segunda-feira, 23 de abril de 2012

Apostila completa sobre Amazônia


AMAZÔNIA - PROF. GESIEL OLIVEIRA

CAP I: A ocupação e a organização do espaço da Amazônia desde a chegada dos portugueses em 1500 até 1964

1. A parte do território brasileiro que a Amazônia abrange
A região geoeconômica da Amazônia ou Complexo Regional da Amazônia é a maior do Brasil. Tem cerca de  4,8 milhões de quilômetros quadrados, o que corresponde a mais da metade da área territorial do Brasil (8.511.996 km?).
Abrange nove estados da federação. Seis localizam-se totalmente na região: Roraima, Ama­zonas, Acre, Rondônia, Pará e Amapá. Três aí se localizam apenas parcialmente: Mato Grosso, Tocantins e Maranhão (veja a figura)
Vivem nessa vastíssima região cerca de 11 milhões de habitantes, que representam 7% da população total do Brasil. A densidade demográ­fica (o número de habitantes por quilômetro qua­drado) é baixa. Considerando a região, ela é de 2 habitantes por quilômetro quadrado (2 hab./km2).
As áreas mais povoadas, (veja a figura) são em torno das capi­tais: Manaus, Belém, Macapá, Porto Velho e Rio Branco A área mais povoada é a de Belém, com 1.690 hab./km2. As maiores concentrações populacionais ocorrem ao longo dos vales dos rios, principalmente do Ama­zonas, do Araguaia e do Tocantins. Isso ocorre porque os rios amazônicos constituem a princi­pal via de transporte nessa região A população procura se estabelecer em áreas onde há facilidade de transporte ou de comunicação e, nesse  sentido, os rios assumem papel muito importante na  exploração  econômica do estado de Goiás (que depois, em 1988 desmembrou e sua parte norte dando origem ao Estado do Tocantins), e da porção oeste do Estado do Maranhão (área conhecida como Ama­zônia maranhense) e da porção nordeste do Estado do Pará, até a cidade de Belém.


O estado mais populoso da Amazônia é o Pará. De cada 100 habitantes dessa região, 50 moram no estado do Pará e 20 no estado do Amazonas. O estado menos populoso é Roraima, com uma população que corresponde a 2% da. popu­lação total da Amazônia.
A agropecuária é a principal atividade econômica, seguida do extrativismo vegetal e da exploração mineral.
Os estudos geológicos sobre a Amazônia rea­lizados nos últimos vinte anos têm demonstrado a existência de imensos recursos minerais. Acre­dita-se que, dentro de alguns anos, o extrativis­mo mineral amazônico se tornará a atividade econômica de maior importância na região.
A Amazônia é, na realidade, um espaço geográfico pouco modificado. Grande parte des­sa região ainda não sofreu intervenção do ho­mem. A natureza aí se apresenta em toda a sua grandeza.
A Amazônia não é somente brasileira. A Amazônia abrange terras do Brasil (a Amazônia brasileira, que estamos estudando), das Guianas, do Suriname, da República da Guiana, da Ve­nezuela, da Colômbia, do Equador, do Peru e da Bolívia. É uma imensa área, de quase 6,5 milhões de quilômetros quadrados. Para você ter idéia, a Amazônia sul-americana, como é chamada toda es­sa região, é quase do tamanho da Austrália (7,6 milhões de quilômetros quadrados) ou mais da metade da área total da Europa, que é de 10,5 milhões de quilômetros quadrados.
A Amazônia brasileira, também conhecida co­mo Amazônia Legal, tem uma área de 4,8 milhões de quilômetros quadrados.

A ocupação e a organização do espaço de 1500 a 1930
Durante o século XVL, Portugal não se preo­cupou em ocupar a Amazônia. Pelo Tratado de Tordesilhas (1494), essa região não pertencia a Portugal mas à Espanha (veja a figura). Ã Espanha, por sua vez, também não se preocupou em ocupá-la, pois estava mais interessada nas riquezas (ouro e prata) encontradas no México no Peru e na Bolívia.
Só caso de Portugal, não foi o Tratado de Tordesilhas que impediu a entrada dos portu­gueses na Amazônia. Portugal, como a Espa­nha, desejava extrair riquezas da América, e já tinha encontrado a riqueza com a agroindústria da cana-de-açúcar. Assim, as atenções e os interesses de Portugal se dirigiram para o Nordeste do Brasil, na agroindústria de cana-de-açúcar, que lhe dava bons lucros.
A Amazônia despertou a atenção de outros países da Europa, principalmente França, Ho­landa e Inglaterra, que se estabeleceram na área das Guianas, tomando posse, cada um deles, de uma parte do território, como mostra a figura.
A parte do território ocupado pela França passou a constituir a Guiana Francesa. Em 1612, a França ocupou o Maranhão, onde fundaram a cidade de São Luís.
Os franceses, holandeses e ingleses penetra­vam na Amazônia pelo Rio Amazonas e extraiam as chamadas "drogas do sertão" (cacau, guara­ná, castanha-do-pará e outros produtos), para vendê-las na Europa.
Os portugueses expulsaram os franceses de São Luís em 1615 e, em 1616, fundaram o Forte do presépio de Santa Maria de Belém do Pará, situado em ponto estratégico da ' 'entrada" do Rio Amazonas. Desse forte saíram expedições multares para fundar outros fortes e combater os franceses, ingleses e holandeses que exploravam a Amazônia.
Nesse período, a ocupação da Amazônia pêlos portugueses limitou-se aos fortes e missões religiosas. Para Portugal era praticamente impossível realizar uma maior ocupação humana na região, pois:
• não havia população suficiente na metrópole;
• as dificuldades de ocupação da vasta área amazônica eram inúmeras;
• a região não apresentava tanto interesse quanto o lucrativo Nordeste açucareiro.

Pelo Tratado de Ma d ri, em 1750, a Amazônia passa a ser de Portugal
Você já deve saber que, em 1494, Portugal e Espanha fizeram entre si um acordo ou tratado, co­nhecido com o nome de Tratado de Tordesilhas. Por esse tratado foi fixado um meridiano imaginá­rio, distante 370 léguas* a oeste das Ilhas de Cabo Verde (ilhas próximas à África, situadas no Oceano Atlântico localize-as no mapa-múndi). Esse meri­diano, chamado de Meridiano de Tordesilhas, es­tendia-se do lugar que é hoje a cidade de Belém, capital do Pará, ao norte, até o lugar hoje ocupado pela cidade de Laguna, em Santa Catarina, ao sul. Pelo Tratado de Tordesilhas, todas as terras situa­das a leste desse meridiano pertenceriam a Portu­gal; as situadas a oeste seriam da Espanha (é por isso que representamos, nas figuras as terras da América do Sul em duas cores diferentes, uma destacando o domínio espanhol e a outra, o domínio português). O Meridiano de Tordesilhas nun­ca foi demarcado, ou seja, nunca foram colocados ou fincados no solo da América ou do Brasil marcos para mostrar onde esse meridiano passava.
Apesar de o Tratado de Tordesilhas separar as terras pertencentes a Espanha e a Portugal, os por­tugueses nunca o respeitaram. Ultrapassaram a li­nha de Tordesilhas e ocuparam as terras que hoje formam Goiás, Mato Grosso, Rio Grande do Sul e Amazônia. Aí fundaram vilas, fortes e começaram a explorar os recursos naturais. Somente em 1750 a questão foi resolvida, com o Tratado de Madri. O negociador português de nome Alexandre de Gus­mão, nascido no Brasil, utilizou o direito do "uti possidetis", ou seja, é dono da terra aquele que a ocupa. Com isso, a Amazônia, Goiás e Mato Grosso passaram a fazer parte das terras portuguesas.
Do século XVII até o final do século XIX, São Luís, no Maranhão, e Belém, no Pará, fo­ram os dois principais núcleos de colonização da Amazônia.
Em 1870, o nordeste do Brasil foi atingido por uma seca prolongada o que levou muitos nordestinos a migrarem. Muitos se dirigiram pa­ra a Amazônia, onde desenvolveram uma agri­cultura de subsistência e a coleta de látex, das seringueiras nativas.
Esse período coincide com a invenção do pneu por Dunlop (1888) e com o início da pro­dução de automóveis. A borracha passava a ser um produto de grande valor e de grande procura no mundo.
Em vista disso, a produção de borracha na Amazônia aumentou bastante. Em 1910, metade da borracha consumida no mundo saía da Amazônia. A procura de seringueiras nati­vas em meio à Floresta Amazônica levou mui­tas pessoas, inclusive os migrantes nordesti­nos, a se embrenharem na floresta. Chegaram até a região que é hoje o estado do Acre, que na época, início do século XX, pertencia à Bolívia.
Muitos conflitos em razão da maior pre­sença de brasileiros que bolivianos nesse territó­rio levaram o Brasil a assinar com a Bolívia o Tratado de Petrópolis em 1903. Por meio desse tratado o Brasil comprou o Acre por 2 milhões de  Libras esterlinas (moeda do Reino Unido) , e a Bolívia recebeu um pedaço do território brasileiro que possibilitava o seu acesso ao Rio Madeira, afluente do Ama­zonas (veja a figura).

