quarta-feira, 11 de julho de 2012

10 Temas recentes de Atualidades, cotados para caírem em provas de concursos públicos


1- Reforma da saúde nos Estados Unidos

O presidente norte-americano Barack Obama acabou de conseguir uma grande vitória ao ter o seu plano de reforma da saúde aprovado pela Suprema Corte do país. A Lei de Proteção ao Paciente e Serviços de Saúde Acessíveis (“The Patient Protection and Affordable Care Act”, em inglês), também conhecida como Obamacare, cria um sistema universal de saúde nos Estados Unidos e está previsto para começar em 2014.
Basicamente, a reforma estabelece que todo mundo que vive nos EUA está obrigado a ter um seguro de saúde – quem não tiver terá de pagar uma taxa (chamada de “imposto” pelo texto da nova lei). As pessoas com renda familiar mensal abaixo de R$ 2.390 terão uma ajuda parcial do governo para os custos. Calcula-se que o plano vai incluir no sistema 30 milhões de americanos que não tinham nenhuma cobertura de saúde. A ideia é universalizar essa cobertura e também incentivar a criação de um mercado de seguradoras.
Diferentemente do Brasil, os EUA não têm um sistema público e universal como o SUS (Sistema Único de Saúde), criado a partir do texto da Constituição de 1988 que definia a saúde como “direito de todos e dever do Estado”. “Nos Estados Unidos, ou você paga um plano de saúde ou precisará ter dinheiro para pagar cada consulta e exame [o que não sai nada barato]”, explica o professor de História do cursinho Oficina do Estudante, Daniel Simões. Por lei, no entanto, os hospitais estão obrigados a atender qualquer pessoa durante emergências.

Outro problema no sistema de saúde americano é que as seguradoras não são fiscalizadas pelo governo – o que significa que elas podem alterar preços ou vetar serviços ao usuário sem precisarem prestar contas. No Brasil, existe a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), um órgão criado para regular as empresas privadas do setor.
Isso cria uma cultura em que as pessoas só procuram o hospital para se tratar quando a coisa já está grave – muitas vezes num estado que poderia ser facilmente evitado se fosse feito um acompanhamento médico mais cedo. A conta, no fim, fica caríssima – e os hospitais repassam o custo para o governo e as seguradoras, que cobram cada vez mais dos consumidores.
A reforma de saúde não vai criar um sistema público igual ao brasileiro, mas torna o acesso à assistência médica no país um pouco mais igualitário. “O SUS é considerado um exemplo no mundo inteiro. É claro que há muitos problemas, mas ele de fato acaba por atender todo mundo”, diz o professor Simões.
Ele sugere o documentário “S.O.S. Saúde”, de Michael Moore, para você ficar por dentro da situação médica nos EUA. “O vestibular não vai cobrar essa questão de uma forma profunda, mas é bom para situar o aluno nas discussões que estão sendo feitas. Só é importante ter em mente que o filme é político e mostra um ponto de vista específico”.
Disputa política
Essa foi uma das principais bandeiras políticas de Barack Obama durante as eleições presidenciais e tem provocado fortes reações tanto contra quanto a favor. Seus principais opositores são do conservador Partido Republicano, que dizem que o presidente deveria ter dado mais atenção a outros setores e criticam os supostos gastos excessivos que o plano pode trazer, além de afirmar que essa é uma tentativa de controlar demais a vida privada de cada um. O rival de Obama nas eleições presidenciais a serem realizadas este ano, Mitt Romney, já prometeu que, caso seja eleito, a primeira coisa que vai fazer será revogar a reforma.
O site “Conservapedia.com”, contrário ao Obamacare, descreve o plano como algo que “vai impor muitas penalidades sobre trabalhadores jovens, pequenos empresários e outros que escolhem não pagar por um plano de saúde caro”. E completa: “ObamaCare é o maior favor feito pelos liberais a um único grupo de interesse – a indústria de seguro de saúde – na história americana.”

Charge na página conservadora sobre o Obamacare. Nela, o Tio Sam diz para um cidadão americano: “Ok, velhinho, me dê seu dinheiro, sua previdência social, seu seguro de saúde, sua paz mental e me dê essa bengala também!”
Já o site Thanksobamacare.org lista as suas vantagens. Entre elas estão:
- as pessoas poderão comparar planos de saúde diferentes e escolher o que for melhor para elas;
- os planos de saúde não poderão cobrar taxas maiores de acordo com o sexo da pessoa nem se recusar a atender quem tenha problemas de saúde preexistentes. Além disso, terão de justificar aumentos grandes de preço;
- os planos terão de oferecer um pacote de serviços às mulheres, como mamografia, sem poder cobrar a mais por isso;
- os pequenos empresários podem obter créditos maiores nos impostos caso queiram pagar seguro de saúde aos seus trabalhadores.
Para o professor Simões, esse é um tema importante para os vestibulares e pode dar origem a questões abordando a política neoliberal adotada nos Estados Unidos. “Esse modelo prega que o Estado deve evitar intervenções econômicas. Muitos vestibulares o opõem à política socialdemocrata adotada nos países europeus, onde a garantia do acesso aos serviços básicos é vista como obrigação do Estado e pressupõe intervenções”, explica. Segundo ele, o aluno deve estar preparado para possíveis paralelos com a crise de 2008, quando o governo, mesmo sendo contra isso, teve de fazer uma série de intervenções na economia para controlar a situação.
É importante notar que o debate entre os que são pró (em geral, os democratas) e contra (em sua maioria, os republicanos) a reforma na saúde tem tudo a ver com essa questão. “O neoliberalismo é uma releitura do liberalismo clássico, que acredita que as forças do mercado são os melhores condutores dos sistemas sociais e, por isso, não devem receber nenhuma intervenção do Estado”, explica.  Eles acreditam que próprio mercado é capaz de regular essas questões sociais como que por uma mão invisível.

