segunda-feira, 30 de julho de 2018

Aos 91 anos, falece o Pastor Antonio Gilberto


Morreu o pastor Antonio Gilberto da Silva, aos 91 anos, nesta segunda-feira (30), na cidade do Rio de Janeiro. O pastor era um dos maiores nomes da teologia pentecostal no Brasil. Ao longo de sua trajetória, ele se destacou como educador, jornalista, teólogo, autor de best-sellers e articulista. Além disso, também era uma referência na área de Escola Dominical e de Teologia Pentecostal no país.Ano passado, o pastor recebeu o título de Personalidade Teológica de 2017, como uma homenagem à sua contribuição à comunidade evangélica. A honraria foi oferecida pela Associação de Escolas Teológicas da América Latina (AETAL) e a condecoração aconteceu durante o Culto de Funcionários da Casa Publicadora das Assembleias de Deus (CPAD). A causa da morte não foi divulgada. 

terça-feira, 24 de julho de 2018

Expulsos de Recife - PE, 23 judeus ajudaram a fundar Nova York e o sistema financeiro americano

Nova Amsterdã, que depois passou a se chamar de Nova York 

Gesiel Oliveira

Você sabia que os 23 magos da economia americana eram judeus que vieram tentar se instalar em Recife no Brasil e foram expulsos daqui, e depois foram parar em Nova York, e lá se instalaram e fundaram as bases da economia americana? 

Durante o século XVII, o desejo de controlar as riquezas do novo mundo, as Américas, trouxe os holandeses até o nordeste brasileiro. Eles se estabeleceram em Recife em 1630 e por lá viveram por mais de duas décadas. Mas, obviamente, os portugueses não iriam desistir do território e conseguiram reocupá-lo em 1654 e expulsaram os invasores. Parte dos que viviam aqui tiveram que fugir para o norte, mais precisamente para o sul de onde hoje ficam os Estados Unidos. Lá eles fundaram um povoado, batizado de Nova Amsterdã, que depois  passou a se chamar  Nova York.

Na fuga do Brasil a caminho de Nova York, os judeus foram atacados por piratas na região do Caribe

Pois é, a tão badalada Nova York, destino de férias e muitos brasileiros, e sonho de moradia para tantos outros, só foi fundada porque os portugueses expulsaram os holandeses do Brasil. Essa história começou em 1630, quando os holandeses se instalaram em Recife e Olinda. Era a segunda investida deles no Brasil. A primeira tinha sido em Salvador, entre 1623 e 1624, mas foram expulsos.

Pois bem, os holandeses eram um povo protestante e quando se passaram a ter o controle de Recife, eles concederam a liberdade de culto aos cidadãos. Com isso os judeus puderam praticar os rituais da sua religião. Até uma sinagoga foi construída em Recife, a primeira do país, a sinagoga Kahal Zur Israel – a primeira da América Latina – e deixaram outros legados, como a Ponte Maurício de Nassau, construída pelo judeu Baltazar da Fonseca. Vale lembrar que o Brasil como colônia de Portugal, um país católico e, portanto, apenas essa religião era permitida por aqui. A igreja católica apoiou a reação de Portugal em 1654, quando aconteceu a Insurreição Pernambucana e os holandeses foram expulsos do Brasil.

A saga dos 23 judeus 

Com medo de serem presos ou mortos por causa da sua religião. Um grupo de 23 judeus foi para os Estados Unidos. Lá eles fundaram uma vila chamada de Nova Amsterdã, que depois se transformou em uma cidade e passou a se chamar Nova York.

Registros populacionais da prefeitura de Nova York comprovam que, no dia 12 de setembro de 1654, 23 judeus saídos de Recife em Pernambuco desembarcaram na cidade, até então conhecida por Nova Amsterdã. Entre eles, famílias com crianças, o que indica que alguns já eram nascidos em terras brasileiras.

