domingo, 29 de dezembro de 2013

A violência do UFC e a polêmica sobre sua exibição em TV aberta.

A globo quer audiência e não está preocupada com a saúde educacional e mental de nenhuma família. A cena é extremamente forte, pessoas passaram mal quando viram aquela brutalidade sendo exposta em rede aberta, e aquela cena horrorosa de uma perna se quebrando ao estalo da fratura ao meio, com um chute terrivelmente violento. Dá calafrio em ver aquilo! 

Aquela cena adentou repetidamente, em um replay, em todos os lares do Brasil, por causa da ganância de empresários por vendas e patrocínio. O UFC é proibido em boa parte dos países, mas no Brasil é tido como "esporte saudável". Dentes são arrancados, vemos o sangue espirrando na tela, ossos são quebrados, rostos são deformados e ensaguentados, sob a pífia justificativa de que aquela briga sangrenta é sadia, eleva a autoestima, que deve ser seguida pelos nossos filhos e "educa ao respeito ao próximo e autocontrole". Que contrassenso! 

Perguntem o que acha a sua filha, sua esposa, sua mãe, sua avó e seus filhos pequenos a respeito desse "esporte"? Apesar do horário, nada impede que crianças tenham acesso à esses espetáculos de horrores enauseantes, que seus pais insistem em assistir, e que são promovidos para verem seres humanos se digladiando violentamente, e ver ontem, até duas mulheres, se socando até seus rostos ficarem deformados pelo inchaço e sangue. 

Desculpem-me quem discorda, mas é a minha opinião! Não concordo que essa barbárie tenha status de esporte, discordo que seja exibido em rede aberta nacional. No máximo deve permanecer na TV fechada a cabo. O UFC desperta os instintos mais primitivos do ser humano: a agressão e a insensibilidade à dor alheia, e por isso desperta tanta curiosidade. E sabendo disso, empresários inescrupulosos, ganham milhões às custas do "pay per view" e dos direitos autoriais de transmissão à TV aberta. Enquanto isso, quem perde é a família e a sociedade, que passam a ver esses "australopithecus" forjados pela mídia alienante, como verdadeiros"ídolos". Isso não se encaixa no perfil e padrão do que se pode chamar de esporte. É o que penso. Quem concorda compartilha. (Por Gesiel Oliveira. Siga-nos no Twitter @PrGesiel_).



quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Fenômeno meteorológico chama a atenção em frente à Macapá

Ontem (25.12) por volta das 15h, quem caminhava na orla de Macapá foi surpreendido por um fenômeno curioso que chamou a atenção de todos. Uma tromba d'água se formou no meio do rio Amazonas, poucos minutos antes de um temporal que caiu sobre a capital.

O fenômeno durou poucos minutos, cerca de 5 minutos, mas a notícia tomou corpo por causa dos internautas, que flagraram os momentos em que a tromba d'´agua ganhava força no meio do Rio Amazonas. A notícia rapidamente se espalhou pelas redes sociais, e imagens chegavam a todo momento de diversos ângulos da frente de Macapá.

A tromba d’água, que é um fenômeno climático semelhante a um tornado, surge por causa da instabilidade atmosférica, quando há a formação de nuvens acompanhadas de raios e trovões. Os serviços meteorológicos preveem fortes chuvas a partir de fins de fevereiro, com início do período chuvoso normal a partir de janeiro. 

Acompanhe a análise do vórtice da tromba d'água que se formou em frente à Macapá ontem. Pelo que tudo indica ela não teve força suficiente para avançar e se dissipou no meio do Rio Amazonas antes de entrar em contato com o continente. Veja as fotos que mostram que o vórtice era grande o suficiente para continuar a progredir e avançar, mas por algumas razão, possivelmente por falta de pressão, ele se desfez antes de tocar em Macapá. 

Para quem acha que isso é anormal e não pode acontecer em Macapá, é bom saber que o Amapá está próximo à região central do Oceano Atlântico, onde se formam os grandes furacões que vão em direção à região do Caribe, Golfo do México e EUA. Mas durante centenas de anos o direcionamento das correntes marítimas e da circulação das correntes de ventos correm em direção à região caribenha. As mudanças climáticas globais estão alterando o direcionamento de muitas dessas correntes marítimas, e podem fazer com que os ciclones, furacões e tornados mudem seu curso progressivamente. Por isso é cada vez mais comum os tufões na foz do rio amazonas, costa leste do Amapá e nordeste do Pará 

O berçário dos ciclones tropicais é a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), área próxima à linha do Equador, na região central do Oceano Atlântico, que circunda a Terra e é caracterizada por baixas pressões atmosféricas de superfície, convergência de vento e de umidade e movimento ascendente de ar. 

A existência e o caráter permanente da ZCIT estão relacionados à forma esférica da Terra e à incidência mais efetiva de radiação solar sobre a região equatorial, que promove grande aquecimento da superfície terrestre e da atmosfera. Com as mudanças climáticas, de pressão e nas correntes marítimas , já é possível vermos que a ZCIT migra juntamente com o Sol e, em função da proporção terra-oceano ser maior no Hemisfério Norte, a ZCIT normalmente se afasta menos da linha do Equador em direção ao sul, nos meses de janeiro a abril, do que em direção ao norte nos meses de julho a outubro. É durante os meses quentes do verão boreal (no Hemisfério Norte) que acontece a temporada dos furacões ou tufões, mas por alguma razão ainda desconhecida, essa dinâmica está sofrendo alterações, por isso é bom sempre estarmos atentos. 