Apoiadores do Obamacare comemoram decisão da Suprema Corte dos EUA, que considerou a reforma constitucional
O pensador Adam Smith, pai do liberalismo, defendia que o egoísmo era bom para a sociedade e quem saía ganhando era o cidadão e o consumidor. O raciocínio é o seguinte: empresários capitalistas só pensam em seus lucros. Mas, para lucrar, precisam vender seus produtos. Para que as pessoas os comprem, eles precisam fazer produtos bons e baratos para levar a melhor na competição com outras empresas – o que, no fim, é bom para o consumidor, que tem mais opções de bons produtos. Assim, se as forças do mercado pudessem agir livremente, a economia poderia crescer e se autorregular. Com os serviços na mão do Estado, não haveria concorrência e o cidadão precisaria se conformar com o que tem.
Segundo o professor Simões, esse pensamento é limitado na prática. “Faria sentido em casos de concorrência perfeita, mas, hoje, as empresas nem sempre estão realmente competindo entre si – elas fazem carteis, combinam preços”, lembra. No entanto, os conservadores mais radicais muitas vezes classificam intervenções como a do Obamacare de socialistas, exagerando que se trata de uma interferência excessiva e indevida do Estado na vida do cidadão.

2- Rio+20
Durante estes últimos dias, não se falava em outra coisa. A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, ou Rio+20, dominou o noticiário e coloca o meio ambiente como tema praticamente certo nos vestibulares e Enem deste ano, segundo os professores ouvidos pelo GUIA. Mas o que é realmente a Rio+20 e como ela pode ser cobrada?
Vamos começar com o básico: a conferência, realizada de 13 a 22 de junho de 2012 na cidade do Rio de Janeiro, é assim conhecida porque marca os vinte anos de realização da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92). O objetivo é renovar o compromisso político mundial com o desenvolvimento sustentável. Para isso, foi feita uma avaliação do progresso na implementação das decisões adotadas pelas principais cúpulas anteriores sobre o assunto e uma discussão sobre temas novos e emergentes.
Os dois temas principais discutidos ali foram a economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza; e a estrutura institucional para o desenvolvimento sustentável. O resultado é o documento final de 49 páginas denominado “O Futuro Que Queremos” lançado nesta sexta-feira (22), último dia da Rio+20.
Pode cair no concurso?

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, se reúne com representantes da Cúpula dos Povos e recebe documento preliminar com demandas das organizações da sociedade civil no evento paralelo à Rio+20. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr
Para o professor Paulo Roberto Moraes, supervisor de Geografia do Curso Anglo, “dificilmente vai haver alguma pergunta pedindo informações específicas sobre a Rio+20”. O que pode acontecer, ele acredita, é usarem a conferência como gancho para questões envolvendo o meio ambiente.
“Houve um jogo de forças poderoso entre países ricos e pobres ou emergentes e o documento resultante da conferência não foi o que se esperava – alguns consideram que foi um fracasso”, diz ele. O professor de biologia do Anglo, Armênio Uzunian, concorda: “As conclusões são decepcionantes, por enquanto temos apenas um protocolo.”
O documento “O Futuro Que Queremos” (já disponível para download no site da ONU em inglês, francês, espanhol, chinês e árabe) traz uma lista de promessas que visam uma “economia verde” para o futuro. Além disso, ele cita como principais ameaças ao planeta a desertificação, esgotamento dos recursos pesqueiros, contaminação, desmatamento, extinção de milhares de espécies e aquecimento global – este definido como “um dos principais desafios de nossos tempos”.
Outro desafio lembrado é o do aumento da população, que deve chegar a 9,5 bilhões de pessoas até 2050. Em uma reunião com as ONGs da Rio+20, Ban Ki-Moon afirmou: “Para 2030, precisamos de 50% mais alimentos, 45% mais energia e 30% mais água apenas para viver como vivemos hoje.”
Um problema apontado pelos críticos do documento, no entanto, é a falta de detalhes práticos de como os objetivos podem ser alcançados.
Kumi Naidoo, do Greenpeace Internacional, um dos 36 ativistas que se reuniram com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, na sexta-feira para entregar um documento com críticas das ONGs ao documento, criticou o “fracasso” e a falta de ambição da conferência e disse que “o acordo final é abstrato e não corresponde à realidade”. E completou: “O que vemos aqui não é o mundo que queremos, é um mundo no qual as corporações poluidoras e aqueles que destroem o meio ambiente dominam”.
“Para os críticos do documento, ele nada mais é do que marketing verde, uma maquiagem em que você não mexe na estrutura da economia internacional – apenas lhe dá uma roupa ecológica”, explica o professor Moraes.
A força política da Rio+20 também foi questionada devido à ausência de líderes importantes, como o presidente norte-americano, Barack Obama, a chanceler alemã Angela Merkel e o britânico David Cameron.
Organizações não governamentais promoveram vários protestos durante a conferência e prometeram apresentar um balanço das discussões reivindicando, entre outros pontos, a ampliação de poderes do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).
Temas para se dar atenção
Segundo os professores, esses conflitos de interesses podem cair no vestibular. A Cúpula dos Povos, evento paralelo à Rio+20 realizado no Aterro do Flamengo (também no Rio de Janeiro), contou com a participação de diversos setores da sociedade civil e movimentos sociais de vários países e trouxe discussões pertinentes sobre as causas da crise socioambiental e possíveis soluções práticas para ela. Vale ir atrás de artigos sobre isso.
Além do desenvolvimento sustentável com inclusão social, temas mais diretamente relacionados ao meio ambiente, é claro, também deverão ser muito valorizados nas provas – tanto de geografia e biologia quanto de física e química. “É bom se dar atenção para a discussão de medidas para a redução das emissões de gás carbônico, energia limpa, preservação de matas (incluindo a matas ciliares, que protegem os leitos dos rios) e de oceanos”, aponta o professor Armênio.
Os oceanos, aliás, receberam atenção especial na Rio+20. Enquanto a Eco-92 ficou conhecida como a “Cúpula da Terra”, a Rio+20 foi muitas vezes citada como a “Cúpula dos Mares”.  O documento final aprovado pelos Chefes de Estado este ano traz como uma de suas metas a redução dos detritos marinhos, em especial plástico, até 2025. O desenvolvimento de uma rede global de áreas marinhas protegidas internacionais e a criação de mecanismos de governança global dos oceanos para preservar a biodiversidade e os recursos genéticos também estava em pauta.
A participação popular, no entanto, foi um marco importante da conferência. O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República do Brasil, Gilberto Carvalho, afirmou: “Nós podemos dizer, hoje, que a Rio+20 é a maior conferência da história das Nações Unidas em termos de envolvimento popular. Este método de participação veio para ficar”. Além de poder participar votando em temas que deviam ser apresentadas aos Chefes de Estado e Governo, o público usou as redes sociais para mobilizações.
Militantes do movimento em prol do fim dos subsídios ao petróleo conseguiram mais de 100 mil tweets para a campanha #EndFossilFuelSubsidies, lançada pelas ONGs Priceofoil e Natural Resources Defense Council (NRDC) para exigir o fim dos subsídios à indústria do petróleo. “O resultado final superou todas as nossas expectativas. Os governos receberam uma mensagem clara de que é hora de acabar com esses subsídios”, disse à imprensa Jake Schmidt, diretor da NRDC.
Esse é um dos temas mais polêmicos na transição para uma economia verde: segundo a Agência Internacional de Energia, US$ 775 bilhões são gastos todo ano com subsídios à indústria do petróleo, valor 12 vezes maior que os investimentos para a implementação de energias limpas.
A dica dos professores é ler artigos e análises sobre esses temas. O site da Rio+20 traz bastante informação sobre tudo o que foi discutido por lá. E a Veja fez uma página especial sobre isso.