Eles foram os primeiros imigrantes a realmente se perpetuarem na cidade – antes, Nova Amsterdã servia apenas de entreposto comercial e abrigava temporariamente comerciantes e navegadores. Os brasileiros fundaram também a primeira colônia judaica em solo americano.

Monumento em NY em homemgem aos imigrantes pioneiros

As provas dessa presença pioneira podem ser vistam no Cemitério dos Judeus, em Nova Iorque, que tem sepulturas com sobrenomes como Fonseca, Seixas, Gomes, Nunes, Cardozo, Castro e Bueno de Mesquita, e na sinagoga Shearith Israel onde há placas com referências a sobrenomes de brasileiros judeus, 
segundo informa Paulo Carneiro, autor da obra “Caminhos cruzados: a vitoriosa saga dos judeus do Recife no século XVII, da expulsão da Espanha à fundação de Nova York” - editora Autografia. 

Os 23 judeus pernambucanos que terminaram em Nova Amsterdã (hoje Nova York) foram fundamentais para fundação da maior cidade americana. 

A bênção era para o Brasil, mas os judeus holandês foram expulsos daqui  e levaram essa benção para o solo americano, onde se instalaram e em pouco tempo, intensificaram o comércio, as relações comerciais e financeiras e fundaram as bases da economia americana. Você já imaginou se eles permanesessem aqui? 

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Frida Vingren, a história omitida da primeira pastora.

Gesiel Oliveira

Frida Maria Strandberg Vingren nasceu 9 de junho de 1891, Själevad, Suécia, era de uma família de crentes luteranos. Formou-se em Enfermagem, chegando a ser chefe da enfermaria do hospital onde trabalhava.

Tornou-se membro da Igreja Filadélfia de Estocolmo, onde foi batizada nas águas pelo pastor Lewi Pethrus, em 24 de janeiro de 1917 (com 25 Anos). Pouco depois, recebeu o batismo no Espírito Santo e o dom de profecia. 



O chamado para a obra missionária sempre a impulsionou. Nessa época, surgiu na Suécia um movimento por missões, onde muitos jovens estavam imbuídos do desejo de ganhar almas para Cristo. Após comunicar ao pastor Pethrus que o Senhor a chamara para o campo missionário brasileiro, Frida ingressou em um renomado Instituto Bíblico na cidade de Götabro, província de Nerícia. O curso era frequentado por pessoas que já tinham o chamado para missões e por aqueles que tinham apenas vocação missionária. Frida veio para o Brasil no ano de 1917 (com 26 anos), enviada pela igreja sueca e obedecendo ao chamado de Deus.


Em uma das visitas de Gunnar Vingren à Suécia devido ao seu debilitado estado de saúde, ele conheceu Frida Strandberg, com quem travou forte amizade. Frida Strandberg casou-se com o pastor Gunnar Vingren (fundador da Assembleia de Deus no Brasil) em 16 de outubro de 1917 (com 26 anos) em Belém do Pará, numa cerimônia presidida pelo missionário Samuel Nystrom que depois se tornaria um de seus mais implacáveis críticos. Frida Strandberg agora passa a ser chamada Senhora Vingren ou Frida Vingren. O casal teve seis filhos: Ivar, Rubem, Margit, Astrid, Bertil e Gunvor.

Em Março de 1920 (com 28 Anos), a missionária Frida Vingren foi acometida de malária, sofrendo com terríveis ataques de febre. Durante dois meses e meio, a luta pela vida foi tamanha, a ponto de Gunnar Vingren, seu esposo, pedir que Deus a curasse ou a levasse para si. Nesse período, a igreja em Belém se colocou em oração e jejum, esperando de Deus um milagre, o que ocorreu em 3 de Junho de 1920. Depois de seu restabelecimento, ela enfrentou o problema de saúde do marido. A partir do final daquele ano, Gunnar Vingren começou a sofrer de esgotamento físico, em consequência da dedicação exclusiva ao trabalho do Senhor, e pelas vezes que também contraiu malária. Por esse motivo, o casal decidiu passar um período na Suécia. O retorno ao Pará ocorreu em fevereiro de 1923 (Frida neste ano estava com 30 anos).