 A Bolívia poderia chegar, então, até o Oceano Atlântico por via fluvial. Além disso, o Brasil precisaria construir a Estrada de Ferro Madeira—Mamoré, para viabilizar a saída para o mar pretendida pela Bolívia.

A ocupação é a organização do espaço de 1930 a 1964
a) A cultura da pimenta-do-reino e da juta
Em 1930 ocorreu a imigração de japoneses para a Amazônia. Uma parte se estabeleceu no estacado Pará, em Tomé-Açu, não muito distan­te da cidade de Belém (veja a figura). Intro­duziram aí a cultura da pimenta-do-reino, com sucesso (depois, com o tempo, a cultura da pi­menta-do-reino espalhou-se pela Região Bragantina). Os japoneses fundaram em Tomé-Açu uma cooperativa, que se encarregou do cultivo e tam­bém da industrialização da pimenta-do-reino, sen­do dois terços da produção destinados à exporta­ção. Tomé-Açu é um exemplo sólido de agricultura com alto rendimento em clima quente e úmido.
Outros imigrantes japoneses se estabelece­ram no estado do Amazonas e introduziram aí a cultura da juta (planta que fornece uma fibra com a qual se fabricam sacarias, panos para corti­nas etc.). De início, a cultura da juta limitou-se à localidade de Parintins, no vale médio do Rio Amazonas e próximo da divisa com o estado do Pará. Posteriormente, essa cultura espalhou-se por uma vasta área, como mostra a figura. Atualmente, a cultura da juta ocupa um lugar de destaque na economia regional. É a principal cultura industrial.
b) A cultura da malva
A cultura da malva, uma planta nativa, tam­bém foi responsável pelo povoamento da Amazônia a partir de 1930. Técnicos do Ministério da Agricul­tura haviam descoberto as propriedades têxteis da malva, que possibilita fazer tecidos grossos com suas fibras. A cultura da malva espalhou-se pela área próxima a Bragança, no Pará (veja afigura).
Com a construção da Rodovia Belém—Brasí­lia, no governo de Juscelino Kubitschek (1956-1961), e as facilidades advindas para o transporte, a cultura da malva ocupou áreas ao longo dessa rodovia, no sudeste do Pará. Municípios como Paragominas e Capitão Poço tornaram-se as principais áreas pro­dutoras (veja na figura  onde se localizam).
Na década de 1950, a cultura da malva atraiu grande número de migrantes, principal­mente de nordestinos, possibilitando maior ocu­pação ou povoamento da região.

c) A produção da borracha natural
Outra fase de fluxo migratório para a Amazônia ocorreu durante a Segunda Guerra Mun­dial (1939-1945).
Alguns países da Ásia tropical, como a Bir­mânia (atual Mianmá), Malaísia, Indonésia e outros, eram a essa época grandes produtores de borracha natural, produzida a partir do látex extraído das seringueiras (veja leitura comple­mentar). Em razão da guerra, esses países foram ocupados por tropas japonesas. O Japão juntamente com a Alemanha e a Itália forma­vam os chamados países do Eixo, que guerrea­vam contra a França, Inglaterra, Estados Uni­dos e outros países, denominados Aliados.
A ocupação desses países asiáticos por tro­pas japonesas interrompeu o fornecimento de bor­racha natural para os Aliados. Assim, abriu-se para o Brasil a oportunidade de aumentar sua produção de borracha natural, para fornecer aos Aliados. Data dessa época um fluxo migratório para a Amazônia, principalmente de nordestinos, contribuindo para seu povoamento e ocupação.

d) A exploração do minério de manganês da Serra do Navio: do início ao fim
Em 1953, a Icomi (Indústria e Comércio de Minérios), em associação com a Bethlehem Steel Corp,, poderoso grupo norte-americano, rece­beu autorização do governo brasileiro para ex­plorar o minério de manganês da Serra do Na­vio, no Amapá, por 50 anos (até o ano 2003).
As das reservas do minério de man­ganês de alto teor (teor de 40%)* foram extraídas nos trinta primeiro anos, no restante dos anos a empresa passou a explorar minério de baixo teor juntamente com outros minerais.
A produção de manganês destina-se aos Es­tados Unidos. Da Serra do Navio, localidade distante de Macapá cerca de 198 km, o minério de manganês é transportado pela Estrada de Fer­ro do Amapá até o porto marítimo de Santana. Tanto a ferrovia como o porto marítimo foram construídos com a finalidade de escoar o minério de manganês. O manganês, formando liga com o ferro, dá origem a um tipo de aço, sendo, portanto, uma matéria-prirna muito importante para a indústria siderúrgica. A exploração do minério de manganês no Amapá e a construção da ferrovia e do Porto de Santana tiveram e ainda continuam tendo in­fluência na ocupação e povoamento do Amapá.
O manganês extraído do Amapá está guardado no Deserto de Nevada, nos Estados Unidos   -
Em seu livro Amazônia: monopólio, expropria­ção e conflitos, o geógrafo Ariovaldo Umbelino de Oliveira, ao discutir a questão mineral na Amazônia, o Projeto Carajás, a internacionalização dos recur­sos naturais da Amazônia, diz:
"A sociedade civil brasileira tem urgentemen­te que rediscutir esse programa, sob pena de estarmos sendo coniventes com a destruição futura dos recursos naturais da Amazônia, comprometendo as gerações futuras neste país. O melhor exemplo, dis­so é o fato de que o manganês da Serra do Navio foi estocado no Deserto de Nevada, nos Estados Unidos, onde é objeto de visitas turísticas. E a Serra do Navio, e o Amapá, e. a Amazônia, e o Brasil? "Vê-se que os Estados Unidos estocaram minério de manganês para o futuro em razão do esgotamento de suas principais jazidas”.

e) A exploração de cassiterita (minério de estanho) em Rondônia
Em 1958 teve início a exploração da cassi­terita em Rondônia, sob a forma de garimpagem. Muitas pessoas migraram para lá, mas os métodos primitivos de extração e as dificuldades de escoamento impediam, no entanto, um maior desenvolvimento da produção.
Em 1965, quando a Rodovia Brasília— Acre alcançou Porto Velho, capital de Rondô­nia, facilitando por conseguinte as comunicações e o transporte, a extração da cassiterita tomou novo rumo. Pessoas que se dedicavam à coleta de látex na floresta passaram a partir daí a dedi­car-se à extração de cassiterita.
Além disso, foi organizada uma empresa de mineração para explorar com técnicas modernas o produto. Em poucos anos, essa empresa tor­nou o Brasil exportador de estanho. Até 1969, dependíamos da importação do produto. A par­tir de 1970, o Brasil passou a exportador.
O estanho é um metal utilizado na fabrica­ção de latas para acondicionar produtos alimen­tícios. A exploração desse minério contribuiu pa­ra a ocupação e o desenvolvimento econômico de Rondônia, atraindo muitas pessoas, princi­palmente quando a extração da cassiterita era feita sob a forma de garimpo.
Apesar dos fluxos migratórios, da imigra­ção japonesa e da exploração do minério de man­ganês no Amapá, da cassiterita em Rondônia e da borracha no Amazonas, a Amazônia somente vai ter uma maior ocupação populacional a par­tir da década de 1960 (veja a tabela).
Até 1960, a ocupação ou o povoamento da Amazônia era muito pequeno. A população em Roraima e em Rondônia era inexpressiva. Foi só a partir da década de 1960, e mais precisa­mente a partir de 1964, que passou a ocorrer um fluxo migratório de outras regiões, principalmen­te para o estado de Rondônia. A população des­se estado alcançou, em 1991, 1.130.874 habitantes. Em relação ao censo de 1960, a população de Rondônia aumentou cerca de 17 vezes; a de Roraima, cerca de 8; a do Pará, cerca de 3,5; a do Amazonas, cerca de 3; a do Acre, cerca.de 2,6; e a do Amapá, cerca de 4,.2 vezes. Rondô­nia foi o estado da Amazônia que mais cresceu em população entre 1960 e 1991. O maior po­voamento e aproveitamento econômico desse es­tado é, portanto, um fato muito recente, de apro­ximadamente trinta anos. Estudaremos, no pró­ximo capítulo, o povoamento a partir da década de 1960 até os dias atuais.