3- Egito realiza segundo turno das eleições neste fim de semana; veja como isso pode ser cobrado no vestibular

Neste fim de semana, o Egito realizou o segundo turno de suas eleições presidenciais. O páreo está entre o islamita Mohammed Mursi e o ex-dirigente do antigo regime Ahmed Shafiq. As eleições são as primeiras diretas da história do mundo árabe e parte da transição para a democracia após a queda do presidente Mubarak no começo de 2011, após 30 anos no poder. Os resultados só serão conhecidos na próxima quinta-feira.
Muhammad Hosni Said Mubarak, o quarto presidente do Egito, que renunciou ao poder em fevereiro de 2011
Antes disso, o Egito realizou, no fim de 2011 e início de 2012, a eleição mais aberta de sua história para a câmara baixa do Parlamento, responsável por nomear a comissão encarregada de elaborar a nova Constituição. A Irmandade Muçulmana venceu. Porém, nesta quinta, o Tribunal Constitucional do país anulou a composição do Parlamento dominado pelos islamitas, o que acrescentou ainda mais dúvidas e receio em relação a esse processo de transição democrática. Uma nova eleição terá de ser convocada pelo Poder Executivo.
A preocupação é que a anulação da Assembleia permita que os militares assumam o Legislativo, como foi o caso no período entre a queda de Mubarak, em fevereiro de 2011, e a primeira sessão do novo Parlamento, um ano depois. Jornais independentes classificaram a decisão como um “Golpe de Estado jurídico”.
O que é preciso saber
Segundo o professor e supervisor de geografia e geopolítica do curso Anglo, Augusto Silva, é importante ter em mente a divisão politica que o pais enfrenta. “Mubarak criou um vácuo de poder que pode ser assumido por religiosos conservadores representados pela Irmandade Muçulmana, que foram reprimidos até então, ou por militares ligados ao regime de Mubarak. As pessoas que participaram das manifestações da Primavera Árabe veem com ceticismo a situação. É algo como ‘se correr bicho pega, se ficar bicho come’”, explica. A eleição parlamentar deste ano colocou os islâmicos em uma posição de comando no Poder Legislativo – e a Irmandade Muçulmana espera repetir o feito com o seu candidato na eleição presidencial.
A juventude árabe, maior agitadora das revoltas da Primavera Árabe, não conseguiu se organizar para ter um candidato. “Há uma espécie de sociedade reprimida no Egito, que queria e provocou uma mudança rápida. A primeira coisa que eles queriam era a queda do ditador, o que já era um passo importante. Depois se discutiria quem deveria assumir o poder, mas essa não é uma questão tão simples”, explica o professor Augusto. Chegar ao poder sem ser pelo processo democrático, porém, poderia gerar uma guerra no país, uma vez que os militares ligados ao antigo regime poderiam revidar.
Ainda não é possível prever o futuro egípcio. “Foi uma mudança política histórica, mas muita coisa ainda pode acontecer – incluindo conflitos maiores entre as duas facções que disputam o poder, como uma guerra civil ou, por outro lado, o surgimento de uma liderança bem aceita”, afirma o professor. O país mantém uma linha próxima aos EUA, além de ser uma voz de negociação com Israel. Se a Irmandade Muçulmana assumir o poder no lugar dos militares, isso pode mudar.
Como pode ser cobrado?
“Temos a tendência de achar que o vestibular vai cobrar os assuntos de uma forma profunda, mas isso não necessariamente acontece. Na Fuvest em 2012, a pergunta foi bem geral, pedindo localização geográfica, e muitas vezes o aluno erra isso”, diz Augusto. Para ele, é importante que o estudante seja capaz de identificar os países que participaram da Primavera Árabe, localizá-los em um mapa e entender as mudanças politicas pelas quais o Egito passou, bem como a sua importância econômica e política.
O Egito, colonizado pelos britânicos, foi um dos primeiro africanos a conseguirem sua independência, logo no começo do século 20. Hoje, é a segunda maior economia da África, atrás da África do Sul, com boa produção de petróleo e certa industrialização em setores básicos, como siderurgia e metalurgia. O turismo, ao lado do petróleo, é o carro-chefe da economia.
O presidente Muhammad Hosni Said Mubarak assumiu o poder em 1981 e manteve uma postura neutra no conflito árabe-israelita, o que fez com que fosse frequentemente chamado para negociações entre os dois lados. Nos últimos dias de seu governo, estava sendo alvo de críticas e protestos pela maioria da população egípcia e acabou renunciando. Em 2 de Junho de 2012, foi condenado à prisão perpétua pela morte de 850 manifestantes nos protestos que o derrubaram em 2011.
A Primavera Árabe
A Primavera Árabe é o nome dado à onda de protestos e revoluções contra governos do mundo árabe, Oriente Médio e norte da África, que eclodiu em janeiro de 2011, pedindo democracia. A onde de manifestações já foi destaque nos vestibulares, aparecendo nas provas do Enem 2011, daFuvest 2012 e da Unesp 2012.
Além de atentar para os conflitos em toda a região, o estudante precisa saber localizar os países que estão envolvidos nele: Barein, Iêmen, Tunísia, Líbia, Egito e Síria.
Fonte: GUIA DO ESTUDANTE ATUALIDADES VESTIBULAR + ENEM 2012


