segunda-feira, 17 de julho de 2017

A loteria da morte

Não reconheço mais a cidade em que nasci. Começo minha nota de repúdio fazendo essa pergunta: Que lugar é esse? No que se tornou a nossa cidade? Não há mais como suportar um clima de total insegurança que impera em nossa cidade. Cidadãos trancados e bandidos soltos. Quem se atreve a passear pelas ruas escuras vai de encontro à morte. As drogas, marginalidade, insensibilidade, indiferença insignificância pela vida humana não ter mais sentido. Drogados andam como “zumbis” pelas ruas da cidade procurando a quem assaltar. É um jogo que quem decide quem vai viver ou morrer são os marginais. Nossa legislação é fraca, frouxa, complacente para com o bandido, herança maldita de uma mentalidade de esquerda socialista que beneficia ao extremo a bandidagem. Isso cria um clima de impunidade, o bandido tem a certeza que vai voltar às ruas logo, logo. Quem acaba ficando preso aos traumas e pavor da vingança é o cidadão de bem. Isso quando tem a feliz oportunidade de ter uma segunda chance. Não foi o que aconteceu ao publicitário Andrey Smith na noite de ontem quando voltava pra sua casa em uma bicicleta com seus amigos. Pessoa de bem, trabalhadora, publicitário, dançarino, vivia a vida no esplendor da sua juventude, filho único. Quantos sonhos, ideais, projetos de vida a serem realizados, de um jovem de 28 anos que terminaram na repugnante maldade e insensibilidade de um ser asqueroso, representante da pior escória da sociedade macapaense. Às 19:20h quando Andrey sorria e brincava enquanto pedalava com seus amigos, mal sabia ele que o bandido o vinha seguindo, e já havia dado a sua sentença de morte. Esse é um daqueles momentos em que a gente quer gritar, se revolta, vai para as redes sociais pedir socorro, mas a situação caminha de mal a pior, em um clima de total insegurança, e nada muda. Meu repúdio aqui é contra a insegurança. Meu clamor aqui é pela PAZ. Por que isso está se tornando tão corriqueiro? Vivemos em uma verdadeira guerra urbana. Os números são de guerra. Nunca se matou tanto, nunca a maldade imperou e sensação de impunidade foi tão forte. Sou pai de três filhos, um deles está entrando na adolescência. Aquela idade em que a gente acaba não conseguindo mais impedir eles de saírem, de se exporem a riscos desnecessários. E as coisas ruins só acontecem nessas horas, quando a gente menos espera. Isso me tira a paz. Como pai não consigo dimensionar a dor dessa família, por uma perda tão repentina, tão brutal e violenta. Uma história e um futuro promissor, reduzidos às mãos e à decisão de um bandido, a respeito de quem vive e de quem morrem. Às vezes tenho a impressão que nossa cidade se tornou uma terra sem lei, um bolsão de violência desregrada, um campo de batalha diário na incerteza do que irá nos acontecer amanhã. Não temos mais onde nos escondermos. Saímos de casa para trabalhar ou estudar sem a certeza de que vamos retornar com vida. Cada dia é uma vitória, cada dia é um agradecimento à Deus pela vida, pois o crime espreita em todos os lugares. É uma loteria da morte. Não estamos seguros nem mesmo dentro de nossas casas. Vivemos em um sistema de retro-alimentação viciada, incurável e irretroativo. É um ciclo incurável, incapaz de mudar esse triste, insólito e decadente quadro social. Não vou culpar o desemprego, nem dizer que isso é resultado de descaso ou mazelas sociais, porque todo ser humano sempre tem duas portas abertas em sua frente. Escolher entrar pela porta da criminalidade não é resultado de forças sociais, e sim do nosso livre arbítrio em escolher seguir esse caminho. Nem com isso afirmo que não há responsabilidade pública na malograda tentativa de escamotear a inoperância de um "marasmo" administrativo. Dizer que nossa terra não tem jeito surge até como compreensível para um povo sem força até para sonhar com a mudança. O caos está instalado. Cada cidadão que se defenda por sua própria conta, evitando lugares, horários e situações. Não adianta colocar grades em suas residências, cercas elétricas, alarmes, se o crime espreita ali na esquina. É pedir proteção de Deus e sair contando com essa proteção, a única que contamos. Minha esperança está cambaleante, mas ainda não morreu. Ainda creio que é possível vivermos em uma sociedade mais racional e menos selvagem, não nesta geração, mas investindo em conscientização em nossas crianças. O presente está praticamente perdido, resta-nos investirmos no futuro, nas nossas crianças. Estou falando de princípios que regerão toda a vida dos futuros cidadãos. A leitura da Bíblia é desestimulada nas escolas e estimulada nos presídios, se fosse o contrário, teríamos mais cidadãos e menos presidiários.












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