LEITURA COMPLEMENTAR
O caso das mudas de seringueiras da Amazônia levadas para a Ásia pêlos ingleses
Várias plantas produzem borracha: o caucho, a mangabeira, a maniçoba, a balata, a maçaranduba e a Hevea brasiliensis. De todas, a Hevea brasiiiensis se destaca, seja pela quantidade pro­duzida, seja pela aplicação. Todas elas receberam o nome geral de seringueira porque a grande apli­cação da borracha era na fabricação de seringas de uso médico.
A Hevea brasiliensis é uma árvore de tronco robusto e folhagem escassa, nativa de várias áreas da Amazônia (alto dos rios Juruá, Purus, Madeira, Tapajós e nas matas de igapó do oeste da Ilha de Marajó).
A maior importância econômica da borracha teve início depois que Charles Goodyear, nos Es­tados Unidos, e Thomas Hancock, na Inglaterra, descobriram o processo de vulcanização*. Contu­do, foi com a invenção do pneu por Dunlop, em 1888, que a borracha adquiriu grande importância no mercado mundial.
O Brasil, com seus seringais nativos da Amazônia, tinha praticamente o monopólio do produto até 1912, pois a produção da América Central, da África equatorial e da índia era insignificante.
Do final do século XIX até 1912, o estado do Amazonas, o principal produtor, viveu um impor­tante surto econômico. Milhares de pessoas migra­ram para a Amazônia em busca de riqueza. Entre elas, muitos nordestinos fugidos da grande seca de 1870, os quais chegaram até o Acre. São exem­plos desse período áureo as velhas e luxuosas construções nas cidades de Belém e Manaus, fei­tas com materiais importados da Europa.
Esse período, no entanto, foi de curta dura­ção. Enquanto o Brasil ficou dependendo da cole-ta da borracha silvestre, sem a preocupação de plantá-la e de racionalizar o seu cultivo, os ingle­ses, percebendo a grande importância econômica do produto, levaram sementes da Amazônia.
Em 1876, o inglês Henry A. Wickham obteve 70 mil sementes de seringueira do vale do Tapajós e as transportou para a Inglaterra, no vapor inglês Amazonas. As sementes foram levadas para o Jar­dim Botânico de Kew, em Londres, onde seu diretor, Hooker, aclimatou-as e cuidou para que elas germinassem. Das 70 mil sementes apenas 2.400 germinaram. Em seguida foram levadas para as colônias inglesas do sul e sudeste da Ásia (a Ingla­terra tinha aí um grande império colonial). Primeira­mente foram plantadas na Ilha do Ceilão (atual Sri Lanka). Posteriormente foram cultivadas em Cingapura e, daí, as plantações foram ocupar grandes áreas do Sudeste Asiático, formando grandes plantations na Malaísia, Indonésia, Tailândia, Índia etc.
Uma vez racionalizado o cultivo, a produção das colônias inglesas superou a do Brasil, que continua­va confiando apenas na produção de espécies nativas.
De primeiro produtor mundial, o Brasil pas­sou a ocupar posição secundária, e atualmente é o 12? produtor do mundo, com uma produção bem baixa se comparada à dos países asiáticos. Enquanto a Indonésia produz por ano 1.284.000 toneladas de borracha natural, a Malaísia e a Tai­lândia, cerca de 1.200.000 toneladas, o Brasil pro­duz cerca de 23 mil toneladas de origem silvestre e 22 mil de seringueiras plantadas. É uma produ­ção cerca de 56 vezes menor que a da Indonésia, que foi o primeiro produtor mundial em 1991.
Vê-se, assim, que o Brasil perdeu há muito tempo o lugar de destaque na produção de borra­cha natural. E perdeu porque confiou apenas na produção silvestre e não se preocupou em fazer plantações racionalizadas como os ingleses fizeram na Ásia. Nos últimos anos, entretanto, o plantio de borracha natural tem crescido no Brasil. E não só na Amazônia. Os estados de São Paulo, Bahia, Es­pírito Santo e Mato Grosso também produzem bor­racha natural. Quanto à borracha obtida de serin­gais plantados, o estado de São Paulo, a Bahia e Mato Grosso são os primeiros produtores nacionais. Das espécies silvestres o estado do Acre é o maior produtor, seguido de Rondônia, Amazonas e Pará.

CAPII: Amazônia: a ocupação e a organização do
espaço após 1964

As idéias que deram sustentação ao plano dos governos militares (1964-1982) para a ocupação da Amazônia

De 1964 a.1982_ instalou-se no Brasil o Re­gime Militar, Durante esse período, o país teve como presidentes da república apenas militares.
Segundo os militares:
1º) A Amazônia devia ser ocupada por ques­tão de segurança nacional, ou seja, essa vasta porção do território brasileiro deveria ser defen­dida das ameaças externas. A Amazônia é ho­je uma região internacionalizada (como pratica.-mente todo o mundo), sem, contudo, ter-se tor­nado território internacional, pois aí atuam gran­des empresas estrangeiras ou multinacionais na exploração de minérios, na agricultura, na pe­cuária e na atividade industrial.
2º) A Amazônia devia ser ocupada para melhorar não só a vida do caboclo da região, mas também a do nordestino. Os nordestinos seriam atraídos para a Amazônia, pois a pobre­za da população nordestina facilitava, segundo os militares, a penetração de idéias políticas so­cialistas, contrárias, portanto, às defendidas por eles. Assim, a Amazônia serviria como ''válvula de segurança", ou seja, ajudaria a aliviar as tensões sociais no Nordeste, decorrentes dos vio­lentos contrastes sociais — uma minoria pro­prietária de terras e de alta renda e a grande maioria miserável e pobre.

Com esse propósito, os militares, então, par­tiram para a execução das seguintes medidas:
1. Criação de órgãos de desenvolvimento re­gional — a Sudam (Superintendência do Desen­volvimento da Amazônia) e a Sudeco (Superin­tendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste).
2. Construção de rodovias com o objetivo de integrar a Amazônia internamente e com as demais regiões do Brasil.
3. Levantamento e mapeamento dos recur­sos naturais da Amazônia através de fotografias aéreas. O Projeto Radam (Radar da Amazônia) localizou e mapeou jazidas minerais, permitindo que o governo federal estabelecesse planos para a exploração mineral na região.
4. Instalação, em 1985, do Projeto Calha Norte, que estabelecia bases militares ao norte dos vales (calhas) dos rios Solimões c Amazonas, com o objetivo de controlar militarmente a re­gião, combater o contrabando de ouro e apazi­guar os conflitos entre garimpeiros, indígenas, empresários e fazendeiros (veja a figura). Apenas algumas das bases previstas pelo projeto foram estabelecidas.

O Projeto Calha Norte se estenderia pelo norte da Amazônia, abrangendo uma área de 6.500 km de extensão por 160 km de largura, ao longo das fronteiras com a Guiana Francesa, Suriname, Guiana, Venezuela e Colômbia.
A seguir vamos estudar um pouco mais so­bre as atitudes tomadas pêlos governos militares que contribuíram para ampliar a ocupação da Amazônia.

Fatores que incentivaram a ocupação e o povoamento da Amazônia após 1964:

a) A construção de rodovias de integração nacional
As rodovias Transamazônica, Cuiabá — San­tarém, Brasília — Acre, Perimetral Norte, Ma­naus—Porto Velho e outras exerceram grande influência no aumento populacional da Amazônia (veja a figura).
No capítulo anterior, fizemos uma compara­ção da população de Rondônia entre 1960 e 1991. Agora faremos a comparação entre 1970 e 1991. Em 1970 Rondônia tinha apenas 111 mil habi­tantes. Em 1991, 21 anos depois, portanto, a população era de 1.130.874 habitantes, ou seja, o número de habitantes cresceu cerca de dez vezes. Rondônia foi o estado da Amazônia que mais aumentou em população. A Rodovia Ma­rechal Rondon ou BR-364, conhecida como Cuia­bá—Porto Velho, asfaltada em 1984, muito con­tribuiu para esse aumento populacional.
Cumpre lembrar que, em Rondônia, junta­mente com o aumento da população, vem ocor­rendo também uma grande devastação das flo­restas (veja a figura). Calcula-se que, se esse ritmo de desmatamento continuar, Rondô­nia não terá mais florestas ainda no final do século XX. Aí se perderão muitas espécies vege­tais que o homem ainda nem chegou a conhecer. A destruição das florestas ocorre por duas razoes principais: lª) derrubada da mata, segui­da da queimada, para a prática da agricultura e formação de pastagens; 2ª) intensa exploração madeireira (mogno, cerejeira, peroba, angelim, muiracatiara, castanheira etc.).

b) A garimparem de ouro e diamante
A garimpagem atraiu milhares de pessoas para a Amazônia: ouro em Serra Pelada, no Pará; diamante e ouro em Roraima e no estado do Amazonas, no vale do Rio Tapajós e seus afluentes da margem direita; ouro no vale do Rio Madeira, no Amazonas; diamante em To­cantins etc. (veja a figura).
Acontece que a garimpagem tem causado enormes danos ambientais. Além da erosão de terras provocada pelo desvio de água dos rios para a atividade de garimpagem, o uso do mer­cúrio pelo garimpeiro no processo final da extração do ouro tem causado o envenenamento de pessoas e peixes. O vale do Rio Tapajós é a principal área de garimpo no Brasil e uma das mais poluídas com o mercúrio usado pêlos ga­rimpeiros (leia o quadro).