4- Comissão da Verdade e a ditadura militar 

A presidente Dilma Rousseff participa de cerimônia de instalação da Comissão da Verdade, no Palácio do Planalto. Estavam lá também os ex-presidentes José Sarney, Luiz Inácio Lula da Silva, Fernando Henrique Cardoso e Fernando Collor (Foto:Antônio Cruz/ABr)
Nesta quarta-feira (16), a presidente Dilma Rousseff instalou a Comissão da Verdade em uma cerimônia que reuniu, entre outras autoridades, os ex-presidentes brasileiros eleitos após a ditadura.
A Comissão é formada por sete pessoas que vão apurar, nos próximos dois anos, as  violações aos direitos humanos que podem ter ocorrido entre 1946 e 1988. O foco inicial serão os desaparecimentos políticos e eventos da ditadura militar (1964 a1985).
No fim, será apresentado um relatório oficial com dados como locais, instituições e circunstâncias relacionados à prática de violações de direitos humanos, detalhando, se possível, as circunstâncias e apontando os responsáveis. Para isso, a Comissão terá acesso a documentos oficiais, poderá convocar pessoas para depoimentos, pedir perícias e promover audiências públicas, entre outras coisas.
Mas ela não terá o poder de condenar ninguém: a Lei da Anistia, promulgada pelo presidente Figueiredo em 1979 (ainda durante a ditadura militar), perdoou crimes políticos cometidos por agentes do Estado e pela oposição entre 1961 e 1979. A presidente Dilma Rousseff deu a entender que não irá revogar a lei ao declarar que valoriza “pactos políticos que nos levaram à redemocratização”. Ela disse, ainda, que “a comissão não abriga ressentimento, ódio nem perdão. Ela só é o contrário do esquecimento”.
Pode cair no vestibular?
Para o professor Elias Feitosa, que dá aula de História no Cursinho da Poli, esse é um tema com boas chances de cair não só no vestibular, mas também no Exame Nacional do Ensino Médio. “O Enem tem focado bastante na questão da cidadania e organização da sociedade. Esse é um tema que pode muito bem ser explorado, pois tem a ver com o direito do cidadão de conhecer sua história, ter noção do que aconteceu no passado recente do seu país”, explica.
Por isso, é bom dar uma estudada no regime militar – especialmente no seu período final, com o governo de Ernesto Geisel (1974-79). O governo do seu antecessor, Garrastazu Médici (1969-74), ficou conhecido como os “anos de chumbo”, marcado pela tortura e desaparecimento de opositores. Nesse período, entre 1969 e 73, também aconteceu o chamado “milagre econômico”, em que o Brasil cresceu 1,1% ao ano. Mas a dívida externa passou de 3,5 bilhões para 17 bilhões de dólares, o que virou um problema para o presidente que veio depois.
Enfrentando dificuldades econômicas e políticas (o milagre econômico tinha acabado, havia a pressão do governo americano e a oposição ficava mais forte), Geisel começou o processo da abertura política, que seria ‘lenta, gradual e segura’. Em 1978, por exemplo, ele acabou com o AI-5 (leia mais sobre isso aqui) e tomou medidas que visavam reduzir a repressão sobre inimigos do regime.
Em meio ao movimento das Diretas Já, seu sucessor João Figueiredo continua o processo, restaura o pluripartidarismo e sanciona a lei da Anistia. “Essa lei dava a anistia ampla e irrestrita para os dois lados. Quem torturou não seria punido, os crimes dos subversivos também seriam perdoados e os exilados políticos poderiam voltar para o país”, explica Elias.
Foram realizadas eleições indiretas e Tancredo Neves foi eleito, mas teve que ser internado na véspera da posse com problemas no aparelho digestivo. Com a sua morte, José Sarney se tornou o primeiro presidente civil após 21 anos de regime militar e revogou a legislação autoritária, restabelecendo a eleição direta para a Presidência. Uma nova Constituição foi promulgada em 1988.
“A Lei da Anistia pretendia virar a página do período da ditadura, mas também ficava uma sensação de injustiça para quem teve familiares perseguidos e desaparecidos. Muitos ficaram sem nunca saber o que houve com seus parentes e pessoas desapareceram sem nunca ter uma certidão de óbito. Ainda há questões burocráticas que precisam ser resolvidas”, lembra o professor.
Pouco a pouco, outros países da América Latina se redemocratizaram também e começaram uma movimentação para investigar os crimes que os governos cometeram. “Nossos vizinhos foram mais ativos; o Brasil foi deixando de lado”, diz Elias. “Mas a Comissão da Verdade desagrada a alguns – em especial àqueles que tiveram participação ativa no governo militar e que tentam, hoje, mudar sua imagem na vida pública”, completa.
Segundo ele, é possível que o vestibular ou o Enem peçam para o aluno fazer uma análise entre a relação presente-passado. Talvez focando na questão dos direitos humanos, como o  tratamento dado pelo governo hoje e antes a essa questão no regime.

5- Novo Código Florestal pode cair no concurso (ele provavelmente será cobrado!)

