terça-feira, 31 de janeiro de 2017

O pequeno aventureiro serrano - Por Gesiel Oliveira

Eu e meu irmão Anderson Oliveira no Rio Pedra Preta
No ano de 1986 quando eu tinha apenas 8 anos de idade, pela primeira vez fui a um cinema em Serra do Navio. Era a estreia do filme ‘O Incrível Hulk’ nas telonas. Por uma semana fiquei assustado e tendo pesadelos com aquela criatura verde. Eu saia correndo da sessão das 14h e ia direto com meus amigos em busca de mais uma aventura naquela cidadezinha tão pacata. Era um menino gordinho sapeca que costumava descer a montanha entre uma densa vegetação de grande porte, em uma encosta de montanha, para ir tomar banho com meus amiguinhos lá no Rio Pedra Preta, pertinho dali. Não existia telefone celular, e nosso maior compromisso era estar em casa até às 18:00h. Claro que era a minha única regra inquebrável. Quando eu não estava escalando montanhas, estava na piscina pública da vila primária ou tomando banho no Rio Pedra Preta. Eu gostava de atravessar de canoa para o outro lado do rio onde tinha uma linda cachoeira. Minha mãe teria um treco se soubesse como eu gostava de atravessar aquele rio na canoa dos moradores daquela pacata vila ribeirinha, às vezes eu mesmo remava sozinho. E como bom explorador, sempre escalava aquela cachoeira do outro lado do rio até chegar lá em cima, onde tinha um olho d’água de onde descia aquela límpida água. Ali eu tinha uma visão panorâmica espetacular de todo o vale. Respirava aquele ar puro e me sentia como se estivesse no topo do Everest, mesmo tendo subido apenas uns poucos metros. Volta e meia, quando estávamos no meio do trajeto de ida ou de volta, nos encontrávamos com a patrulha da ICOMI, que impunha as regras na vila àquela época. Corríamos pra dentro do mato e permanecíamos imóveis até eles passassem. Haviam relatos de que haviam onças naquela região, mas isso nunca nos amedrontou, nunca conheci ninguém que tivesse sido atacado por uma delas, e isso acaba por ter o efeito contrário sobre mim, pois me instigava a ir mais longe. Eu era movido a adrenalina. Outro desafio era chegar próximo à área da mina, sempre muito bem vigiada. Se eu fosse pego pelos patrulheiros era capaz do meu pai ser expulso da vila. Meu pai nessa época trabalhava nos correios, e estava sempre muito ocupado. Mesmo porque eu fazia parte de uma família de seis irmãos e mais quatro adotivos. As regras da firma eram inflexíveis, e eu já tinha um histórico de peraltices. Não cheguei a ser um “pestinha”, na verdade era muito mais curioso. E era essa curiosidade que me fazia sentir um explorador. Queria saber para onde iam aqueles caminhões de pneus tão gigantes, o que eles carregavam, para que serviam, como trabalhavam, queria saber o que tinha além dos limites daquela pequena vila, se eram verdadeiras as “estórias” que a minha mãe me contava que haviam gigantes de um olho só que viviam além das montanhas, e que por isso, eu não deveria ir lá, eram tantas perguntas para as quais eu não tinha resposta. Eu acreditava tanto nessas “estórias” que tenho a lembrança de ter subido na árvore mais alta dessa vila só para tentar ver esses monstros gigantes. De longe vi algo muito grande, e logo meu irmão mais velho e parceiro dessas aventuras, me garantiu que eram eles. Estremeci! Também diziam que embaixo das casas da vila de Serra do Navio havia muito ouro. E dessa forma, certa vez meu pai teve de reformar o piso da área de serviço de trás de casa, de tanto que cavei fundo procurando ouro. As telhas das casas padronizadas ao estilo arquitetônico americano, eram bem grossas. Lembro-me de correr por cima do telhado da nossa casa. Minha mãe era uma guerreira. Ela tentava me pegar e eu corria pro outro lado da casa por cima do telhado. E quando não tinha jeito, e eu percebia que ela ia me alcançar, eu descia por um açaizeiro que ficava ao lado de casa. Era uma espécie de saída rápida para situações urgentes, tipo aquele tubo inoxidável por onde descem os bombeiros na hora que toca a sirene de emergência. Estive nesse mesmo lugar recentemente, e com muita nostalgia relembrei de tudo, vendo o que sobrou, e como muitos desses lugares estão caindo aos pedaços, maltratados e cobertos pelo mato. Meu coração apertou. Vi o pequeno Club do Manganês em frente a praça, com o telhado todo caído e destruído pelo tempo, onde acontecia a tradicional festa da mina e a festa das flores. Meus olhos marejaram de tantas lembranças. Rever alguns desses lugares, onde passei parte da minha infância, pra mim teve o mesmo efeito que entrar em uma máquina do tempo . Senti reavivar no meu coração a boa sensação nostálgica daquele meu mundo encantado. Só quem viveu naquele lugar sabe do que estou falando. Sabe que esse mundo não foi destruído totalmente pelo tempo, mas continua vivo, basta fechar os olhos e abrir a mente que ele reaparece.

