quinta-feira, 14 de março de 2019

De quem é a culpa pelo massacre na escola pública em Suzano? - Por Pr Gesiel Oliveira


A questão é bem mais complexa que imaginamos. Alguns podem acusar que a culpa é da falha na segurança pública, outros podem atribuir a culpa aos pais, outros ainda afirmam que a culpa é exclusiva dos assassinos, mas enfim, de quem é a culpa pelo acontecido em Suzano? De quem é a culpa por esta geração sem limites? Respondo: a culpa é de uma conjuntura de elementos, que somados historicamente, forma um caldeirão explosivo de consequências  imprevisíveis e inimagináveis que incluem tanto aspectos negativos exógenos como endógenos. Aspectos estes que foram ignorados ao longo do tempo e foram se acumulando debaixo do "tapete" da inércia e da omissão. Hoje os pais estão muito mais preocupado em suprir as necessidade materiais dos filhos, e os enchem de coisas fúteis como iPhone, tênis da Nike, Xbox, relógios caros, etc, só não os enchem de amor, de princípios e diálogo. Supervalorizam o TER em detrimento do SER e o resultado é um ser esvaziado de empatia, respeito, compreensão e sentimentos. Esses pais, pela comodidade e praticidade da vida moderna, comumente repassam essa responsabilidade aos professores, diretores, pastores, etc, e assim vão "empurrando" a criação de seus filhos com a "barriga", mas não ocupam o seu devido papel imprescindível e insubstituível nesta formação basilar de seus filhos. São pais que criam bloqueios de diálogo, constroem muros ao invés de pontes, e quando eles acreditam que estão construindo um grande edifício na vida dos seus filhos, ignoram que falharam na construção da base, deixaram de lado o alicerce que sustenta tudo o que vai se erguer a partir dali. A construção segue torta, com muitas falhas, mas os pais vão enchendo de "massa" as paredes para ocultar as rachaduras, vão cortando as lajotas tortas, vão repregando o telhado empenado, e a construção segue cheia de falhas. Por isso quando menos imaginam a construção toda vem abaixo. Mas isso nunca acontece do nada. Antes de qualquer construção demolir ela sempre dá sinais. Uma "rachadura" na relação, uma porta que não fecha, uma lágrima no quarto solitário, um silêncio demasiadamente prolongado, um olhar  mudo que pede socorro, a estrutura range por inteiro,  há sempre sinais que só quem está atento pode compreender. Mas mergulhados nas múltiplas atividades e correria do nosso dia a dia, muitos nem percebem, outros ignoram, outros "maqueiam" enchendo de massa as rachaduras, aí só resta esperar para assistir atônito o prédio ruir.

As armas utilizadas no massacre de Suzano são armas que saíram do mundo virtual para o real. São armas dos jogos violentos on line de desafios e tiros Free Fire, Pugb e FortNite. Uma machadinha inox, máscara balaclava de caveira, pistola e uma besta (arma medieval lançadora de flechas). É a hora de debatermos sobre o uso excessivo desses jogos violentos on line que estimulam a insanidade, morte, sangue e progressiva insensibilidade à dor e clemência.Os assassinos do massacre de Columbine, ocorrido em 20 de abril de 1999, na Columbine High School, o Estado de Colorado, nos EUA, eram também aficionados por jogos violentos de tiros e terror, como Doom, Wolfenstein 3D e Duke Nukem. Um dos assassinos, Eric Harris, chegou a produzir mapas para o jogo Doom. Não apenas o tipo de vestimenta (predominantemente preta), planejamento, armas e desfecho final (suicídio) são semelhantes, como o gosto por jogos violentos. 

Na casa dos assassinos de Suzano, a polícia encontrou dois cadernos com nomes de jogos de internet e táticas de jogos de combate, segundo o G1. A polícia  investiga se há algum tipo de ligação desses desafios propostos por esses jogos violentos com a  tragédia de Suzano, e por isso levou os computadores da casa e da lan house onde os assassinos jogavam para uma análise pericial. Evidente que nenhum hipótese pode ser descartada, e que não se pode analisar uma situação tão complexa com base em um só elemento como o vício dos assassinos em jogos de tiros violentos on line. Algumas outras questões não podem ser ignoradas como: bullying, sentimento de vingança, desestruturação familiar (mãe envolvida em drogas e morte da avó), superproteção dos pais, hábito de assistir filmes e séries violentas, ausência de acompanhamento e diálogo por parte dos responsáveis, envolvimento com drogas, etc. É um combinação explosiva que não é   incomum em muitos lares. Então vale estar atento e alerta, especialmente com a linguagem não falada e introspectiva de muitos adolescentes que reúnam aspectos similares.

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