O novo Código Florestal é um assunto com enormes chances de cair no vestibular. Não precisa nem ser um grande seguidor do noticiário (mas a gente espera que você acompanhe, se vai prestar vestibular) para ter ouvido falar nele – o tema ganhou também as redes sociais com a campanha “Veta, Dilma”. “Esse é um tema que, de forma ou de outra, vai cair no vestibular”, acredita Samuel Robes Loureiro, professor de Atualidades do Cursinho do XI. Se você ainda não entendeu exatamente o que está acontecendo, esta é a sua chance.
Então, é o seguinte. O Código Florestal foi criado em 1965 (durante a ditadura militar) para regulamentar a exploração da terra no Brasil por meio de leis que estabelecem limites para preservar a vegetação nativa.
Ao longo de todos esses anos, porém, ele sofreu várias modificações e remendos para atender a novas exigências e interesses que apareciam. Agora, ambientalistas, ruralistas e cientistas concordam que o Código precisa ser refeito para ter uma unidade e se adaptar à NOVA realidade brasileira e mundial.
O então deputado e hoje ministro do Esporte, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), fez uma proposta para um novo código. Ela foi aprovada na Câmara dos Deputados no começo de 2011, mas sofreu tantas modificações até ser votada no Senado que precisou voltar para a avaliação dos deputados antes de passar pela aprovação presidencial.
O novo texto foi apresentado pelo senador Jorge Viana (PT-AC) e trouxe novas polêmicas. Mesmo assim, ele foi aprovado no dia 25 de abril pela Câmara. A presidente Dilma Rousseff tem até o dia 25 de maio para vetar (total ou parcialmente) ou aprovar as alterações no novo Código. E é por isso que está rolando essa campanha toda nas redes sociais.
O porquê da polêmica
As principais diferenças entre o antigo e o novo códigos estão relacionadas à área de terra em que será permitido o desmate, ao tipo de produtor que poderá fazer isso, ao reflorestamento dessa área e à punição para quem já desmatou.
Para os ambientalistas e especialistas em meio ambiente, as mudanças no Código abrem brechas para aumentar o desmatamento e, com isso, podem ameaçar o ciclo das chuvas, a proteção do solo e a biodiversidade. Também causam polêmica os pontos que dizem respeito ao possível perdão a quem praticou o desmatamento no passado.
Um dos pontos mais polêmicos é o fato de o novo texto facilitar a ocupação ou regularização de propriedades que mantêm plantações e pastos nas chamadas Áreas de Preservação Permamente (APPs), como o topo de morros, encostas em declive e margens de rios e nascentes. Essas áreas são as mais vulneráveis por terem maior probabilidade de serem palco de deslizamento, erosão ou enchente e, portanto, precisam ser protegidas. A definição das APPs ficaria a cargo de órgãos locais, o que poderia causar a descentralização do Código e provocar diferenças enormes entre os Estados.
Como pode ser cobrado
O professor Samuel acredita haver uma boa possiblidade de o vestibular abordar o tema a partir da questão climática e de desastres ambientais. “Há uma demanda do governo para proteger o ambiente, até mesmo para evitar catástrofes como as que aconteceram na região sul ou na região serrana do Rio de Janeiro”, explica. “O código antigo proíbe ocupar encostas, mas o novo permite se for por uma pequena propriedade. Uma mansão em serras e encostas, por exemplo, é considerada uma grande propriedade em padrões urbanos, mas uma pequena propriedade em padrões rurais. Assim, eles ganham a legalidade de ocupar o espaço em que estão e isso pode provocar deslizamentos no período de chuvas”, completa.
O professor acredita que a questão poderá vir associada a um conceito climático: a chamada zona de convergência do Atlântico Sul (ZCAS), uma zona de baixa pressão de orientação Noroeste/Sudeste que se estende desde o sul da região amazônica até a região central do Atlântico Sul. Ela se caracteriza pelas altas temperaturas no verão, maior evaporação e, consequentemente, muita chuva. Esse excesso de chuvas atinge as regiões serranas do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais e provoca alagamentos e, nas encostas indevidamente ocupadas, deslizamentos.
Este é um assunto sobre o qual vale refletir, porque pode, inclusive, ser tema de redação. Nesse caso, também é possível explorar outras questões. “Dá para refletir sobre o paradoxo de se transferir a responsabilidade da proteção ao meio ambiente para a população, com a proibição das sacolas de plástico, ao mesmo tempo em que se libera a ocupação do solo”, reflete o professor. Mas uma dica: para manter um debate mais rico, procure ler artigos escritos a partir de perspectivas diferentes – tanto dos oponentes quanto dos defensores do novo Código. Veja o que dizem tanto ambientalistas quando os ruralistas.

6- Nacionalizações de empresas na Argentina e Bolívia 

presidente da Bolívia, Evo MoralesFoto: Getty Images
Como você deve ter ouvido falar, dois países da América Latina nacionalizaram companhias do setor energético nas últimas semanas. Em abril, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, anunciou a expropriação da petroleira YPF, que era controlada pela empresa espanhola Repsol. Pouco depois, nas comemorações do dia do trabalho (1º de maio), o presidente Evo Morales anunciou a nacionalização da empresa Transportadora de Electricidad S.A (TDE), controlada pela também espanhola Red Eléctrica Española (REE), que administra 73% das linhas de transmissão de energia do país.
Na Bolívia, o anúncio veio acompanhado de uma ordem às Forças Armadas para a ocupação imediata das instalações da companhia. No entanto, o volume de investimentos espanhóis no país é bem menor que o empregado na Argentina, o que faz com que esse caso seja menos importante economicamente para a Espanha do que o argentino. Sem contar que Cristina Kirchner adotou um discurso mais ácido, enquanto Morales chegou a comunicar o governo espanhol sobre a nacionalização– e prometeu pagar um valor justo por ela. A Argentina não deu garantias nesse sentido, o que eleva as tensões.
Além disso, a YPF era responsável por 34% e 25% do volume de produção de petróleo e gás, respectivamente, no território argentino e ainda havia acabado de anunciar a descoberta da reserva ‘Vaca Muerta’ com potencial de 22 bilhões de barris no país. Já na Bolívia, a TDE respondia por apenas 1,5% receita total da REE.
Como isso pode aparecer no vestibular?