Lei da semeadura e da colheita - Pr Gesiel Oliveira

Estava pensando sozinho aqui sobre a prisão do Eike Batista. A que ponto chegou o ex-bilionário, homem que chegou a ser considerado o sétimo homem mais rico do planeta. Sua fortuna, fama, dinheiro e poder não impediram a sua prisão, e seu envio a uma cela pequena, fétida e comum, por não ter nível superior. E de acordo com as regras internas do presídio, o interno deve primeiramente ter a sua cabeça raspada, para evitar proliferação de piolhos devido a superlotação do presídio. Veio-me logo à mente os princípios bíblicos ensinados pela vovó, e que continuam tendo valor e aplicação universais: “ensina a criança no caminho em que deve andar e mesmo quando envelhecer não se esquecerá dele” Pv 22.6. Se faltar princípios, vai faltar honestidade. Se faltar honestidade vai sobrar pecado, crime e corrupção. Tudo que vem rápido, rápido vai embora. Tudo que a ganância trás, a justiça cedo ou tarde, vai se encarregar de recuperar. Nada há melhor que encostar a cabeça no travesseiro e ter um sono tranquilo. A Bíblia nos fala sobre a lei da semeadura e da colheita, e ela rege tudo o que fazemos em nossa vida. O conceito bíblico de semear e colher se refere às consequências de nossos atos, pois “o que semear a perversidade colherá males” (Provérbios 22.8) e “o que semeia justiça recebe galardão seguro” (Provérbios 11.18). O que temos semeado? Essa é a pergunta que devemos nos fazer. Há muitos nesse momento apontando o dedo e rindo do ex-bilionário que empobreceu e foi preso, mas em escala menor estão fazendo o mesmo quando adulteram o imposto de renda, deixam de devolver o troco que foi dado errado, tentam tirar proveito nas mais insignificantes situações, trapaceiam, omitem, enganam, mentem e ao final de tudo acreditam que podem colocar a capa de “juízes” para apontar o erro no próximo, julgá-los e condená-los. Longe de mim estar fazendo apologia ou defesa de corrupto, ou corruptor, quero apenas com esses breves apontamentos, trazer à baila uma reflexão sobre o nosso proceder. O que muitos de nós faríamos se tivéssemos as mesmas oportunidades que o Eike teve?

Tive fome, e me deste de comer; tive sede, e me deste de beber - Pr Gesiel Oliveira

Hoje meus 3 filhinhos experimentaram pela primeira vez a boa sensação de ajudar uma pessoas desconhecida e desamparada. Estávamos em um restaurante hoje à noite, eu, minha esposa e meus três filhos. O mais velho de 13 anos, Gabriel, já havia comido alguma coisa antes de sairmos de casa e já estava sem apetite. O do meio, o Miguel, de 9 anos, estava, como sempre, com seu livro lendo, e a menor, a Larissa, de 6 anos, estava conversando e contanto tudo o que havia acontecido na sua escola hoje. Foi uma noite com uma temperatura amena, clima legal e agradável em família. Estávamos dando risadas, e eis que surge uma senhora, com visíveis problemas mentais, com fissura de lábio leporino, com roupas surradas, e se aproximou de nós, e ficou nos olhando. A primeira impressão que eu tive foi que ela iria pedir dinheiro ou vender alguma coisa. Mas ela nos olhou com um olhar diferente. Ela simplesmente nos pediu comida. Era um pedido irrecusável. Ela disse que estava com muita fome. E seus olhos deixavam evidente isso. Imediatamente minha filhinha Larissa a convidou para sentar conosco na nossa mesa, e em seguida lhe deu um copo de refrigerante. O Gabriel, logo lhe ofereceu todo o seu intacto prato de comida. Uma atmosfera de silêncio e empatia tomou conta de nós naquele momento. Meu filho Miguel perguntou a mim se eu tinha alguma quantia em dinheiro para dar a ela. E ele mesmo deu. De repente toda minha família estava comovida e olhando pra ela comer aquele prato com tanta vontade. Mandei pedir mais um prato completo e ofereci àquela sofrida e desamparada senhora. Ela se engasgava enquanto nos agradecia com a boca cheia de comida. Os olhinhos da minha filhinha marejaram em lágrimas diante daquela cena. Talvez fosse a única refeição que ela tivesse feito hoje. Meus filhinhos voltaram sorrindo ao carro de retorno para nossa casa, alegres e com os seus corações cheios do verdadeiro sentimento de fraternidade. Foi tão pouco o que fizemos por aquela mulher, mas como um beija-flor, que enche seu pequeno bico de água lá no rio e volta para jogar sobre um incêndio tentando ajudar, fizemos a nossa parte naquele momento, com o que estava ao nosso alcance. Sei que a vida ainda guarda muitas lições para os meus filhos, mas a lição hoje foi aprendida. E tenho certeza será guardada em seus pequenos corações para sempre, a ordenança de Jesus Cristo estampada em Mc 12.31 “Amar o próximo como a ti mesmo”; “Porque tive fome, e me deste de comer; tive sede, e me deste de beber” Mt 25:35.