FRIDA E SEU ESPOSO GUNNAR VINGREN

Depois de muitos anos no Pará, a família Vingren, nessa época com quatro filhos, decidiu ir para o Rio de Janeiro. A mesma vontade de ganhar almas para Cristo continuou e o casal alugou uma casa no bairro de São Cristóvão, na zona norte da cidade, onde inaugurou o primeiro salão de cultos da Assembleia de Deus no estado.

O Pastor Gunnar Vingren iniciava o culto na Igreja em São Cristóvão com um hino; todos cantavam; todos se levantavam; o Pastor Vingren anuncia o número de um hino para ser cantado pela Congregação. Uma senhora loira se aproxima do órgão, era a missionária Frida Vingren; um jovem empunha um violino e fica na posição de tocar, é o jovem Paulo Leivas Macalão, um senhor idoso tem nas mãos um trombone, é o irmão Balbino. Inicia-se o culto na direção do pastor Gunnar Vingren, que também traz a mensagem final da Palavra de Deus.

O primeiro "culto a céu aberto" no Rio de Janeiro realizou-se na Praça da República e foi dirigido por Paulo Leivas Macalão. A partir de então, outros cultos vieram a ser realizados na Estação da Central, Praça Onze, Praça da Bandeira e Largo da Lapa, sob a direção da missionária Frida Vingren.

Valéria Cristina Vilhena, em sua tese de doutorado apresentada em 2016, intitulada: "Um olhar de gênero sobre a trajetória de vida de Frida Maria Strandberg (1891-1940)" na Universidade Presbiteriana Mackenzie afirma que quando a família Vingren, em 1924, sai da igreja-mãe em Belém do Pará para continuar a igreja no Rio de Janeiro, deixando Samuel Nyström em seu lugar, encontra ali um jovem, Paulo Leivas Macalão, que será o segundo batizado da igreja carioca, o primeiro secretário, um ativo obreiro evangelizador e pastor consagrado em 1930, ainda solteiro e com 27 anos. Vingren lidera a Igreja da Missão no bairro de São Cristóvão, e Macalão, a “Igreja de Madureira”. O binômio, Missão-Madureira, prolifera por todo o país. Mas, como esclarece o sociólogo Gedeon: 

"Macalão vem de uma família rica, de tradição militar, portanto nacionalista. O governo de Getúlio e o tenentismo são um substrato conceitual importante na sua formação. Ele não aceitou se submeter à liderança de um jovem sueco – ou mais grave - e/ ou uma mulher. (ALENCAR, 2013 p. 177.) No Rio de Janeiro, a família Vingren viveu de maneira modesta, como a maioria das famílias da igreja. Frida informou certa ocasião aos irmãos suecos que muitas mulheres brasileiras que pregavam foram despejadas de suas casas, e Norell (2011) avaliza que foi Frida quem fez de Emília Costa a primeira diaconisa da denominação. Durante um período, o trabalho social foi prioridade. A igreja na Suécia enviava roupas e dinheiro e os missionários iniciaram um orfanato e ensinavam as crianças a ler e escrever, por iniciativa de Frida."

FRIDA INCOMODOU PASTORES BRASILEIROS POR SER MULHER, INTELIGENTE, UNGIDA E DEDICADA

A missionária Frida Vingren continuou desenvolvendo atividades evangelísticas e abrindo frentes de trabalho em muitos lugares. A obra social da igreja, bem como grupos de oração e de visitas, ficou sob a responsabilidade da missionária. O dom de ensinar podia ser visto nas classes de Escola Dominical. Além disso ela fazia visitas ao presídio e leprosários, e lá ensinava e pregava o evangelho. 

Na abertura dos cultos, fazia a leitura bíblica inicial e, quando o marido se ausentava em visita ao campo, era irmã Frida quem o substituía pregando e dirigindo os trabalhos. Ela gostava de ministrar estudos bíblicos.