presidente da Argentina, Cristina KirchnerFoto: Getty Images
Segundo o professor Fernando Ribeiro, que dá aula de História do Cursinho da Poli, esses fatos podem ser cobrados no vestibular, mas não é necessário que o aluno guarde datas. “Talvez seja bom saber o nome de empresa e, principalmente, saber que são do setor de energia, que tem uma grande importância estratégica”, diz ele.
Nesse sentido, é importante saber também o que essas nacionalizações significam e por que estão sendo feitas. Os dois países estão tentando retomar o controle desses setores após um período de governo neoliberal nos anos 90, marcado pelas privatizações e pela mínima participação do Estado na economia. “Na época, os Estados colocaram muita coisa na mão de empresas privadas e agora estão voltando atrás, uma vez que deixaram de recolher lucros com a privatização”, explica Fernando.
De fato, tanto na Bolívia quanto na Argentina, dizia-se que empresas espanholas estavam enviando quase a totalidade de seus lucros na região para a Espanha em vez de investir nos países em que exploravam os recursos naturais. A ministra das Comunicações da Bolívia, Amanda Davila, confirmou isso ao site da Bloomberg, dizendo: “Os investimentos da Red Elétrica eram excessivamente baixos”.
Ela também afirmou que “energia é um setor estratégico que deve estar sujeito ao controle do governo”. Faz sentido, umas vez que esse setor é fundamental, por exemplo, para o crescimento industrial e, consequentemente, econômico dos países. “Não se faz políticas sem energia”, completa o professor Fernando.
Evo Morales promoveu outras nacionalizações durante seu mandato. Em 2006, foi com empresas de hidrocarbonetos, como a Petrobras; em 2009, com a italiana de telefonia ETI e, em 2010, foi a vez de quatro geradoras de energia elétrica.
Já a estatização argentina vem acompanhada de outras ações intervencionistas recentes que Cristina vem realizando desde a sua reeleição em outubro, como a imposição de novos controles de capital e maiores restrições sobre importações. Ela ainda deu um tom mais nacionalista às relações diplomáticas, ressuscitando a reivindicação das Ilhas Malvinas como propriedade argentina, e não britânica.
Consequência
Com as medidas, aumenta a insegurança sobre os investimentos estrangeiros nesses dois países – o que pode ser bom para o Brasil. Para especialistas, o Brasil já é o principal destino dos investimentos da Espanha na região e se beneficiaria ainda mais por garantir maior segurança jurídica, além de um quadro econômico e político mais estável.
Além disso, a Petrobras já suspendeu parte dos investimentos na Argentina por não saber claramente o que acontecerá. E isso está de acordo com a vontade do país, que não deseja ver a empresa brasileira expandindo as áreas de exploração sobre seu território.
Cuidado com o termo “populista”!
O professor Fernando chamou, ainda, a atenção para a necessidade de se ter cuidado ao usar o termo “populista” para se referir aos presidentes desses dois países, como alguns sites e jornais têm feito.
É verdade que o apelo popular, o nacionalismo e as estatizações, que são características fortes dos dois governos, são também parte do populismo. E a nacionalização na Bolívia veio em boa hora, já que o governo Evo Morales enfrentava protestos de sindicatos.
Mas, segundo Fernando, os regimes populistas frequentemente dedicam-se à forte repressão policial dos movimentos contrários e impedem a existência de partidos políticos. “Era populismo o que existia no governo de Getúlio Vargas, no Brasil, e de Juan Domingo Perón, na Argentina. O que temos hoje são partidos de esquerda tomando medidas pra agradar a classes mais baixas. Esses países ainda são democráticos”, explica o professor.

>>> E uma dica que vale para todos os assuntos de atualidades: como eles não estão nos livros didáticos, não deixe de acompanhar o noticiário! Se não consegue ler jornal todo dia, acompanhe as notícias pelo rádio! Para ajudar você nessa, o GUIA DO ESTUDANTE vai passar a publicar, no Twitter e no Facebook, links com notícias importantes que podem ser cobradas no vestibular. Assim, além de se manter bem-informado sobre as datas relacionadas às provas, você vai ficar por dentro do que rola de mais importante no mundo. Então, se não segue a gente ainda, esta é a hora!


7- O julgamento do atirador norueguês e a xenofobia: 

Homenagem a vítimas do atirador norueguês Anders Breivik
Começou no dia 16 de abril o julgamento de Anders Behring Breivik, radical norueguês de ultradireita que admitiu ter assassinado 77 pessoas em Oslo e na ilha de Utoya em julho de 2011. Nos últimos dias, o atirador se declarou um “militante nacionalista” que visava “defender” seu povo, sua cultura e seu país do multiculturalismo. Ele também explicou que os atentados visavam mudar a política de imigração do governo do Partido Trabalhista e evitar “uma guerra civil no futuro”.
O caso é extremo, mas ilustra uma questão importante e com boas chances de cair no vestibular: a xenofobia em países desenvolvidos.
As raízes da xenofobia
Segundo Paulo Cesar Neves, professor de Geografia do Cursinho do XI, a xenofobia ou aversão ao estrangeiro é resultado de um processo iniciado há décadas. “Depois da Segunda Guerra Mundial, houve uma melhora das condições de vida em países europeus e nos Estados Unidos. O crescimento econômico capitalista, casado com a queda da taxa de natalidade e a diminuição da população, trouxe a necessidade de um incentivo do governo à migração de trabalhadores de outros países”, explica.

Pessoas protestam em frente a agência de imigração na Alemanha contra o endurecimento das políticas de migração na Europa. Foto: Carsten Koall/Getty Images
Esses imigrantes, vindos principalmente dos países pobres da Europa oriental, Oriente Médio e do norte da África, chegaram para ocupar posições de baixa qualificação, especialmente em fábricas, e trabalhavam sob condições muitas vezes insalubres. Sua vinda era incentivada pelo governo e sua presença era tolerada mesmo quando chegavam de forma ilegal.
Mas isso mudou com a crise econômica global que explodiu em 2008 e provocou grande instabilidade nos mercados, piora das condições de vida da população e muito desemprego, especialmente nos Estados Unidos e Europa.
Os governos dos países desenvolvidos reagiram com cortes nos gastos públicos e passaram não só a tentar impedir a entrada de novos imigrantes, mas também a se livrar dos que já estavam lá. Com isso, a população nativa dos países receptores começou também a culpar a presença de estrangeiros que usufruem dos benefícios de saúde, educação e lazer (o “Welfare State” ou “Estado de Bem-Estar Social”) que os países haviam conquistado nos anos 50.
Com a escassez de empregos, a mão-de-obra barata estrangeira deixou de ser solução para o crescimento da produção capitalista para virar praga e eles passaram a ser acusados de “roubar” trabalho da população nativa.
“Os governantes, por sua vez, se aproveitam disso – é muito fácil culpar imigrantes, principalmente quando se usa também o argumento do terrorismo”, explica o professor Paulo. Agora, a União Europeia quer não apenas conter a entrada de ilegais, mas também se livrar dos milhões de imigrantes que ainda circulam no continente. Tudo isso promove o preconceito e o estigma dos estrangeiros e dos seus filhos, levando à xenofobia e alimentando movimentos nacionalistas de extrema direita.
O que é preciso saber
Segundo o professor, é preciso que o aluno entenda a xenofobia no contexto da crise econômica, relacionando isso com a lógica de produção capitalista. “O modelo capitalista baseado no rebaixamento dos salários e nas novas tecnologias para aumentar a produção e os lucros e diminuir os custos tem tido problemas para se sustentar”, explica o professor Paulo.
Um dos mais graves sintomas da crise do capitalismo é o desemprego, que tem atingido principalmente a camada mais jovem da população: o mercado não tem conseguido absorver quem está se formando agora e, sem experiência profissional, eles sofrem ainda mais para conseguir um trabalho. Isso tem contribuído para revoltas como as que ocorreram na França em 2005 ou em Londres, no ano passado.
É interessante notar, também, que as consequências da crise não afetam apenas os países desenvolvidos. “Preconceitos contra migrantes também podem ser vistos em relação aos bolivianos que vivem no Brasil, por exemplo. Ou aos nordestinos que vêm trabalhar na região Sudeste”, aponta o professor.
A edição GUIA DO ESTUDANTE ATUALIDADES VESTIBULAR + ENEM 2012 traz um dossiê bem completo sobre a crise econômica na Europa e já está nas bancas e no site da Loja Abril. Fica a dica!

