem de capital de PCC e CV, está indiretamente documentando quem está protegendo esses grupos. Está criando registro oficial de que estas pessoas específicas, estas empresas específicas, estes setores específicos da economia brasileira, estão contaminados por crime organizado.
O efeito político doméstico: Quando Washington interfere nas eleições
Mas a dimensão que mais deveria preocupar Lula é como essas sanções se convertem em arma política doméstica. Em ano eleitoral, narrativa importa mais do que a realidade. E a narrativa que Washington está criando é corrosiva demais para o governo resistir.
"Os americanos sancionaram brasileiros porque acreditam que o governo Lula não está combatendo crime organizado." Essa narrativa é simples, é verdadeira em suas linhas gerais, e é politicamente destrutiva, especialmente em ano de eleições. E não há nenhuma nação que tenha argumentos e narrativas mais eficazes que a máquina americana de influenciar a opinião pública. Porque toda vez que alguém sancionado pelo OFAC é preso, toda vez que um bloqueio de conta congelada de ativos é revelado, toda vez que uma empresa brasileira é impedida de operar internacionalmente por estar vinculada ao crime organizado, o eleitor médio enxerga em seu subconsciente que há uma forte evidência de que Lula perdeu controle do crime no Brasil ou mesmo age de forma complacente.
Pesquisas recentes sobre intenção de voto mostram a segurança pública como segundo tema de maior preocupação de eleitores (atrás apenas de economia). Quando Trump sanciona brasileiros ligados a PCC e CV, está, indiretamente, colocando a segurança pública no topo deste debate eleitoral. E debate sobre segurança pública favorece candidatos de direita nessas eleições, que historicamente capturam voto contra o crime.
As sanções de Trump, portanto, não são apenas punição a criminosos e seus cúmplices. São interferências eleitorais diretas, sofisticadas e sutilmente arquitetadas, não apenas necessárias, mas inevitavelmente destrutivas contra a esquerda petista que historicamente é complacente com o crime.
As consequências: do financeiro ao diplomático
O impacto das sanções vai muito além do congelamento de contas individuais. Possui dimensão macroeconômica séria. Quando uma potência como EUA começa a processar brasileiros por lavagem de capitais ligada ao crime organizado, está sinalizando que o risco país está aumentado. Bancos internacionais ficam mais cautelosos em emprestar ao Brasil. Investidores estrangeiros, recalculam a exposição. O custo de capital para a economia brasileira sobe.
Além disso, há a dimensão diplomática. Sanções do OFAC contra brasileiros não são decisões administrativas menores, são ferramentas de política externa de peso equivalente a ação militar ou embargo comercial. Significa que a relação bilateral entrou em território de confrontação real. Significa que, do ponto de vista americano o Brasil não está sendo bom vizinho em questão que importa para segurança nacional americana (combate ao narcotráfico transnacional, financiamento de crime).
Lula pode reclamar, pode dizer que sanções violam soberania, pode até retaliar. Mas nenhuma retaliação do Brasil causa um décimo do dano que sanção americana pode causa ao sistema brasileiro. A assimetria de poder é absoluta.
Quando lei finalmente alcança criminosos
O que Trump está fazendo é exatamente aquilo que deveria ter sido feito há anos: usar a força do poder econômico real para combater o crime organizado que opera em jurisdição onde governo brasileiro é incapaz ou desinteressado em combatê-lo.
Acreditamos em um Estado forte que combata o crime de forma implacável. Se governo brasileiro não faz, é legítimo que um parceiro geopolítico maior assuma essa responsabilidade. Não é ideal, idealmente o governo próprio do Brasil teria capacidade e vontade de punir seus criminosos. Mas quando isso não acontece, a terceira parte tem direito de proteger seus próprios interesses, especialmente quando o crime organizado passa a adentrar nas fronteiras de outros países.
As sanções também revelam algo importante: nos EUA, não há "intocáveis". Pessoa poderosa, bem-conectada politicamente, que seja amiga de ministro ou ligada a partido político não consegue evitar sanções se estiver envolvida em lavagem de capitais. Lá o sistema funciona de verdade. Aqui no Brasil, frequentemente funciona ao contrário.
O preço da negligência
O governo Lula está sendo punido internacionalmente pelos crimes que não consegue (ou não quer) punir domesticamente. É uma lição áspera, mas necessária. Washington não está interessado em narrativas sobre "redução do desmatamento" ou "políticas sociais bem-sucedidas". Washington está interessado em segurança nacional americana, e crime organizado brasileiro que opera transnacionalmente é uma ameaça a essa segurança.
As sanções continuarão! Mais brasileiros serão designados. Mais empresas enfrentarão bloqueios financeiros. E cada designação será combustível inflamável em ano de eleição para a narrativa da oposição que dirá: "Lula perdeu o Brasil para o crime." O eleitor entenderá a mensagem. E em ano eleitoral, mensagem que toca em segurança é mensagem que se transforma em voto. Trump acabou de fazer a maior campanha eleitoral para a direita brasileira. E fez sem que ninguém percebesse o real propósito geopolítico.
Comentários
Postar um comentário