O desprendimento da missionária e sua forte atuação na obra de Deus, muitas vezes foi motivo de crítica por parte de alguns. Mas, mesmo assim, ela nunca se limitou a desempenhar a função que o Senhor havia colocado em seu coração. Foi dirigente oficial dos cultos realizados aos domingos na Casa de Detenção no Rio de Janeiro e, pela facilidade que tinha para se expressar, pregava em todos os pontos de pregação da Assembleia de Deus no Rio de Janeiro, em praças e jardins. Os cultos ao ar livre promovidos no Largo da Lapa, na Praça da Bandeira, na Praça Onze e na Estação Central eram dirigidos pela irmã Frida.

ESPOSA DEDICADA

MÃE AMOROSA

Pela facilidade que tinha com a palavra escrita, Frida Vingren destacou-se entre os mais importantes colaboradores do jornal Boa Semente, O Som Alegre e Mensageiro da Paz (que substituiu os dois primeiros a partir de 1930). Ela escrevia e traduzia mensagens evangelísticas, doutrinárias e de exortação. Foi também comentarista das Lições Bíblicas de Escola Dominical na década de 30. Além de escrever, Frida Vingren sempre se dedicou à música. Cantava, tocava órgão, violão e compunha hinos de grande valor espiritual. Dotada de muitos dons, virtudes, mãe de seis filhos, esposa de missionário, atuando como redator a de jornal, além de substituir o esposo na administração da igreja quando este estava doente ou precisava viajar, Frida Vingren, ainda encontrava inspiração para compor letras de expressavam todo seu amor por Deus. A prova disto estão não 23 canções publicadas na Harpa Cristã (Hinário Oficial de Assembleia de Deus). Veja a lista com o número de identificação e o título de cada música:
Hino 28- Deus aí te guiar
Hino 59- Eu creio, sim
Hino 85- Deixa entrar o Espírito Santo
Hino 97- Há um caminho Santo
Hino 121- Maravilhoso é Jesus
Hino 126 - Bem-aventurança do crente
Hino 158 - Que farás de Jesus Cristo
Hino 177- Salvo estou 
Hino 196- Uma flor Gloriosa
Hino 246- O descanso em Jesus
Hino 255- Meu redentor
Hino 316 - Em busca de Sião
Hino 320- Seguir a Cristo
Hino 361- O peregrino e a Glória
Hino 379- Salvo de graça
Hino 390 - Um coração bondoso
Hino 391- Jesus no monte da ascensão
Hino 394- A mão no arado
Hino 397- O Salvador me achou
Hino 445- Resgatado com sangue de Cristo


FRIDA VISITAVA CONSTATEMENTE DOENTES, PRESIDIÁRIOS E LEPROSÁRIOS

O trabalho em São Cristóvão no RJ começou a  crescer rapidamente. A situação de saúde frágil de Gunnar Vingren  fez com que Frida Vingren passasse cada vez mais a assumir a direção dos ensinamentos, cultos, etc. Em uma sociedade patriarcal e predominantemente masculina, Frida contrariou o status quo e começou a ser um incômodo. Ela logo viraria alvo de forte resistência por parte dos pastores brasileiros. 

Frida teve a ideia de criar um hinário, contendo cerca de vinte e três hinos com as suas iniciais, alguns hinos de sua autoria e outros de sua tradução, foi outro ponto controverso entre Frida e o Pr  Samuel Nyström. Frida e Vingren começaram a organizar, no Rio de Janeiro, um novo livro de música com noventa músicas selecionadas e mais cento e dez recém-escritas, a ideia era publicá-las em pelo menos quatro mil exemplares. Quando estava tudo quase pronto, o pastor Pethrus da Suécia escreve pedindo para que não fosse publicado o novo hinário. Nyström havia escrito para Pethrus, contando desse novo hinário além do novo jornal. Mais tarde, ao assumir a administração do hinário único das Assembleias de Deus, Nyström o faz como se fosse resultado somente de seu trabalho, quando foi, sobretudo, um trabalho de tradução de Frida. Nyström escrevia para o líder pentecostal sueco e solicitava sua intervenção – e essa era uma das formas de atuar para impedir ou dificultar os trabalhos de Frida.