Na verdade o Amapá está ao lado do "caldeirão fervente de furacões", que costumam sair pelo "bico da panela" que está vidado pros EUA, mas se a panela virar, aí quem primeiro vai se queimar são a Guiana Francesa, o Estado Amapá e a costa nordeste do Estado do Pará. Assim que eu explicava para os meus alunos de cursinho. Gesiel Oliveira, Geógrafo e Professor de Geografia Regional e do Amapá. Autor da obra "Sinopse histórico geográfica do Amapá".

Vídeo da tromba d'água que se formou em frente à Macapá no natal de 2013


















domingo, 22 de dezembro de 2013

O assoreamento da foz do Rio Araguari e o fim da pororoca.

"Varadouros" caminhos feitos por búfalos, que levam a água salgada do
oceano ao Rio Araguari, provocando a salinização de vastas regiões
Eu poderia estar escrevendo sobre a extinção da onça pintada, da arara azul ou do beija flor “mirabilis”, espécies que correm sérios riscos de extinção no espaço amazônico, mas a extinção que está ocorrendo no Amapá é ainda mais séria. Estamos falando da extinção do fenômeno da “pororoca” no Rio Araguari. Um fenômeno natural que nos encanta e provoca enormes ondas na Foz do Rio Araguari, em razão do encontro de águas do oceano atlântico com as do rio. A pororoca é um fenômeno de maré que acontece toda lua cheia e nova, com maior potência nos períodos do equinócio. Há muitos anos se fala nessa problemática ambiental conhecida por “assoreamento” que está acontecendo na Foz do Rio Araguari, o maior rio genuinamente amapaense, ou seja, que nasce e deságua totalmente no território do Amapá. O assoreamento é um fenômeno normalmente provocado pela antropização (ação depredatória provocada pelo homem) em que o acúmulo de lixo, entulho e outros detritos no fundo dos rios fazem com que o rio porte cada vez menos água, provocando enchentes nas suas margens em épocas de grandes quantidades de chuvas, ou mesmo, provocam o seu fechamento, provocando a morte dos rios, e gerando sérios problemas ambientais. No caso do Rio Araguari há uma obstrução, por sedimentos, areia e detritos em seu estuário, provocando o paulatino fechamento de sua foz.  O fenômeno foi agravado em razão de canais que foram abertos pela bubalinocultura desenvolvida de forma desordenada nas margens do Rio Araguari. O Búfalo acelera a lixiviação (carregamento de sedimentos pelas chuvas), acelerando o assoreamento no leito dos rios. Esses canais, chamados na região de “varadouros” provocaram a entrada de água salgada, alterando o meio ambiente, provocando a salinização de regiões ribeirinhas, extinção da ictiofauna (fauna aquática), pois hoje é comum vermos espécies de peixes de água salgada nessa região, antes banhada exclusivamente por água doce do Rio Araguari. Isso também tem provocando um sério problema à população ribeirinha, especialmente a partir da comunidade do Tabaco, a cerca de 2 horas de barco a partir da sede do Município de Cutias, em razão do desabastecimento de água potável, provocado por esta problemática. A prefeitura do Município de cutias tem usado balsas para abastecer com água potável as comunidades mais afetadas pelo processo de salinização da água. Outro problema é a questão do êxodo rural  das regiões ribeirinhas afetadas na foz do rio para a sede do município, que tem agravado a atual situação social e econômica.  O rio Araguari passou a ficar cada vez mais raso, a ponto de hoje não mais ser possível se navegar de Cutias a Ferreira Gomes. O Rio Araguari é o maior em volume de água, largura e extensão do Amapá, mas o assoreamento diminuiu tanto a profundidade do rio, que hoje não é mais possível se ver o fenômeno da Pororoca.  O Município de Cutias do Araguari, é conhecido mundialmente pela pororoca, e por causa disso, tem atraído turistas de várias partes do mundo, mas atualmente enfrenta esse problema ambiental gravíssimo, que poderá acabar definitivamente com a pororoca nessa região. Hoje só podemos ver a pororoca a partir em algumas poucas regiões do arquipélago do Bailique, distrito de Macapá. Há equipes do IBAMA com um helicóptero, monitorando a região, mas eles afirmam que só um milagre pode reverter esse processo. A foz do rio Araguari está completamente obstruída, e a vazão de água fez os pequenos “varadouros” se transformarem em enormes canais, alguns com mais de 70 metros de largura, permitindo a entrada de água salgada para o rio, provocando todos esses problemas ambientais. Estima-se que existam cerca de 230 mil cabeças de gado bubalino nessa região, e o crescimento desordenado, tem acelerado esse problema. O mais preocupante é a omissão do Estado e do Governo Federal, que não desenvolvem um plano de ação conjunto para tentar minimizar os efeitos sociais, econômicos e ambientais desse fenômeno. O Blog do Dr Gesiel (drgesiel.blogspot.com) foi até Cutias do Araguari para entrevistar a prefeita do Município, Profª Eliane Pimentel e veja sua contundente e firme afirmação: "não existe mais pororoca no Rio Araguari". Assista sua entrevista sobre essa questão tão grave e conheça melhor a amplitude desse problema que está acontecendo na costa leste do Amapá.


Gesiel de Souza Oliveira
Geógrafo
Twitter: @PrGesiel_
Face: Gesiel Oliveira
e-mail: gesiel.oliveira78@gmail.com

Entrevista com a prefeita do Município de Cutias do Araguari sobre o assoreamento