Garimpagem, mercúrio e envenenamento
O envenenamento por mercúrio usado nos garimpos pode ocorrer de duas formas: a primeira, pelo vapor desprendido quando o garimpeiro queima com o fogo do maçarico o mercúrio misturado ao cascalho para separar o ouro; a segunda, mais grave, é o en­venenamento provocado pelo consumo de peixes con­taminados pelo mercúrio.
A forma mais comum de envenenamento é pela aspiração dos gases do mercúrio, durante a queima. Os sintomas são dor de cabeça, tontura, tremores, dormência nas mãos, insônia, palpitação do coração e outros, variáveis de acordo com a pessoa. Já os habi­tantes das áreas banhadas pêlos rios contaminados apresentam o segundo tipo de envenenamento, pois o peixe é alimento básico para muitos deles. Veja, por­tanto, que a situação é grave.
Calcula-se que, desde 1958, a garimpagem no vale do Rio Tapajós despejou nas águas desse rio e de seus afluentes centenas de toneladas de mercúrio. A quantidade é maior que a lançada na Baía de Mina-mata, entre 1938 e 1968, pelas indústrias japonesas da região. Milhares de japoneses morreram ou tive­ram doenças terríveis. A própria medicina não sabia diagnosticar a doença. Somente bem mais tarde é que se descobriu que o mercúrio era o causador da tragédia.

c) A exploração do minério de ferro e da bauxita
Até as décadas de 1960 e 1970, muitos mi­nérios utilizados pelo Canadá, pêlos Estados Uni­dos e por países europeus eram fornecidos por multinacionais que os obtinham na África.
Por essa época, a maioria das nações africa­nas conquistaram sua independência em relação às metrópoles européias, fato esse conhecido co­mo descolonização africana.
Com a independência, as novas nações afri­canas poderiam aumentar o preço de seus miné­rios ou criar dificuldades para o abastecimento dos países industrializados. Foi, então, que em­presas multinacionais, para escapar de um con­trole ou de obstáculos colocados pêlos novos paí­ses africanos, voltaram-se para a pesquisa de minérios no subsolo amazônico.
A United States Steel, poderosa empresa multinacional norte-americana fabricante de aço, já no início da década de 1960, começou a pro­curar minério de manganês na Amazônia. Em 1967 descobriu importante jazida de minério de ferro e de manganês na Serra dos Carajás, no vale médio do Rio Tocantins, no sul do Pará (veja a figura).
Estudos mais detalhados realizados poste­riormente mostraram que a região de Carajás é uma importantíssima área de jazidas minerais, talvez a mais importante do mundo. Além do minério de ferro e manganês foram aí encontra­dos níquel, cobre, zinco, molibdênio, ouro, bau­xita (minério de alumínio) e outros.
Para o escoamento da produção dos miné­rios da Serra dos Carajás foi construída a Estra­da de Ferro Carajás, que une Carajás ao Porto de Itaqui, no Maranhão. De Itaqui, os minérios são exportados para os Estados Unidos, Japão, Alemanha, Canadá e outros países.
Em 1967 também foram descobertas as ja­zidas de bauxita (minério de alumínio), no vale do Rio Trombetas, pela empresa canadense Alcan, que também dependia do fornecimento de nações africanas.
Entre as jazidas minerais descobertas pelo Projeto Radam, na década de 1970, destacam-se os depósitos de bauxita em Paragominas, no Pa­rá (veja a figura).
As jazidas de minério de alumínio (bauxita) da Amazônia correspondem a um sexto das re­servas mundiais; são, portanto, bastante atrativas para os grupos mineradores do setor.
A Alcan Aluminium e mais cinco outras em­presas estrangeiras detêm o controle mundial do comércio de alumínio. Fazem parte das "seis ir­mãs" a Alcan (Canadá), a Alcoa (EUA), a Rey­nolds (EUA), a Kayser (EUA), a Péchiney (Fran­ça) e a Alusuisse (Suíça).
A Albrás e a Alunorte, empresas formadas pela associação da Companhia Vale do Rio Do­ce (CVRD), estatal brasileira, com a Nippon Amazon Aluminium Co., industrializam a bau­xita, produzindo alumínio e alumina (esses dois produtos resultam da purificação da bauxita).
Os projetos de exploração da bauxita ameaçam o meio ambiente. Nos países desenvolvidos, as pressões sobre as indústrias que purificam a bauxita são grandes.
E por essa razão que essas indústrias têm se instalado nos países subdesen­volvidos, onde as pressões contra a poluição são menores ou até mesmo inexistentes. A explora­ção da bauxita pela Mineração Rio do Norte no vale do Rio Trombetas, por exemplo, já está causando problemas ao meio ambiente. Os rejei­tos poluentes da mineração da bauxita estão sen­do despejados em um lago natural, sedimentan­do-o e comprometendo a vida animal.
Para a fabricação de alumínio e alumina é necessária muita energia elétrica. Para as multi­nacionais associadas à Companhia Vale do Rio Doce, esse problema foi resolvido com a constru­ção da Hidroelétrica de Tucuruí, no Rio Tocan­tins. Essa usina foi construída pela Eletrobrás, a empresa estatal responsável pela política de ener­gia elétrica no Brasil. (Leia o quadro 15-D, que trata do impacto ambiental causado pelas usinas hidroelétricas.) Para construir essa usina, o go­verno brasileiro assumiu empréstimos no exte­rior, aumentando sua dívida externa.

Por que as "seis irmãs" procuraram o Brasil?
A produção mundial de alumínio é controlada por um cartel de seis empresas lideradas pela Alcoa e pela Alcan. Nos anos 60, os países produ­tores de bauxita, tendo à frente a Jamaica, inicia­ram esforços para elevar o preço do minério inter­nacionalmente. As multinacionais reagiram, abrindo minas na Austrália e no Brasil, onde grandes reser­vas foram oportunamente descobertas. Além disso, devido a problemas de poluição e aumento dos cus­tos de energia, as "seis irmãs” resolveram transfe­rir suas usinas para países subdesenvolvidos.


Para não elevar o custo de produção para as fábricas de alumínio e alumina — Albrás, Alunorte e Alumar (localize-as na figura 15.7) —, em vista do grande consumo de energia neces­sário para purificar a bauxita, a Hidroelétrica de Tucuruí cobra a energia elétrica a um preço 15% menor, O Brasil dá, assim, uma boa "co­lher de chá" para as multinacionais, sem contar outras facilidades, como isenção de vários im­postos.
Os impostos são o meio que o governo uti­liza para arrecadar dinheiro para construir estra­das, hospitais, postos de saúde, escolas, hidroelétricas, pagar os funcionários públicos, os mili­tares, a polícia etc. Assim, os impostos são im­portantes para o desenvolvimento de qualquer país. Entretanto, para incentivar os investimen­tos, muitas vezes o governo dispensa empresas do pagamento de impostos e até mesmo oferece a elas empréstimos em dinheiro a juros bem bai­xos. Há muitas empresas favorecidas com isen­ção de impostos. Assim, muitas vezes, a isenção de impostos também pode ser importante para o desenvolvimento de uma região.
Os projetos minerais contribuíram para o crescimento populacional da Amazônia. Operá­rios, engenheiros de minas, geólogos, técnicos, pessoal administrativo e trabalhadores em geral foram atraídos para trabalhar na região.
Para você ter uma idéia, a exploração do minério de ferro na Serra dos Carajás criou cerca de 7 mil empregos; a exploração da bauxita no vale do Rio Trombetas abriu cerca de 1.600 empre­gos; a fábrica da Albrás, 3 mil, e a da Alunorte, 850.

d) A construção de hidroelétricas
A construção de uma hidroelétrica exige mão-de-obra numerosa. Assim, devemos concluir que a recente construção de hidroelétricas na Amazônia tem incentivado a ocupação e a exploração econômica da região.
Os governos militares e os que os sucede­ram destinaram muito dinheiro para a constru­ção de hidroelétricas na Amazônia: Tucuruí, no Rio Tocantins, no estado do Pará; Balbina, no Rio Uatumã, no estado do Amazonas; Samuel, no Rio Jamari, em Rondônia; Curuá-Una, no Rio Curuá-Una, no município de Santarém, no estado do Pará; São Félix, no Rio Araguaia, entre os estados de Mato Grosso e Tocantins; e Coaracy Nunes, no Rio Araguari, no Amapá (veja a figura 15.10).
A energia elétrica é fator importantíssimo para o desenvolvimento de atividades econômicas. Assim, a construção de hidroelétricas na Amazônia representa a possibilidade de seu de­senvolvimento econômico. Mas, por outro lado, as grandes represas das hidroelétricas represen­tam problemas para o meio ambiente (leia os quadros 15-C e 15-D)

e) A criação da Zona Franca de Manaus
Em 1967, o governo militar criou a Zona Franca de Manaus, sob o controle da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus). Localiza-se no distrito industrial da cidade de Manaus, onde empresas nacionais e multinacionais podem se instalar sem a obrigatoriedade de pagar impostos (Imposto sobre Produtos Indus­trializados, Imposto sobre Circulação de Merca­dorias e Serviços, Imposto sobre Exportação e Importação) . A Zona Franca de Manaus começou a fun­cionar somente em 1972, depois que as obras de infra-estrutura do distrito industrial estavam ter­minadas. É um sistema semelhante ao implanta­do em Hong Kong e Cingapura, na Ásia, ou seja, um porto livre.
Várias empresas estrangeiras ali se instala­ram, principalmente as de origem japonesa (Sa­nyo, Sony, Toshiba, Yamaha, Honda etc.), se­guidas de empresas norte-americanas, alemãs, francesas e italianas. São principalmente indús­trias do setor eletrônico, elétrico, relojoeiro, me­cânico, metalúrgico, químico, madeireiro etc. Os produtos não são fabricados aí; são montados com peças importadas.
A isenção de impostos e a mão-de-obra ba­rata foram os principais fatores que atraíram as indústrias para a Zona Franca. Com isso, elas exportam mercadorias de alta competitividade no mercado internacional, devido a seu baixo custo.