Frida, sua vida e ministério tem sido alvo de muitas discussões, principalmente através dos estudos do sociólogo Gedeon Alencar, autor da obra Matriz Pentecostal Brasileira: Assembleias de Deus, 1911-2011, e que foi um dos primeiros a redescobrir a história de Frida, no início dos anos 2000.

Ele destaca não só a atuação da esposa de Gunnar, mas o quanto ela foi vítima do machismo sueco-nordestino, o qual calou a pioneira, e fez que Gunnar Vingren, o mítico pioneiro das ADs, fosse voto vencido na disposição de apoiar o ministério feminino dentro da denominação. Para o sociólogo, a derrota do casal Vingren na primeira convenção da CGADB em 05 a 10 de setembro de 1930, foi também a derrota de um modelo de igreja desejado pelos missionários Daniel Berg e Gunnar Vingren, onde homens e mulheres pudessem estar em pé de igualdade, e onde poderiam desenvolver seus ministérios.

Ao contrário disso, se consolidou o predomínio masculino no ministério, sendo reservado as mulheres um papel secundário dentro de uma igreja de maioria feminina, a qual, mesmo dependente do seu trabalho, não lhes oferece espaço em suas instâncias de poder. Situação essa que ainda hoje perdura dentro das ADs.

Além disso, surge agora mais detalhes que evidenciam que houve sim um conluio de alguns pastores da nascente convenção da Assembleia de Deus surgida em Natal , no sentido de “enquadrar” Frida, proibir expressamente a possibilidade de consagração de pastoras e com isso forçar Frida a retornar à Suécia. Aliado a isso Samuel Nystrom, pastor em Belém do Pará, escrevia cartas constantemente ao Pr Lewi Pethrus, presidente da Igreja na Suécia e pastor que enviou Frida, no sentido de criticar as ações de Frida como mulher, atuando como pastora, com o intuito de forçá-la a sair do Brasil. Frida escrevia artigos em seu pequeno jornal falando sobre a importância do Ministério feminino. Isso incomodava ainda mais as lideranças brasileiras. Ela resistia de todas as formas. Mas sucumbiu diante de uma difamação que foi levantada contra ela, segundo o qual ela teria se relacionado com um jovem. Tudo milimetricamente e maliciosamente preparado contra ela, com o único fito de fazer desmoronar a imagem de Frida no Brasil, segundo relatos de membros da própria igreja que sabiam da artimanha. O jovem sequer foi disciplinando ou punido, e continuou envolvido normalmente com a igreja. O pretexto estava pronto para expulsar Frida. 

Pr Lewi Pethrus

Depois da morte de sua filha no Brasil e com a morte do esposo Missionário Gunnar Vingren, Frida passou a sofrer e emagrecer progressivamente, pelo que tudo indica por conta de hipertireoidismo . Ainda fragilizada, encontrou forças para tentar voltar ao Brasil em um último esforço para limpar a sua imagem maculada numa trama que foi corroborada pela convenção de 05 a 10 de setembro de 1930 em Natal/RN.

Mas o Pr Lewi Pethrus mandou deter Frida Vingren já na estação de trem de Estocolmo a caminho de Lisboa para embarcar para o Brasil, quando ela já muito magra e doente, tentando  voltar para o Brasil para limpar seu nome, e contar a verdade, ela foi presa e já saiu com uma camisa de força em direção ao hospital psiquiátrico. A igreja da Suécia foi insuflada por alguns pastores brasileiros  que escreviam constantemente cartas ao Pr Lewis maculando a imagem de Frida por medo de sua liderança. 


