terça-feira, 13 de março de 2018

No que se tornou nossa Macapá? (Por Gesiel Oliveira)



Não reconheço mais a cidade em que nasci. Começo minha nota de repúdio fazendo essa pergunta: Que lugar é esse? No que se tornou aquela nossa linda e pacata cidade? Não há mais como suportar um clima de total insegurança que impera em nossa cidade. Cidadãos trancados e bandidos soltos. Quem se atreve a passear pelas ruas escuras vai de encontro à morte. As drogas, marginalidade, insensibilidade, indiferença, insignificância pela vida humana ganharam proporções assombrosas em terras onde impera a miséria e o desemprego. O valor da vida não ter mais sentido. Em Macapá se mata por um celular, por notebook, por tênis e até por R$10,00 se a vítima não tiver para entregar aos drogados que andam como “zumbis” perambulando pelas ruas da nossa decadente cidade, sempre procurando a quem assaltar, sempre procurando o próximo que vai levar a facada. 

Os assaltos a ônibus, furtos em escolas públicas, roubos de celulares, assaltos a residências, furto de motos, carros, tráfico de drogas, execuções Aleatórias, mortes encomendadas de dentro do IAPEN, são tantos os crimes, que não é a toa que uma ONG Mexicana apontou Macapá como a 45ª cidade mais violenta do mundo, entre as 36 mil cidades analisadas. É um jogo que quem decide quem vai viver ou morrer são os marginais. Nossa legislação é fraca, frouxa, complacente para com o bandido, herança maldita de uma mentalidade de esquerda marxista que beneficia ao extremo a bandidagem. Isso cria um clima de impunidade, o bandido tem a certeza que vai voltar às ruas logo, logo. A polícia enxuga gelo, a justiça só cumpre o que a lei determina, mas a lei é criada pelo congresso Nacional, que bem… melhor até deixar pra lá o que penso a respeito dessa tão combalida instituição. 

Quem acaba ficando preso aos traumas e pavor da vingança é o cidadão de bem. Isso quando tem a feliz oportunidade de ter uma segunda chance. Todo dia estamos sujeitos a uma verdadeira loteria da morte. Tantos jovens têm a vida ceifada, quantos sonhos, ideais, projetos de vida a serem realizados, tudo se acaba na mão de um “zumbi” ou de um miserável marginal na repugnante maldade e insensibilidade de um ser asqueroso, representante da pior escória da sociedade macapaense. E não sabemos mais o que fazer, e não adianta gritar, se revoltar, ir para as redes sociais pedir socorro, porque a indolência e incapacidade administrativa diante da situação caminha de mal a pior, em um clima de total insegurança, e nada muda. Meu repúdio aqui é contra a insegurança. Meu clamor aqui é pela PAZ. Por que isso está se tornando tão corriqueiro? Vivemos em uma verdadeira batalha urbana. Os números são de guerra. Nunca se matou tanto, nunca a maldade imperou tanto, nunca a sensação de impunidade foi tão forte. Sou pai de três filhos, um deles está entrando na adolescência. Aquela idade em que a gente acaba não conseguindo mais impedir eles de saírem, de se exporem a riscos desnecessários. Eles estão ávidos e curiosos para conhecer o que tem além das paredes e muros das nossas casas. E as coisas ruins só acontecem nessas horas, quando a gente menos espera. Essa sensação de total insegurança que toma conta das nossas vidas, que nos tira a paz, é um sentimento que até pouco tempo não conhecíamos em Macapá. 

Como pai não consigo dimensionar a dor de uma família que perde algum ente querido pra essa desgraça que se tornou as ruas da nossa cidade, por uma perda tão repentina, tão brutal e violenta. A história e um futuro promissor de adolescentes e jovens ficam reduzidos às mãos e à decisão de um bandido, a respeito de quem vive e de quem morrem. Às vezes tenho a impressão que nossa cidade se tornou uma terra sem lei, um bolsão de violência desregrada, um campo de batalha diário na incerteza nebulosa e nefasta do que irá nos acontecer amanhã. Não temos mais onde nos escondermos. Saímos de casa para trabalhar ou estudar sem a certeza de que vamos retornar com vida. Cada dia é uma vitória, cada dia me sinto mais sobrevivente nessas trevas de violência e carnificina, cada dia é um agradecimento à Deus pela vida, pois o crime espreita em todos os lugares. Não estamos seguros nem mesmo dentro de nossas casas, pois os bandidos não respeitam cerca elétrica, alarme, sistema de segurança e câmeras. 

Vivemos em um sistema de retro-alimentação viciada, incurável e irretroativo. É um ciclo incurável, incapaz de mudar esse triste, insólito e decadente quadro social. Não vou culpar o desemprego, nem dizer que isso é resultado de descaso ou mazelas sociais, porque todo ser humano sempre tem duas portas abertas em sua frente. Escolher entrar pela porta da criminalidade não é resultado de forças sociais, e sim do nosso livre arbítrio em escolher seguir esse caminho. Nem com isso afirmo que não há responsabilidade pública na malograda tentativa de escamotear a inoperância de um "marasmo" administrativo. Dizer que nossa terra não tem jeito surge até como compreensível para um povo sem força até para sonhar com a mudança. O caos está instalado, cada cidadão que se defenda por sua própria conta, evitando lugares, horários e situações. Não adianta colocar grades em suas residências, cercas elétricas, alarmes, se o crime espreita ali na esquina. Em casa trancados viramos reféns, na rua viramos alvos fáceis. É pedir proteção de Deus e sair contando com essa proteção, a única que contamos. Minha esperança está cambaleante, mas ainda não morreu. 

Mas apesar de tudo isso ainda creio que é possível vivermos em uma sociedade mais racional e menos selvagem, não nesta geração, mas investindo em conscientização em nossas crianças. O presente está praticamente perdido, resta-nos investirmos no futuro, nas nossas crianças. Estou falando de disseminar princípios que regerão toda a vida dos futuros cidadãos. Um deles, sem dúvida alguma é a leitura da Bíblia, que é desestimulada nas escolas e estimulada nos presídios, se fosse o contrário, teríamos mais cidadãos e menos presidiários. Sinceramente sinto saudade daquela Macapá das casas sem muros altos, sem cercas elétricas, sem grades, onde as famílias podiam ficar em frente às suas casas conversando até tarde da noite.

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