Foto meramente ilustrativa Já se passavam 2 anos com o mesmo carro, se é que assim ele poderia ser chamado. Lembro que os dois paralamas da frente do fusca lembravam duas bochechas bem grandes. Certa vez meu pai pintou um dos paralamas dianteiros com a mesma tinta a óleo que pintou a porta da nossa casa. Eram tempos difíceis. Meu irmão mais velho colocou um rodão horroroso e a impressão que eu tinha, quando olhava o carro de frente, é que ele ficou “junteiro”. Além disso o rodão era empenado e fusca ganhou um "remelexo" insuportável. Certa vez lembro de ter acordado com aceleradas altíssimas do carro em frente de casa. Quando saí pra olhar eis que o motor estava todo fora do carro em cima da calçada e o mecânico, Seu Pará, acelerando sem parar coberto com uma nuvem tóxica de fumaça. Aquela cena marcou tanto a minha vida que eu disse pra mim mesmo: “quando eu crescer eu nunca quero ter um fusca na minha vida”. Nosso carro ganhou um apelido: "Luciano Pavarotti...