Veja como  Gedeon Freire de Alencar descreve esse incidente em seu livro 'Matriz Pentecostal Brasileira. Assembleias de Deus - 1911-2011', publicado em 2013:


'Frida viveu quinze anos no Brasil e seus últimos oito anos na Suécia, viúva com cinco filhos (teve seis, mas uma menina morreu no Brasil, onde foi enterrada). Deixa o Rio e Belém, onde ela e as crianças estão acostumadas com o clima tropical, e vai morar na fria Suécia. No mundo, a Segunda Guerra Mundial; na vida particular, Frida vive uma guerra com a Igreja Filadélfia e mais particularmente com Pethrus (Norell, 2011; 289-299). Depois da morte do marido o que ela faria na Suécia? Tentou voltar para o Brasil, mas a Igreja Filadélfia não permitiu; tentou ir a Portugal, onde ocorreu o mesmo (Norell, 2011, 208-9). Por fim, decidiu voltar por conta própria, mas quando estava na plataforma do trem com as crianças, um grupo da igreja a impediu (Norell, 2011:322). Foi levada à delegacia e de lá internada compulsoriamente no Hospital Psiquiátrico de Konradsberg, em Estocolmo, no dia 25 de dezembro de 1934. Viveu os próximos seis anos, com graves alucinações, vindo a falecer em setembro de 1940. Norell (2011), a partir da documentação do hospital, informa sobre alguns distúrbios mentais e alucinações persecutórias que Frida vive em seus últimos dias. [...] Considerando que uma viúva que lhe fora tomados os filhos, hospitalizada compulsoriamente, abandonada e destituída de seus ministérios, vendo sua vida findando sem nenhuma perspectiva tanto na Suécia como no Brasil, enlouqueça. Era “louca” antes de ser hospitalizada ou se tornou “louca” posteriormente? As ADs elegeram seus santos, mas falta assumir que têm uma mártir. Feita não por inimigos da igreja, mas por ela própria'.

Por ordem da igreja suéca, Frida foi detida quando tentava retornar ao Brasil levada à delegacia e de lá internada compulsoriamente no Hospital Psiquiátrico de Konradsberg. Imagem meramente ilustrativa


Lewis mandou também tirar a guarda dos filhos, sob a acusação de que Frida estava louca. Além disso mandou doar todos os seus pertences. Foi o fim da picada para a Frida. A família afirma que Frida repetia constantemente até o fim de sua vida naquele hospício a seguinte frase: "Eles mentem, eu sempre fui fiel ao meu marido". Ela morreu neste hospício, louca, em Estocolmo aos 49 anos, no dia 30 de setembro de 1940, na Suécia, repetindo isso a todo momento. 

Quem se defende de uma difamação? É o argumento mais cruel, infame e desprezível que se pode utilizar para desconstruir a história de alguém que labutou a vida inteira em prol da obra. E o pior, ficou apenas na base do "disse-me-disse", nada foi apurado, nenhum prova foi juntada, nem mesmo testemunhal. O estrago já estava feito! O objetivo já havia sido alcançado: expulsá-la do Brasil. E conseguiram mais, ela ficou louca, sem os filhos e morreu magra, deprimida e com gravíssimos distúrbios. 

As informações caíram como uma bomba essa semana por conta de uma matéria publicada ontem (22/07) pela jornalista Camilla Veras Mota da BBC News Brasil em São Paulo, baseada em informações de Kajsa Norell, jornalista sueca autora da obra 'Halleljua Brasilien!', lançado em 2011, que conta a história do surgimento da Assembleia de Deus no Brasil. Essa matéria reacendeu o debate sobre a impossibilidade de consagração de mulheres na maior convenção da Assembleia de Deus no Brasil e sobre a maneira como esta instituição omitiu e ocultou essa história por tanto tempo. 



Fontes:

ALENCAR, Gedeon Freire de. Assembleias Brasileiras de Deus: Teorização, História e Tipologia- 1911-2011. Pontifícia Universidade Católica: São Paulo.