Os problemas das grandes represas da Amazônia
“As grandes represas que atualmente estão sen­do construídas na região amazônica provavelmente não causarão os mesmos problemas da represa Nasser [que acabou prejudicando a agricultura num tre­cho do vale do Rio Nilo, no Egito], assim como não proporcionarão os mesmos benefícios, a não ser, evidentemente, os da energia elétrica.
Não se tratando de terras áridas, essas repre­sas não terão utilidade para a irrigação. Na maioria dos casos, não facilitarão a navegação ou ela não será necessária, o mesmo acontecendo com respei­to ao abastecimento de água potável. Quanto à pes­ca, esta certamente será prejudicada, pois os rios envolvidos são muito ricos em excelentes espécies de peixes de água corrente, as quais em geral não se adaptam às condições de represa.
Outros tipos de impactos ambientais que não ocorreram no deserto africano poderão surgir na Amazônia. Já vimos que o desmatamento em larga escala mesmo quando substituído por áreas lí­quidas reduz a evapotranspiração, alterando o ciclo das águas na região. Assim sendo, são conde­náveis as represas que ocupam grandes áreas, e, em geral, as represas amazônicas, com poucas exceções, englobarão áreas grandes em relação ao volume de água represado, uma vez que os decli­ves são muito pequenos naquela imensa planície.
Por outro lado, o afogamento de enormes mas­sas de matéria orgânica, representadas pelas flo­restas inundadas, leva à sua putrefação, acompa­nhada do consumo de oxigênio da água, e à gera­ção de gás sulfídrico e outros produtos tóxicos à população de peixes e demais organismos aquáti­cos. O gás sulfídrico, além de muito tóxico, é alta­mente corrosivo, tendo já causado a perda de gran­des turbinas na região amazônica.”
(Samuel Murgel Branco, O meio ambiente em debate, São Paulo, Moderna, 1994, p. 50.)

Para o Brasil, o que fica? Argumenta-se que essas indústrias são grandes geradoras de emprego. E verdade. A industrialização de Ma­naus impulsionou o crescimento do comércio e atraiu a população do interior e de outros esta­dos brasileiros. A população de Manaus corres­ponde, hoje, a 48% do total da população do estado do Amazonas. É uma forte concentração populacional.

f) A construção da Ferrovia NorteSul
Está projetada a construção de uma ferro­via que ligará Brasília (DF) e Anápolis (GO) a Açailândia, no sul do Maranhão. Aí ela se ligará à Estrada de Ferro Carajás, que chega até o Porto de Itaqui, em São Luís, no litoral do Ma­ranhão,por falta de dinheiro do governo, até 1993 tinha sido construído apenas um pequeno tre­cho, no estado do Maranhão. Quando essa fer­rovia estiver concluída, acredita-se que as áreas ao longo de seu trajeto atrairão muitas pessoas, pois as vias de transportes são fatores importan­tes para fixar uma população em determinada região.Muitas outras iniciativas, tanto particulares como oficiais, têm ocorrido na Amazônia, esti­mulando a ocupação regional. Entretanto, essa ocupação tem sido realizada atualmente à custa de grandes conflitos entre os vários grupos que têm interesses na Amazônia.

g) Os núcleos ou projetos de colonização dirigida
O Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), um órgão federal, criou, após 1964, os núcleos ou projetos de coloniza­ção dirigida na Amazônia. Isso atendia à idéia dos governos militares de colonizar essa vasta região, por questão de segurança nacional e para aliviar as pressões sociais existentes principal­mente no Nordeste, como já vimos? Esses nú­cleos atraíram milhares de pessoas de várias par­tes do Brasil, no período de 1970 a 1975.

O Incra introduziu diferentes tipos de pro­jetos ou núcleos de colonização (veja a figu­ra):
O Projeto Integrado de Colonização (PIC), no qual o Incra fez o assentamento das famílias de colonos, prestou assistência técnica por meio de agrônomos e concedeu empréstimos em dinheiro;
O Projeto de Assentamento (PA), no qual o Incra fez a demarcação das terras de cada família e forneceu o documento da propriedade, mas não prestou assistência técnica nem financeira.
Os núcleos de colonização denominados agrovilas, criados pelo Incra principalmente em tre­chos ao longo da Rodovia Transamazônica, fa­zem parte do PIC.
As agrovilas não apresentaram os resulta­dos esperados. Enfrentaram uma série de pro­blemas: falta de assistência médica e escolar, localização distante de centros maiores, insufi­ciente orientação técnica de como lidar com o solo, insuficiente assistência financeira etc. Em vista disso, muitas famílias das agrovilas desis­tiram do projeto e migraram para outras áreas. Houve um desestímulo para o crescimento das agrovilas ou para a colonização dirigida pelo Incra.
Além dos projetos oficiais de colonização dirigida, através do Incra, existiram também os realizados por empresas particulares (veja a figu­ra 15:11).


A colonização por meio da grande empresa ou do grande capital
Em 1974, no governo militar do presidente Ernesto Geisel, a idéia de povoar ou ocupar a Amazônia por meio da colonização dirigida foi abandonada.
 Em seu lugar, o governo introdu­ziu a colonização por meio da grande empresa ou do grande capital nacional e estrangeiro, num processo de internacionalização da Amazônia. Isso não quer dizer que antes não houvesse grandes empresas na Amazônia; muitas já ha­viam se instalado bem antes.
Foi assim que grandes empresas, estimula­das pelas facilidades oferecidas pelo governo fe­deral (isenção de impostos, empréstimos de di­nheiro a longo prazo e a juros baixos, descontos no imposto de renda — os chamados incentivos fiscais), começaram a instalar enormes projetos agropecuários na Amazônia; Volkswagen, Bradesco, Bamerindus, Tamakavy, Sadia, Suiá-Missu, Frigorífico Atlas S.A, (de que participam em­presas alemãs), Camargo Corrêa, Banco de Cré­dito Nacional, Projeto Jari e muitas outras,
A chegada dos grandes projetos agropecuá­rios na Amazônia representou uma grande des­truição da floresta. Além disso gerou muitos con­flitos de interesse entre as partes envolvidas na ocupação: as grandes empresas, os indígenas, os sem-terra, os posseiros*, os garimpeiros e a so­ciedade brasileira de modo geral.
Muitas tribos indígenas têm perdido suas terras. Outras têm tido suas terras diminuídas, em vista da penetração da grande empresa ou do grande capital.
Além disso, muitos indígenas têm sido con­tagiados pelas doenças levadas pelo "novo con­quistador", principalmente pêlos garimpeiros,
enquanto outros são absorvidos pela cultura da nossa civilização e transformados em peões ou mão-de-obra barata para os fazendeiros da região.
Quando não são abatidos pelas doenças, os indígenas são assassinados brutalmente pêlos ga­rimpeiros, pêlos grileiros e outros, como ocor­reu em 1993 com os ianomâmis na fronteira do Brasil com a Venezuela.
O garimpeiro é vencido pela grande em­presa de mineração; o pequeno agricultor, pela grande empresa agropecuária. Os sem-terra e os peões são colocados, muitas vezes, sob a con­dição de servidão nas fazendas. Não são protegi­dos por leis trabalhistas e são submetidos a pés­simas condições de trabalho e de moradia. Não podem deixar a fazenda enquanto não pagarem o que devem ao dono da fazenda e do armazém onde compram alimentos.
O posseiro é expulso da terra, de sua pe­quena roça, onde pratica uma agricultura de subsistência. E, em meio a tudo isso, a compra e venda de terras na Amazônia enriquece muita gente, inclusive corretores estrangeiros.
Os trabalhadores no extrativismo vegetal, co­mo, por exemplo, os seringueiros e os castanheiros (que coletam castanha-do-pará), entram em confli­tos com as empresas madeireiras e com os fazendei­ros. Os trabalhadores lutam para que as florestas não sejam derrubadas, pois elas são para eles a fon­te de vida, a fonte de sustento familiar. As empre­sas madeireiras e os fazendeiros, por sua vez, dese­jam extrair madeiras para serem vendidas ou desejam derrubar a floresta para formar pastagens.

