segunda-feira, 24 de novembro de 2014

As redes sociais e as mudanças de hábitos (Pr Gesiel Oliveira)


Os grupos em redes sociais revelam condutas e personalidades no mínimo estranhas que ajudam a entender um pouco a respeito do comportamento de cada pessoa. É comum as pessoas falarem pela internet o que seriam incapazes de falar pessoalmente. Estar do outro lado da tela passa a sensação de poder falar tudo o que quiser. Há pessoas que dizem: "o perfil é meu e eu posto o que quiser". Correto, mas quem disse que falar o que quiser o isenta das consequências cíveis e criminais decorrentes do excesso? É comum que pessoas que ajam assim não conheçam o limite do que se pode e do que não se deve dizer, mostrar ou revelar em redes sociais. Transformam o privado em público, perdem a noção de moderação e de privacidade, moral, pudor e discrição. Muitos sentem a falsa percepção que vivem num grande "big brother" interminável onde ele é centro das atenções. Outros transformam suas linhas do tempo em um muro das lamentações ou despejo irrestrito e gratuito de azedume, mau humor, desrespeito e indiretas. Definitivamente não é esse o propósito das redes sociais. Internet não é conversa de bar, de corredor, nem lugar pra se expor os extremos do ódio, sentimentos , discutir relacionamentos pessoais ou fazer acusações antes de conhecer os fatos. Rede social não é divã, nem confessionário, e esse excesso de exposição no máximo só ajudará a deixar a situação ainda mais complexa. É incrível a quantidade de ações judiciais movidas por crimes virtuais no judiciário brasileiro. Há também muita ostentação velada, vestida de falsa humildade. Encontramos também "professores de deus" (aqueles que tudo sabem e que suas opiniões mais parecem "dogmas", por não aceitarem nenhum tipo de contrariedade). Sinceridade nunca foi justificativa para falar tudo o que se sabe a respeito de determinado assunto particular e jorrar ao infinito da internet toda mágoa de situações que poderiam ser solucionadas em simples conversas pessoais. As relações ficam cada dia mais virtuais e menos verdadeiras. O desequilíbrio, destempero e stress são mais facilmente detonados no mundo virtual que no real. As redes sociais aproximam os que estão distantes e distanciam os que estão perto. Podem fortalecer os laços de amizades dos que estão distantes e afrouxar as relações dos que estão perto, no dia a dia e ao nosso lado por pura falta de diálogo devido ao excesso no uso. Assim como as redes tem o poder de aproximarem os que estavam distantes há anos, também tem o poder de desfazerem amizades longas por pura falta de paciência e compreensão em um simples toque no teclado com um "block" ou "unfollow" motivados pelo irrazoável de um impulso de momento da frieza do mundo virtual. Agregam centenas, e às vezes, milhares de amigos que na vida real não são amigos e que você não poderá contar quando realmente precisar. Essas novas tecnologias criaram uma nova modalidade de amizade, cada vez mais volátil, complexa e menos compreensiva. Enquanto as pessoas não deixarem desequilibradamente de viverem no mundo virtual, as relações serão cada vez menos reais. Viva a vida lá fora e experimente a felicidade da amizade real.

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