ARAÚJO, Isael de. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.

DANIEL, Silas. História da Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.

NORELL, Kajsa. Halleluja Brasilien! Em resa till knarkgängens, favelas ochden helige andens land. Stockholm: Ed. Bladh by Bladh, 2011

MORAES, Isael Araujo de. Frida Vingren: uma biografia da mulher de Deus, esposa de Gunnar Vingren, pioneiro das Assembleias de Deus no Brasil. Rio de Janeiro: CPAD, 2014.

VILHENA, Valéria Cristina. Um olhar de gênero sobre a trajetória de vida de Frida Maria Strandberg (1891-1940), Universidade Presbiteriana Mackenzie, Pós Graduação em Educação, Arte e História da Cultura, Tese de Doutoramento em Educação, Arte e História da Cultura, 2016.


MOTA, Camilla Veras. A missionária sueca perseguida no Brasil, internada em hospício e 'esquecida' pela História, BBC News Brasil em São Paulo, 22 jul. 2018 <https://www.bbc.com/portuguese/geral-44731827>

quinta-feira, 12 de julho de 2018

As 10 melhores pequenas cidades do Brasil para se viver

Com base em dados do IBGE e do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), listamos os melhores municípios do país com menos de 100 mil habitantes
De acordo com os dados do IBGE e do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), listamos as 10 melhores cidades pequenas do Brasil para se viver. Elas se destacam como cidades que têm menos de 100 mil habitantes e estão no topo do ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que vai de zero a 1,0. O IDH é medido em todo o mundo pela ONU com base em indicadores de educação, renda e expectativa de vida. No Brasil, o levantamento ocorre a cada dez anos e é feito em parceria com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Os dados mais recentes, empregados para a elaboração deste ranking, são de 2010. Já a taxa populacional é fruto de estimativas atualizadas do IBGE com base no censo de 2010.
Foto: divulgação
1º) Águas de São Pedro (SP) – Esse é o lugar para quem procura uma vida muito sossegada. Com 2.700 habitantes, o munícipio é o menos populoso dentre as 50 cidades brasileiras que estão no topo do ranking do IDH. Nessa lista de desenvolvimento humano que compara as mais de 5 mil cidades brasileiras, Águas de São Pedro está em segundo lugar, com 0,854 de IDH. Como uma das estâncias hidrominerais do estado de São Paulo, a cidade que fica a 187 quilômetros da capital, apoia sua economia no turismo.
Foto: Wikimedia Commons
2º) Joaçaba (SC) – É considerada a capital do Vale do Rio do Peixe, no oeste catarinense. A maior parte da população de 28 mil habitantes tem origem nos migrantes gaúchos, principalmente da região de Caxias do Sul, de origem italiana e alemã, que, de posse de pequenas glebas de terra, deram os primeiros passos na produção agrícola. A economia da cidade baseia-se também em indústrias do setor metal-mecânico. Joaçaba está entre as dez primeiras cidades do ranking nacional com IDH de 0,827.
Foto: divulgação
3º) Vinhedo (SP) – Educação é a política pública de destaque em Vinhedo, cidade da região de Campinas que fica a 75 quilômetros da capital paulista, tem 71 mil habitantes e IDH de 0,817. Ano passado, Vinhedo recebeu o selo de cidade livre do analfabetismo e ganhou reconhecimento da mídia por seu método de ensino municipal. A cidade viveu o ciclo de café, mas hoje é conhecida pela produção de uva. Os condomínios de alto padrão fortaleceram o comércio e os serviços, como o parque de diversões Hopi Hari.
Foto: Prefeitura de Nova Lima