 8- Afeganistão, alvo de ataque recentes 
No domingo, 15 de abril, o Afeganistão sofreu o maior ataque coordenado à sua capital, Cabul, em dez anos de guerra – desde que os talibãs foram expulsos do poder em uma invasão liderada pelos Estados Unidos, no fim de 2001, em retaliação aos ataques de 11 de setembro.
A autoria foi reivindicada por terroristas ligados à rede Haqqani, um ramo extremista do grupo talibã conhecido por ter ligações estreitas com a Al-Qaeda. O Talibã é um movimento fundamentalista islâmico nacionalista que se difundiu no Paquistão e, sobretudo, no Afeganistão, a partir de 1994.
O ataque serve como mote para falarmos sobre a situação daquela região, mas pode ficar tranquilo: dificilmente os vestibulares cobrarão detalhes ou informações sobre ataques específicos como esse. O professor de geopolítica Décio Cavalheiro, do Cursinho da Poli, acredita que, se aparecer no vestibular, a questão será abordada de uma forma mais superficial, sem exigir grandes detalhes.
Para ele, é importante que o vestibulando saiba de três aspectos da situação do país: a dificuldade de ser ocupado por países estrangeiros, sua localização estratégica e seu entorno.
Inconquistabilidade
O Afeganistão é um país do interior, sem saída para o mar, com um clima árido e um território difícil, cheio de montanhas e cavernas, que tornam a manutenção das ocupações estrangeiras do seu território algo sempre muito difícil para quem não conhece bem a região. A Inglaterra tentou fazer isso no século 19, a União Soviética, no século 20, e os Estados Unidos tentaram no século 21, todos sem sucesso.
Localização estratégica
O Afeganistão não tem recursos minerais nem saída para o mar. Qual é o interesse dos países que tentaram ocupá-lo? Basicamente, sua localização privilegiada – o país fica entre Irã, China, Paquistão e a extinta União Soviética.
Esse foi um fator chave ao longo de suas ocupações – e, como lembra o professor Décio, já foi tema de questão da primeira fase da Fuvest.
No século 19, o interesse da Inglaterra no Afeganistão se devia à tentativa de proteger seu império na Índia. A União Soviética cobiçava o território porque significava um caminho para o acesso ao Oceano Índico, mas foi expulsa com a ajuda dos Estados Unidos e de seus aliados ocasionais, como Osama Bin Laden. Com a saída dos russos, Bin Laden tomou conta do pedaço.
Para os EUA, o Afeganistão está em uma posição estratégica para a sua guerra ao terror, sendo esconderijo de muitos fugitivos de guerra ou casa de muitos terroristas. É aí que entra outro ponto importante…
Entorno
“As tensões entre os países localizados no entorno do Afeganistão representam uma verdadeira ameaça à paz mundial”, explica o professor Décio. O vizinho Paquistão é uma potência nuclear e está muito próximo militar e geograficamente da China e ainda disputa a região da Caxemira com a Índia, outro país que detém a tecnologia nuclear.
O Irã, outro vizinho, possui uma enorme reserva de petróleo e é conhecida pela oposição ferrenha ao ocidente. E o Iraque também possui enorme reserva de petróleo e desperta a cobiça mundial – especialmente a dos EUA.

9- Como a polêmica da usina de Belo Monte pode cair no concurso?


A usina de Belo Monte, que está sendo construída na Bacia do Rio Xingu, no Pará, gera polêmica há algum tempo por causa da questão ambiental. No fim de 2009, especialistas questionaram o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) feito pelo governo e a viabilidade do empreendimento.

O índio Olavo Wapichana, de Roraima, durante protesto contra a construção da Usina de Belo Monte (Antônio Cruz/ABr)
Movimentos sociais, indígenas e ambientais, do Brasil e do exterior, também chamaram a atenção para os impactos que a instalação da usina teria na região. Quando o Ministério do Meio Ambiente concedeu a licença ambiental prévia para sua construção, em 2010, os debates ficaram ainda mais intensos. Para os movimentos sociais e as lideranças indígenas da região, os impactos socioambientais foram ignorados pelo governo.
Este ano, no final de março, a usina ganhou mais destaque após um acidente de trabalho matar um homem que trabalhava na sua construção. Isso fortaleceu as reinvindicações de outros trabalhadores por melhores condições e maiores salários, resultando em greves que afetaram os principais canteiros de obras.

1. Em 2012 acaba a vigência do Protocolo de Kyoto, tratado internacional assinado em 1997 no Japão para a redução dos gases de efeito estufa.  Em dezembro de 2011, os países reunidos na 17ª Conferência das Partes realizada em Durban, África do Sul, estabeleceram novas metas até 2015, mas não se chegou a um acordo real. Um substituto deve ser definido ainda este ano, durante a conferência Rio+20 (ou Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável), a ser realizada em junho no Rio de Janeiro.
A hidrelétrica é considerada a maior obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal , e será a terceira maior do mundo quando estiver concluída – o que deve ocorrer em 2019. Ela ficará atrás apenas da Usina de Três Gargantas (China) e Itaipu (Brasil/Paraguai).
As usinas hidrelétricas Santo Antônio e Jirau, em construção no Rio Madeira (em Rondônia), também foram alvo de polêmicas. Além dos impactos sociais e ambientais, seus operários enfrentam péssimas condições de trabalho e têm feito greves reivindicando redução de horas e melhores condições. Ambas também fazem parte do PAC e devem ficar prontas em 2013.
Por que isso é importante para o concursos?
Segundo o professor de Geopolítica do Cursinho da Poli Fabio Kazama, se a questão ambiental já estava em alta nos anos anteriores, quem vai prestar vestibular agora precisa estar ainda mais inteirado do tema. E isso se deve a três fatores, além da já referida polêmica que fez o tema ganhar destaque nos noticiários:
2. A questão da divisão territorial do Pará, com o plebiscito que ocorreu em 2011, também pode colocar o tema do meio ambiente em pauta. A usina de Belo Monte deve ficar no território que pertenceria ao Estado de Tapajós e seria uma importante fonte de renda para ele.
3. O geógrafo Aziz Nacib Ab’Saber, um dos maiores especialistas brasileiros em geografia física que faleceu em março deste ano, era conhecido por ser contra a construção da usina de Belo Monte e defini-la como “um grande desastre ambiental”.
“Este ano, assim como no ano passado, a tendência é que questões ambientais caiam fortemente na maior parte dos vestibulares, especialmente nos mais tradicionais, como USP, Unesp, Unicamp – e também no Enem”, disse o professor Fabio.
O que mais é preciso saber sobre o tema?
É importante que o estudante tenha conhecimento dos biomas brasileiros, especialmente da Floresta Amazônica (área atingida pela construção), e esteja por dentro dos impactos que a usina poderá ter ali – tanto os ambientais quanto os sociais e econômicos.
- Impactos ambientais
As críticas em relação ao projeto apontam para o fato de que ele provavelmente significará que a maior floresta tropical do planeta (a Amazônia) teria uma significativa perda da cobertura vegetal e muitas espécies de peixes deixariam de existir. Eles teriam dificuldade de subir o Rio Xingu para se reproduzir e acabariam morrendo. “A ideia do governo é construir uma ’escada‘ para permitir a subida e tentar diminuir o impacto. Mas, mesmo assim, nem todos os peixes fariam o mesmo caminho e conseguiriam chegar lá”, explicou o professor Fabio.