O espaço amazônico está sendo organiza­do segundo os interesses principalmente do gran­de capital da grande empresa, E isso choca-se com os interesses do pequeno agricultor, das co­munidades indígenas, dos sem-terra e da socie­dade brasileira em geral.
Por que isso se choca com os interesses da sociedade brasileira em geral?
Porque a Amazônia está sendo destruída. Sua ocupação tem sido feita de forma desorde­nada sem os necessários cuidados ecológicos. Des­se modo, a ocupação da Amazônia necessita de uma reavaliação. Não se pode continuar des­truindo a floresta, os rios (com mercúrio) e os ecossistemas. Não se pode, também, continuar expulsando e matando indígenas e submetendo trabalhadores à condição de servidão.
Sabemos que a maior ocupação e o maior aproveitamento econômico do espaço amazônico deverão ocorrer um dia, devido à necessidade de desenvolvimento econômico do país. Entretanto, o que se deve discutir é como deve ocorrer essa ocupação. Já cometemos muitos erros, e eles devem nos servir de lição.
Qual a melhor solução para uma explora­ção racional e não destruidora da Amazônia?
Essa pergunta precisa ser feita a todo o mo­mento e deve orientar a ocupação e organização do espaço amazônico.


TEXTO COMPLEMENTAR I

Pistoleiros e açúcar envenenado foram usados para desocupar terras na Amazônia.
Os conflitos entre as partes que disputam um lugar no espaço territorial amazônico têm causado muitas mortes. Foi muito comum, quando da im­plantação dos grandes projetos agropecuários, con­tratar pistoleiros e jagunços (assassinos pagos) pa­ra expulsar posseiros e índios das terras dos projetos.
É conhecido o "massacre do paralelo 11". Pistoleiros assassinaram iodos os indígenas de uma aldeia da tribo dos Cinta-Larga, para desocupar uma área de terra. É também conhecido o caso em que muitos índios "Beiço-de-Pau" morreram porque co­meram açúcar envenenado fornecido pelo branco.
De 1.100 assassinatos de trabalhadores ru­rais no Brasil no período de 1964 a 1985, 535 ocor­reram na Amazônia. Desses, 489 ocorreram no pe­ríodo de 1974 a 1985, justamente quando foram implantados os grandes projetos agropecuários.

TEXTO COMPLEMENTAR II

Projetos agropecuários na Amazônia*
... a Amazônia era pouco habitada e com isso não havia mão-de-obra para trabalhar nas fazen­das em formação. Para resolver esse problema entraram em ação os empreiteiros de mão-de-obra, conhecidos pelo apelido de "gatos". Assim, eles foram procurar mão-de-obra nas áreas onde a cri­se agrária estava mais acentuada, como é o caso do oeste do Maranhão, Piauí, do Nordeste e de outros estados; Goiás, Minas Gerais, Paraná, São Paulo etc.
No seu local de origem, os trabalhadores ru­rais são seduzidos por propostas mirabolantes, até serem colocados em caminhão e, depois de cuida­dosamente vigiados em cada pouso, são entre­gues na frente de trabalho. Os contratos são verbais, O trabalhador não recebe carteira de trabalho nem qualquer contrato avulso, Por isso não há limites para a exploração de sua força de trabalho, Ele labuta de sol a sol, em condições de alimentação e de habitação que dependem exclusivamente do dono ou do admi­nistrador da fazenda.
O empresário do projeto agropecuário não tem apenas o monopólio* do comércio; tem tam­bém o da justiça, visto que todas as pendências com os trabalhadores são resolvidas pela polícia privada, composta de capangas (jagunços) arma­dos até os dentes. Assassinatos, surras e o uso freqüente do cárcere privado, embora proibido pe­la lei brasileira, lá ficam impunes. Ao contrário, quan­do os trabalhadores se unem e combatem os ca­pangas, a polícia estadual é chamada para impe­dir a revolta.
Formado o pasto, implantadas as benfeitorias, os trabalhadores são dispensados em massa, sem qualquer indenização. Esgotados e, às vezes, sem dinheiro sequer para retornar a sua terra, ficam na região. Penetram na mata, escolhem um certo lu­gar e ali praticam uma agricultura de subsistência, tornando-se posseiros. Ficam perto uns dos outros em virtude da insegurança que os cerca. Assim surgiram e cresceram" grandes aglomerados de pos­seiros na região (Palestina e São Domingos do Araguaia, no Pará, a leste de Marabá, ao longo da Rodovia Transamazônica etc.}.
Aí surge e começa outra história que é o confronto entre os grileiros, isto é, indivíduos que procuram apossar-se de terras alheias mediante falsos documentos de propriedade da terra, e os posseiros.
(Orlando Valverde e Tácito Reis de Freitas, O problema flo­resta! na Amazónia brasileira, Petrópolis, Vozes, 1982, p. 39-41)

CAP III - Amazônia: um desenvolvimento econômico à custa de um intenso desmatamento (relevo e clima)
l- Amazônia: relevo, agricultura e pecuária
a) O relevo da Amazônia: predominância de terras de baixas altitudes
Para entender melhor a prática da agricul­tura e da pecuária na Amazônia, vamos estudar um pouco o seu relevo.
Observando a figura 16.1, podemos notar que predomina na Amazônia um relevo de bai­xas altitudes.
As áreas de menores altitudes (de 0 a 100 m) estão ao longo dos rios Amazonas, Solimões e seus afluentes. Elas são constituídas das várzeas e dos tesos, também chamados de terraços.
As várzeas são as terras situadas a menos de 10 m de altitude. Na época das cheias, essas terras são inundadas pelas águas dos rios. Com a inundação, os rios depositam nelas sedimen­tos, formando as planícies típicas da Amazônia.
É nas várzeas, aproveitando os sedimentos aí depositados, que se desenvolve a agricultura de arroz e juta.
Os tesos ou terraços são as terras situadas entre 10 e 100 m de altitude. As partes mais baixas dos tesos também sofrem inundação por ocasião das grandes enchentes.
Seguindo em direção ao Planalto das Guianas, ao norte, e ao Planalto Central, ao sul, encontram-se também terras de baixas altitudes, entre 100 e 200 m. Essas terras formam os bai­xos planaltos, ou baixos platôs, e recebem a denominação geral de terra firme. A terra firme é formada de terrenos sedimentares mais antigos que os dos tesos e das várzeas, e não é atingida pelas inundações.
As áreas das várzeas, dos tesos (terraços) e da terra firme recebem a denominação geral de Planície Amazônica.
Na Amazônia se encontram ainda duas gran­des áreas de planalto: o Planalto das Guianas, ao norte, e parte do Planalto Central, ao sul.
O Planalto das Guianas abrange terras do
Brasil, da Venezuela, da Guiana, do Suriname e da Guiana Francesa. É formado principalmen­te por rochas cristalinas ou magmáticas, como o granito.
O Planalto das Guianas pode ser dividido em:
• Planalto Norte-amazônico, com altitu­des entre 200 e 800 m, que é uma continuação das terras baixas da Amazônia;
• a região serrana, ou seja, de serras, mais ao norte, situada nas fronteiras com os países vizinhos.
Na região serrana destaca-se a Serra do Imeri, na fronteira com a Venezuela, onde se localizam os pontos de maiores altitudes do território brasileiro: o Pico da Neblina (3.014 m) e o Pico 31 de Março (2.992 m). Outras serras que se destacam no Pla­nalto das Guianas são: Serra Parima, Serra Paca-raima (onde fica o Monte Roraima, com 2.727 m, o oitavo pico de maior altitude do território brasi­leiro), Serra Acaraí e Serra Tumucumaque (veja as figuras 16.1, 16.2 e 16.3 a seguir).
Grande parte do Planalto Central abrange a Amazônia. Entre as formas de relevo presentes nesse planalto destacam-se as chapadas, que são grandes superfícies de rochas sedimentares a mais de 600 m de altitude e com encostas abruptas. Formam bonitas paisagens, onde se destacam cachoeiras e vales belíssimos. As chapadas têm-se transformado em pontos turísticos e cenários para filmes e telenovelas.

b) A agricultura e a pecuária amazônicas
A agricultura de produtos alimentares
A Amazônia nunca se destacou na produ­ção de produtos agrícolas alimentares e na pe­cuária. Foi sempre uma região importadora de produtos alimentares para atender às necessida­des de sua população urbana, principalmente.
As áreas agrícolas geralmente são encontra­das próximas às cidades. No interior surgem as roças destinadas à subsistência da população, on­de se destaca o cultivo de mandioca, milho e arroz.
O arroz, cultivado nas várzeas, é um dos produtos agrícolas alimentares que se destacam em área plantada. Ele é produzido em toda a Amazônia.
A mandioca, plantada em área de terra firme, é alimento básico para a população. E o primeiro produto plantado logo após a derruba­da da mata, formando assim os primeiros roça­dos em combinação com o milho e o arroz.
A técnica de cultivo da mandioca é primiti­va. Depois de dois anos de cultivo, a área é abandonada após a colheita. O agricultor vai em busca de outra área, onde repetirá a derrubada da mata, a queimada e o plantio. Pratica-se, assim, a chamada agricultura itinerante ou de roça. Esse tipo de agricultura vai deixando cla­reiras na mata, permitindo a formação de ca­poeiras, ou seja, uma vegetação secundária sem a característica primitiva, onde predominam plan­tas rasteiras e arbustos.