domingo, 29 de janeiro de 2017

Ele não me abandona sozinho no caminho - Pr Gesiel Oliveira


Manhã silenciosa, fria e chuvosa. Acordo, mas não levanto, relembrando e refazendo as minhas pegadas para entender como cheguei até aqui. Aí entendo o quanto Deus me ama. Nos reveses da vida, chego a pensar em desistir, mas a força que vem dentro de mim se encontra com a esperança e a fé que vem de fora, que está depositada em um Deus vivo. As lembranças ruins me puxam para trás e tentam ofuscar o que está adiante. Eu não sei o que me aguarda lá adiante, mas não vou parar até descobrir. A incredulidade tenta sufocar a minha convicção. O choro quer encharcar o meu sorriso. Há uma luta travada dentro de mim, e certamente sobreviverá aquele sentimento que for mais alimentado. As nuvens escuras, os trovões e os ventos tentam me intimidar, mas de tanto pegar chuva, aprendi a não ter medo de tempestade. O tempo passa, ele não me espera. Não é esperando parado que o problema vai ser resolvido. Não há tempo para parar à beira do caminho para chorar e lamentar. Minhas pisadas são regadas pelas lagrimas, não compartilho minha dor, ninguém é capaz de me dar a mão. Mas as muitas lágrimas não secam a minha alma, pelo contrário, regam as sementes dos meus sonhos. E caminhando. cambaleante, muitas vezes até sem forças, com poeiras da jornada no rosto, misturada às lágrimas e soluços solitários, prossigo! Quem disse que é fácil? Quem disse que meu sorriso é motivado pelas conquistas? Meu sorriso é, e sempre foi, motivado pela esperança. Há momentos em que nossos projetos começam a desmoronar como castelo de areia. Nessas horas, quando tenho a sensação de estar sozinho, é que o Senhor Jesus Cristo está comigo, me ensinando com seu silêncio, me observando, ouvindo cada reação, cada súplica, vendo cada lágrima, cada passo, mas Ele não está indiferente ao meu pedido. Eu posso sentir sua presença ao meu lado, e é essa companhia que me basta. Eu sei que Ele vai agir no momento certo! Sei que tenho apenas que esperar, orando e crendo enquanto continuo na minha jornada.

sábado, 28 de janeiro de 2017

18º Louvor Solidário na Catedral da AD Zona Norte com Gabriela Rocha & Banda

Aconteceu na noite do dia 27.01 a 18ª edição do Louvor Solidário, que desta vez trouxe ao Estado do Amapá a Cantora Gabriela Rocha e sua banda. O evento aconteceu na Catedral da Assembleia de Deus Zona Norte de Macapá e movimentou a cidade. Os ingressos esgotaram antes do previsto. O trecho da Av. Sebastião Queiroz de Alcântara no bairro Jardim Felicidade I, onde fica a Catedral, teve o trânsito interditado. Mais de cinco mil pessoas estiveram no evento organizado pelo irmão Elielson Afonso que tradicionalmente coordena o Louvor Solidário, sempre com seriedade, compromisso e honestidade. Uma mega estrutura de palco, iluminação, telões de LED, bandas, barracas de vendas, etc foi montado para receber o evento. O anfitrião da festa, Pr Dimas Leite Rabelo esteve presente ao evento juntamente com sua esposa, Prª Clarice Rabelo. Os passaportes missionários vendidos a um ínfimo valor, e a venda de iguarias regionais, tinham como objetivo a construção da Catedral da Zona Norte. O público adorou a Deus, e foi impactado ao final do evento, quando um convite foi feito pelo Jovem pregador Marcelo Lima de Belém-PA, onde cerca de 20 pessoas aceitaram a Jesus como seu único e suficiente Salvador. Veja algumas fotos e vídeos do evento.



Mais de 5 mil pessoas compareceram ao evento

Gabriela Rocha cantando e ministrando

Pr Gesiel Oliveira e Pr Elienai Rabelo