Manifestantes do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) protestam em frente ao Ministério de Minas e Energia, na Esplanada dos Ministérios (Antônio Cruz/ABr)
- Baixa eficiência energética
A construção da usina visa suprir o aumento da demanda de energia elétrica no Brasil, que hoje é a sexta potência mundial. Porém, os críticos do projeto apontam que ela terá uma baixa eficiência energética no período de estiagem. Nessa época, que dura de quatro a cinco meses, a hidrelétrica produziria apenas 40% de sua capacidade total.
- Impactos sociais
A construção da usina vai exigir que tribos indígenas localizadas próximo à cidade de Altamira, no Pará, sejam removidas para uma nova cidade a ser estabelecida em uma região próxima. Mas, além dos problemas sociais que isso pode acarretar, essa medida ignora questões culturais. Por exemplo, os índios se recusam a deixar para trás os mortos que enterraram no solo de sua tribo, fator importante em sua cultura e religião.
- Questões políticas
A construção das usinas do PAC favorece o governo ao usar uma fonte renovável para suprir energia ao país por um custo menor e evitar apagões como o que ocorreram no passado. “O Brasil precisa investir em infraestrutura energética pra não ter um colapso. Além disso, essa seria uma forma de o governo gerar milhares de empregos na região, o que é uma importante bandeira política”, explicou o professor Fabio. “O problema é avaliar a que custo isso poderá ser feito”, completa.

10- Entenda como a denúncia contra o coronel Sebastião Curió, sobre o sequestro de guerrilheiros no Araguaia, durante a ditadura militar, pode cair em concursos públicos

Em 14 de março, o Ministério Público Federal (MPF) encaminhou à Justiça Federal do Pará uma denúncia contra o coronel da reserva do Exército Sebastião Curió Rodrigues de Moura, acusado do sequestro qualificado de cinco militantes políticos capturados durante a repressão à guerrilha do Araguaia – um movimento armado contra a ditadura militar organizado pelo PC do B e reprimido pelo Exército, entre 1972 e 1975, no sul do Pará.
O militar foi acusado de comandar a chamada Operação Marajoara, que aconteceu em 1973, quando os cinco guerrilheiros foram levados às bases militares e submetidos a sofrimento físico e moral e nunca mais foram encontrados.
Para o MPF, o crime cometido pelo coronel delito tem um caráter permanente, pois os militantes ainda estão desaparecidos. Por isso, o delito não estaria coberto pela Lei de Anistia, de 1979, que permitiu o retorno dos exilados políticos e perdoou agentes do Estado que cometeram crimes durante a ditadura.
A medida foi elogiada pela Organização das Nações Unidas (ONU) e poderia ter sido primeira ação penal por crimes cometidos durante a guerrilha do Araguaia. Mas, em 16 de março, a Justiça Federal rejeitou a denúncia, com base na lei de anistia, afirmando que em 1995, o Estado já havia reconhecido as mortes dos guerrilheiros.
A denúncia ao coronel Curió pode mesmo cair nas provas?
A denúncia em si talvez não seja abordada, mas o contexto em que ela está inserida, a ditadura militar no Brasil, sim. O tema é recorrente nos processos seletivos. Nas provas de 2012, por exemplo, o assunto esteve presente em pelo menos uma questão dos vestibulares da Fuvest, daUniversidade Federal da Bahia e da Universidade Federal do Paraná. O Enem também cobra esse tipo de questão, como fez na prova de 2009.
Para o professor de atualidades e história, Samuel Loureiro, do Cursinho do XI, de São Paulo, ao ver uma notícia como essa, o estudante precisa entender como foi o golpe militar de 1964 e o regime militar brasileiro, que durou de 1964 a 1985. O que foi a guerrilha do Araguaia e, principalmente, a lei de anistia também merece atenção.
O fim do regime também precisa ser estudado. “É importante que os estudantes entendam que uma crise econômica, que assolava o Brasil e o mundo, foi a grande responsável pelo fim da ditadura militar, e não apenas os protestos contra o governo. Na década de 1970, o mundo vivenciou duas crises do petróleo (1973 e 1979), o que desestabilizou a economia e o governo de diversos países, inclusive do Brasil”, explica o professor.
Outra dica é conhecer as manifestações artísticas da época, bem representadas pelas músicas. “O estudante precisa saber reconhecer, por exemplo, os diferentes tipos de músicas que faziam naquela época. É importante, pois marcou a nossa cultura, muitos artistas, como Caetano Veloso e Gilberto Gil, foram exilados pelas suas manifestações políticas”, diz Samuel loureiro.
O professor lista três tipos de músicas produzias, que merecem atenção: as de protesto, como “Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores”, de Geraldo Vandré; as músicas de alienação política, representada pela jovem guarda, como a música “Quero Que Vá Tudo Pro Inferno”; e as músicas ufanistas, que exaltavam o Brasil em um tempo de repressão, como a “Eu te amo meu Brasil”.
Fonte : http://guiadoestudante.abril.com.br

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