domingo, 17 de maio de 2015

Você acredita em milagres? (Por Gesiel Oliveira)

Você acredita em milagres? Você já presenciou algum milagre? O que você responderia? Qual a noção do que pode ser considerado milagre? Sou pastor da Assembleia de Deus, filho de um pastor que já dorme no Senhor e neto de um pastor que continua atuante na obra do Jesus. Mas o que tenho visto atualmente não encontro fundamentos e precedentes na história da igreja. Quero desde já dizer, que acredito sim na operação do Espírito Santo, mas nos termos do que preleciona a Bíblia em 1 Co 12 a 14 e não da forma mercantilista como vem sendo propalado pelas correntes de prosperidade e milagres “a rodo”. Não posso acreditar nesse processo de vulgarização e espetacularização que alguns líderes religiosos tem tentado forçar diante de câmeras e multidões. O Espírito Santo não pode ser usado, mas pelo contrário, usa a quem quer e quando quer. “Porventura são... todos operadores de milagres?” [1 Co 12.29]. Evidente que a resposta é negativa. Muitos em nosso meio percebem claramente quando estamos diante de um embuste, de um engodo tosco. Muitas vezes no afã de dar autenticidade ao milagre, o líder ordena a quem está sendo “curado” que realize atos que deixam a situação ainda mais vexatória. Nesse sentido já vi um cadeirante tentar andar e cair, um mudo tentar falar e grunhir, e um cego tentar andar sozinho, e se chocar com o púlpito. O que vou descrever a partir daqui, fui testemunha, presenciei quando tinha 10 anos de idade. Não aconteceu em um púlpito diante de expectadores ávidos, nem serviu para propagandear o nome de uma igreja ou pastor. Os grandes milagres continuam a acontecer, mas sem a manipulação, artificialismo ou mecanização humana. Meu pai, o saudoso Pr Nery ferreira de Oliveira, falecido em 03.12.2012, dirigia à época uma Igreja da Assembleia de Deus localizada no final da Rua Rio Xingu, no bairro do Perpétuo Socorro em Macapá. Estávamos no ano de 1988 em um retiro espiritual para jovens. Era o mês de julho, e ele coordenou uma viagem ao Rio Flechal, na comunidade de Tessalônica, a cerca de 45 Km da Capital do Estado do Amapá, Macapá. Cerca de 40 jovens e alguns pais acompanharam o retiro. Era uma manhã nublada de sábado. Depois da palavra pastoral os jovens foram liberados para o lazer. A maioria correu para o rio. E mesmo com a atenção redobrada dos coordenadores, um adolescente, à época com cerca de 12 anos, pulou no rio sem saber nadar. E em meio a tanta gente se afogou. A sua ausência só foi percebida cerca de 20 minutos depois. Não me recordo o nome deste adolescente, mas os momentos de desespero na busca por ele nunca vou esquecer. Depois de procurarmos cerca de 10 minutos, um dos jovens o encontrou desacordado no fundo do rio, próximo à margem direita onde ficava a escada para o trapiche. Imediatamente cerca de 4 jovens mergulharam ali, a cerca de 3 metros de profundidade e trouxeram para a superfície aquele adolescente que já havia ingerido muita água, desacordado e totalmente sem sinais de vida. Nem pulso, nem batimento cardíaco, gelado, e com a pele muito pálida. Estava morto e não precisa ser especialista para constatar aquilo. O desespero foi total, de pais, coordenadores e amigos que ali estavam. E em meio a esse desespero, o Pr Nery Ferreira, pediu a todos que ficassem em silêncio, e que somente tivessem fé  para crer no que Jesus Cristo iria operar ali naquele momento.  Claro que não foi fácil, pois sabemos que o corpo humano não consegue ficar mais que 5 minutos sem oxigênio, e aquele jovem já havia se afogado há mais de 30 minutos. Diante do desespero, a pessoa que está se afogando tenta prender a respiração se debatendo sem parar, mas sem querer, engole pequenas quantidades de água, o que provoca o fechamento da laringe, órgão situado entre a traqueia e a base da língua. Esse é um mecanismo de defesa do nosso corpo para que a água não inunde os pulmões. Depois de algum tempo, a laringe relaxa e a pessoa involuntariamente tenta respirar debaixo d’água, aspirando e engolindo grande quantidade de água. Parte do líquido vai para o estômago e o restante segue o mesmo caminho do ar: percorre a traqueia e chega aos pulmões, passando por brônquios, bronquíolos e alvéolos. O pulmão fica encharcado. Assim, a troca gasosa (entrada de oxigênio e saída de gás carbônico) não acontece mais. A taxa de oxigênio reduz e causa danos em todos os tecidos, inclusive as células nervosas.  O cérebro é gravemente lesionado e a pessoa perde a consciência, e tudo isso acontece em 5 minutos de afogamento, ou seja, alguém submetido a um afogamento tão prolongado não poderia em hipótese nenhuma sobreviver, e mesmo que o improvável acontecesse, essa pessoa teria sequelas severas para o resto de sua vida. Ficaria tetraplégico e preso a uma cadeira de rodas. Mas retornando ao fato, e contrariando qualquer possibilidade, o Pr Nery estendeu as suas mãos sobre aquele cadáver. Eu era apenas um menino de 10 anos, e estava atrás da perna do meu pai. Agarrei em suas pernas, fechei meus olhinhos e pensei comigo, “o papai vai passar uma vergonha enorme”, tamanha era a atmosfera de incredulidade e desespero que se estabeleceu diante daquela situação. Ele clamou a Jesus Cristo em alta voz,  e chorando disse umas palavras que eu nunca esquecerei: “mostra que Tu és Deus e que estás aqui, e quem todo o poder sobre a vida e a morte, e ressuscita-o agora”. E no instante em que suas mãos tocaram o cadáver ele imediatamente se mexeu. Todos se assustaram e ficaram perplexos com aquilo. Todos se ajoelharam e começaram a clamar em alta voz. O adolescente imediatamente começou a vomitar muita água incessantemente. Ele foi enrolado em uma toalha e trazido à Macapá em um carro para o pronto atendimento e para os demais procedimentos. Ele vive até hoje, e para a Glória de Deus, sem nenhuma sequela. Queria muito puder revê-lo, mas amigos meus que o conhecem dizem que ele toca guitarra e continua levando a vida normalmente. Esse fato mudou a minha vida. Eu perguntei para o meu pai: “como o senhor conseguiu fazer aquilo”, e ele me respondeu: “eu não fiz aquilo, quem fez foi Jesus Cristo, sou apenas um pequeno servo dEle, meu filho”. Meus olhos se encheram de lágrimas e eu abracei forte meu pai.

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