O cultivo de milho também é feito em toda a Amazónia e de maneira primitiva, segundo o sistema de roça (agricultura itinerante). Em al­gumas áreas, ele é plantado em combinação com o feijão.
No baixo Amazonas, no município de Alta-mira, no Pará, o milho é cultivado nas várzeas altas, onde os solos mais férteis e menos sujeitos às inundações permitem maior produtividade.
Nas áreas de criação de gado, como nos municípios de Conceição do Araguaia, São João do Araguaia, Paragominas, São Domingos do Capim e outros, a cultura do milho é praticada em combinação com a formação de pastagens. Após a derrubada da mata e a queimada, plan­ta-se o milho. Quando este atinge a altura de dois palmos, planta-se o capim. Colhido o mi­lho, a pastagem estará formada para receber o gado. Esse sistema diminui o custo da formação do pasto.

As novas frentes de agropecuária na Amazônia
Nos últimos anos, três novas frentes de agro­pecuária se destacam na Amazônia: o estado de Tocantins (criado em 1988), áreas do estado de Rondônia e uma vasta porção de terras ao norte de Cuiabá, no estado de Mato Grosso, na sua parte amazônica.
No estado de Tocantins observa-se uma gran­de expansão da cultura da soja. Graças à correção da acidez do solo pela utilização do calcário, muitas terras de Tocantins se transformaram em grandes fazendas de agricultura.

A Rodovia Belém—Brasília, que se encon­tra com a Estrada de Ferro Carajás no sudoeste do Maranhão, teve papel importante na expan­são da cultura da soja no estado de Tocantins. Através dessa rodovia e da E. F. Carajás, a soja é levada até o litoral, em São Luís, no Mara­nhão, para ser exportada (veja a figura).
Em Rondônia e Mato Grosso, projetos de colonização recentes realizados pelo Incra e por iniciativas particulares atraíram milhares de agri­cultores de todo o país (gaúchos, paranaenses, paulistas etc.). Nas manchas de terras férteis des­ses dois estados, os agricultores introduziram com sucesso as culturas de café, cacau, soja e milho.
Não podemos esquecer também que foram as rodovias construídas na Amazônia que permi­tiram o escoamento da produção
Em relação à pecuária, é a Ilha de Marajó que se destaca no conjunto amazônico. A maior parte do rebanho bovino do Pará (cerca de 80%) se encontra nos campos da Ilha de Marajó. Pre­domina aí a pecuária de corte.
Vários fatores fazem dessa ilha uma impor­tante área de criação de gado: relevo plano, ve­getação de gramíneas e excelente posição geo­gráfica em relação a centros consumidores (prin­cipalmente a cidade de Belém e as Guianas, pa­ra onde a carne é exportada).
Nos últimos anos, os criadores da Ilha de Marajó têm-se preocupado com a melhoria do rebanho bovino. Os fazendeiros têm introduzido o cruzamento com raças zebuínas, principalmen­te nelore, guzerá e gir.
Na Ilha de Marajó existe também o maior rebanho de búfalos do Brasil. O gado bufalino foi introduzido na ilha há muitos anos, tendo se adaptado muito bem às condições naturais da região. Do total de 1.400.000 cabeças de búfalos existentes no Brasil, a Amazônia possui 800.000 cabeças, ou seja, 57% do gado bufalino.

Além da Ilha de Marajó, a pecuária bovina de corte vem se desenvolvendo com sucesso no estado de Tocantins e na porção leste e sudeste do Pará (Paragominas, Guajarina, Conceição do Araguaia etc.).
As bacias leiteiras (áreas de criação de ga­do leiteiro) localizam-se próximo das cidades. Há a bacia leiteira de Manaus, a de Porto Ve­lho, em Rondônia, a de Rio Branco, no Acre, e a de Belém.
No alto Rio Branco, em Roraima, aprovei­tando a vegetação natural de campo e cerrado, como também na porção leste do Amapá, prati­ca-se uma pecuária tanto de corte como leiteira, que vem crescendo nos últimos anos.
Às culturas industriais
Culturas industriais são aquelas destinadas às indústrias que as preparam para o consumo. Constituem as principais atividades agrícolas da Amazônia. Exemplos desse tipo de agricultura são a pimenta-do-reino, a juta, a malva e a soja.
Apesar do desenvolvimento agropecuário na Amazônia nos últimos anos, a falta de tradição agrícola e pecuária tem sido obstáculo ao desen­volvimento dessas atividades em certas áreas da região.
A expansão da atividade agropecuária na Amazônia também tem sido realizada à custa de grande desmatamento da Floresta Amazônica, da erosão do solo e da destruição de ecossistemas.
Amazônia: clima, vegetação e extrativismo vegetal
a) O clima e a vegetação
Antes de estudarmos o extrativismo, vamos conhecer um pouco do clima e da vegetação da Amazônia. O tipo de vegetação encontrada na região tem muito a ver com o clima e vice-versa,
O clima da Amazônia é equatorial úmido (veja a figura 16.8). Esse clima possui médias de temperatura elevadas, entre 25°C e 27°C, e índi­ce pluviométrico médio anual de 2.000 a 3.000 mm,
Na porção ocidental da Amazônia, as chuvas caem em maior quantidade (3.000 mm). É aí que se situa, por exemplo, São Gabriel da Cachoeira, localizada no noroeste do estado do Amazonas (figura 16.8). Nessa localidade, as chu­vas são intensas no decorrer dos doze meses do ano, conforme você pode observar no climograma (figura 16.9).
Nos climogramas (figuras 16.9 e 16.10), as colunas em cor azul representam a quantidade de chuva (precipitação chuvosa) que cai em cada mês do ano. A quantidade de chuva deve ser lida na escala colocada à esquerda. A linha ver­melha representa as médias de temperatura em cada mês do ano. As médias de temperatura devem ser lidas na escala à direita.
Observe que, em São Gabriel da Cachoei­ra, nos meses de maio, junho, julho e agosto, o índice pluviométrico é elevado, isto é, nesses me­ses chove bastante. Já em Rio Branco, capital do Acre, nesses meses o índice pluviométrico dimi­nui (figura 16.10), isto é, chove pouco de maio a setembro. É o período da seca.

As médias de temperatura mensais sofrem pouca variação ao longo dos doze meses do ano. Elas se apresentam elevadas, mesmo nos meses de outono e inverno do hemisfério sul (de março a setembro). Na cidade de Rio Branco, em ju­lho, a média de temperatura é de 24°C.
Você deve se lembrar que, quando estuda­mos o clima do Brasil (capítulo l deste volume), vimos que a latitude influi na temperatura. Quan­to menor for a latitude (maior proximidade da linha equatorial), maiores são as médias de tem­peratura dos lugares situados na mesma altitude.
Fonte: Graça Maria Lemos Ferreira, Moderno atlas geográfico.
Pois bem, Rio Branco e São Gabriel da Cachoeira localizam-se em baixas latitudes. Aliás, a latitude de São Gabriel da Cachoeira é zero, pois está situada na linha do Equador.
Quanto à vegetação nativa, a Amazônia é coberta na maior parte por uma floresta equato­rial úmida, que recebe o nome de Floresta Amazônica. Na porção nordeste de Roraima sur­gem os campos e o cerrado; na porção leste do Amapá e em Tocantins, vamos encontrar tam­bém o cerrado. Os campos e o cerrado ocupam, assim, uma pequena área, se compararmos com a ocupada pela Floresta Amazônica.