4º) Nova Lima (MG) – Localizada na região metropolitana de Belo Horizonte, a cidade tem IDH de 0,813 e 88 mil habitantes. Nos últimos anos, se consolidou como uma cidade de condomínios de alto padrão procurados por quem trabalha em BH e quer um lugar mais tranquilo para viver. Embora o grande símbolo do esporte seja o futebol do Villa Nova Atlético Clube, a cidade se rendeu ao rugby, talvez por inspiração dos antigos imigrantes ingleses, com o Nova Lima Rugby Club, o time dos “leões da montanha”.
Foto: Prefeitura de Ilha Solteira
5º) Ilha Solteira (SP) – Localizada no noroeste paulista, a quase 700 quilômetros da capital paulista, Ilha Solteira é uma estância turística nascida de forma planejada no fim dos anos 60 para abrigar os trabalhadores da Hidrelétrica de Ilha Solteira, instalada pela CESP no Rio Paraná. Por isso, seu padrão de urbanização é bastante elevado, com atendimento universal de energia elétrica, água e saneamento básico para seus 26 mil habitantes. O IDH de Ilha Solteira é de 0,812. Os destaques de sua economia são a indústria e a pecuária.
Foto: Wikimedia Commons
6º) Rio Fortuna (SC) – Com IDH de 0,806 e apenas 4.400 habitantes, Rio Fortuna é pacata, mas está próxima do movimento dos balneários catarinenses de Laguna, Imbituba e Garopaba, além de estar a apenas 125 quilômetros da capital, Florianópolis. A cidade, que integra a região metropolitana de Tubarão, tem sua formação ligada à agropecuária familiar adotada pelos colonizadores alemães. Mais recentemente, a cidade tem se apoiado economicamente também na piscicultura.
Foto: Divulgação
7º) Rio do Sul (SC) – A cidade de 66 mil habitantes, localizada no vale do Itajaí, está a meio caminho entre Joinville e Florianópolis, ambas a cerca de 180 quilômetros. Como muitas vizinhas, Rio do Sul guarda a herança germânica da colonização na cultura e na culinária. As escolas modelo municipais, de ensino integral, contribuem para o IDH de 0,802. Na economia destacam-se os setores têxtil, metal-mecânico, eletrônico e agropecuário. Há, contudo, um problema cíclico que tira o sono dos riosulenses: as cheias do Rio Itajaí-Açu.
Foto: divulgação
8º) São Miguel do Oeste (SC) – Mais de 650 quilômetros separam a cidade do extremo oeste da capital catarinense, Florianópolis. São Miguel, com IDH de 0,801, foi fundada em 1954, mas tem raízes nas migrações de gaúchos atraídos pela extração de madeira nos anos 20. Embora tenha 39 mil habitantes, a cidade integra uma região com 200 municípios, entre eles Chapecó, que juntos somam 2 milhões de habitantes. Seu parque industrial é formado por empresas dos ramos metal-mecânico, de transportes, móveis e softwares.
Foto: Academia da Força Aérea Brasileira
9º) Pirassununga (SP) – O fenômeno da piracema no Rio Mojiguaçu, que os tupis descreviam como “peixes barulhentos”, deu nome à cidade. Hoje, no entanto, é a forte presença de estudantes entre os 74 mil habitantes que movimenta Pirassununga. Além de um câmpus da USP, fica lá a Academia da Força Aérea Brasileira. A cidade, localizada a 206 quilômetros de São Paulo, na próspera região de Campinas, conta também com mais de 100 indústrias, entre elas a que produz a famosa cachaça 51. Seu IDH é de 0,801.
Foto: divulgação
10º) Concórdia (SC) – Com IDH de 0,800 e 72 mil habitantes, Concórdia, a 450 quilômetros de Florianópolis, é terceira maior cidade do oeste catarinense e lidera a produção nacional de suínos e aves. Não por acaso, ali nasceu a Sadia. A maior bacia leiteira de Santa Catarina e o Centro Nacional de Pesquisa de Suínos e Aves também estão em Concórdia. Em 2014, o município obteve o primeiro lugar estadual no índice Firjan de qualidade de vida, que leva em conta indicadores de educação, saúde, emprego e renda.







Angélica Favretto