Considerando toda a sua extensão no con­tinente sul-americano, a Floresta Amazônica ocu­pa uma imensa área territorial: 5,5 milhões de quilômetros quadrados. Para você ter idéia, essa área corresponde a mais da metade do continen­te europeu (10.500.000 km ) ou quase a metade do território brasileiro.
A maior parte (62%) dessa floresta equato­rial localiza-se em território brasileiro e a outra parte (38%) em alguns países da América do Sul (Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa). Veja a figura 16.11.
No Brasil, a Floresta Amazônica abrange cerca de 42% do território brasileiro (veja a fi­gura 16.12).
A Floresta Amazônica é a floresta tropical que apresenta a maior diversidade biológica, isto é, a maior variedade de espécies vegetais entre todas as florestas do planeta. Há florestas tropi­cais na América Central, na Ásia e na África.
Enquanto nas florestas de clima temperado, como a floresta temperada da França, existem cinqüenta espécies de árvores, na Floresta Ama­zônica já foram registradas cerca de 2.500 espé­cies. Em apenas um hectare (10.000 m2) da Flo­resta Amazônica há trezentas espécies vegetais diferentes. Constitui um grande ''laboratório ve­getal'', ainda pouco estudado. Como a Mata Atlântica, a Floresta Amazônica poderá fornecer provavelmente muitas substâncias importantes para a cura de doenças e para muitas outras finalidades.
Apesar de toda a importância das florestas equatoriais e tropicais do planeta, elas têm sido desmaiadas (estudaremos o caso da Floresta Ama­zônica no item 3 deste capítulo).


b) O extrativismo vegetal e as reservas extrativistas
O extrativismo vegetal predador e o extrativismo vegetal conservacionista
O extrativismo vegetal ainda é uma atividade econômica importante na Amazônia. Empre­ga milhares de trabalhadores e movimenta a eco­nomia regional.
Em nosso estudo, é necessário distinguir dois tipos de extrativismo vegetal:
o predador, que destrói a vegetação;
o conservacionista, que conserva a ve­getação.

A extração madeireira na Amazônia
O extrativismo vegetal madeireiro não po­de ser confundido com silvicultura. Esta, como o próprio nome diz, se refere à cultura de árvo­res. São reflorestamentos realizados com o objetivo de obter matéria-prima para as indústrias; resinas, essências, celulose para a fabricação de papel, madeira para a fabricação de chapas de compensados e de aglomerados etc. Os reflores­tamentos têm sido realizados principalmente com várias espécies de pinus, pinheiros e eucaliptos.
O extrativismo de madeiras nativas das flo­restas é um extrativismo predador. Ele é respon­sável por grandes danos ao meio ambiente. Pro­voca grandes desmatamentos, com conseqüências graves para o solo, como sua erosão e o assoreamento de rios, e também a escassez e desaparecimento de espécies vegetais. Enfim, pro­voca desequilíbrios ecológicos e graves alterações nos ecossistemas.
Praticam esse tipo de exploração não so­mente madeireiros individuais (cortadores de ma­deira nas matas), mas sobretudo empresas na­cionais e multinacionais.
Essas empresas vêm desmatando, com grande voracidade as florestas equatoriais e tropicais da África, da Ásia e das Américas do Sul e Central.
Calcula-se que, de um total de 14 milhões de quilômetros quadrados de florestas equato­riais e tropicais úmidas que cobria o globo ter­restre, cerca de 5,6 milhões de quilômetros qua­drados já foram destruídos pêlos homens.
Atuam na Amazônia mais de dez multina­cionais do ramo madeireiro. São empresas de origem japonesa, dinamarquesa, alemã, suíça, norte-americana, holandesa e costarriquenha, além de dezenas de empresas nacionais que também têm contribuído para a devastação da Floresta Amazônica.
As madeiras exploradas (mogno, cerejeira, imbuía, caviúna, sucupira, peroba, Angelim, aroei­ra, castanheira e outras) destinam-se à exportação e ao mercado interno. Apesar de a legislação brasileira proibir o abate da castanheira-do-pará, ela não tem sido poupada.
Espécies como o mogno e a cerejeira são muito procuradas para a fabricação de móveis finos e para a exportação. Ao longo das rodo­vias, essas árvores já não são mais encontradas, Atualmente é preciso penetrar fundo na Floresta Amazônica para encontrá-las. Essa entrada ma­ta adentro e o transporte das madeiras acabam destruindo outros vegetais, pois as toras de ma­deira são arrastadas, eliminando arbustos e ár­vores em crescimento.
O extrativismo vegetal de castanha-do-pará
A castanheira-do-pará é uma árvore de cau­le cilíndrico e se apresenta sem ramos até a co­pa. A árvore adulta atinge de 20 a 30 metros de altura e é nativa da Floresta Amazônica, ocor­rendo nas áreas de mata de terra firme*. Duas importantes áreas de produção se estendem pelo vale do baixo Rio Tocantins e no vale do Rio Itacaiúnas, no Pará.
A colheita da castanha-do-pará ocorre no final do mês de janeiro, quando os ouriços que contêm as sementes amadurecem e caem.
Uma vez coletados, os ouriços são quebra­dos e as castanhas retiradas e levadas ao barra­cão do proprietário ou do arrendatário do cas­tanhal. Como o coletor de castanhas também é seringueiro, ele utiliza os ouriços vazios como combustível para defumar o látex.
A cidade de Marabá, no Pará, é o maior centro exportador de castanha-do-pará. A Brazil nut, nome da castanha-do-pará no mercado in­ternacional, é exportada para a Europa, Estados Unidos e Japão.
Várias são as aplicações do óleo extraído da castanha-do-pará: matéria-prima de remédios, de cosméticos e de sabão; lubrificante na indústria de aparelhos de alta precisão, como, por exem­plo, balanças de laboratórios. Além disso, a cas­tanha-do-pará é um alimento de alto valor nutri­tivo, rico em proteína.
O extrativismo vegetal de borracha
Já vimos alguns aspectos da produção de borracha na leitura complementar do capítulo 14; se necessário, releia o texto.
Duas importantes questões a ser discutidas quando se estuda o extrativismo vegetal na Amazônia são a posse da terra e as relações de trabalho.
Na região dos seringais, há terras que cons­tituem propriedade particular e outras que são públicas, isto é, pertencem à União (governo federal), ao estado ou aos municípios.
Nas terras particulares, o seringueiro aluga uma certa área da floresta ou um seringai* me­diante um preço estabelecido pelo proprietário ou seringalista.
Geralmente um seringai tem de 100 a 120 seringueiras, que o seringueiro sangra para a extração do látex. Ele chega a recolher até 20 litros de látex por dia. Depois o látex é defuma­do, isto é, é aquecido no fogo ou na fumaça, para ser endurecido e transformado em bolas, chama­das pélas, que chegam a pesar 40 quilos.
Em seguida o seringueiro vende a sua pro­dução ao dono da terra ou do seringai, que, por sua vez, vende a borracha para as usinas de Manaus, Belém e Porto Velho.
Dessa forma, a menor renda fica para o seringueiro, que trabalhou na coleta do produto. Às vezes, o seringueiro não vende a produção para o dono da terra ou do seringai; eíe troca a borracha por produtos como sal, açúcar, álcool, querosene etc., no barracão, espécie de arma­zém pertencente ao proprietário da terra onde fica o seringai.
As reservas extrativistas
Nas terras da União e até mesmo nas terras particulares que deixaram de ser exploradas há muito tempo, os seringueiros e os castanheiros (colhedores de castanha-do-pará) conseguiram a criação, por parte do governo federal, de reser­vas extrativistas na Amazônia.
Famílias são assentadas nessas reservas ex­trativistas através da concessão, pelo governo, de uso dos recursos florestais. Cabe a elas orga­nizar a extração vegetal e proteger a área contra desmatamentos e queimadas. Os seringueiros fi­cam aí mais protegidos de ataques de pessoas ou grupos envolvidos na disputa de terras. Muitos seringueiros até então já tinham sido assassina­dos por grileiros e fazendeiros.
A primeira reserva extrativista de seringuei­ros e castanheiros foi criada em 7 de março de 1989, após o assassinato, em 1988, do seringueiro e líder sindical Chico Mendes, que muito lutou pela criação de reservas. Essa reserva fica em Xapuri onde Chico Mendes morava (leia o quadro 16-A).
Até o final de 1992, foram criadas mais oito reservas extrativistas: uma em Rondônia, mais uma no Acre (onde fica também a de Xapuri), urna no Amapá, uma no Tocantins, três no Ma­ranhão e uma em Santa Catarina.
A luta de Chico Mendes e de seus compa­nheiros deu resultado. As reservas extrativistas são uma realidade. Além das nove, outras ainda deverão ser criadas.
As reservas extrativistas são também uma garantia contra os desmatamentos e a destruição de ecossistemas. Nelas há preocupação em se fa­zer uma exploração racional, sem ameaça aos recursos vegetais. Pretende-se assegurar o de­senvolvimento auto-sustentado, ou seja, ao mes­mo tempo que a floresta é explorada, ela é pre­servada da destruição. É, portanto, a harmonia entre a necessidade de conservação dos recursos vegetais e^a necessidade de desenvolvimento econômico. E uma vitória contra aqueles que não se importam com a natureza.

A ocupação da Amazônia: uma necessidade urgente de reavaliação
Como vimos, a partir de 1974 o governo federal decidiu fazer a ocupação e a organização do espaço amazônico por meio de grandes em­presas e, entre elas, empresas agropecuárias.
Para atrair empresas e fazendeiros a se ins­talarem na Amazônia, o governo federal ofere­ceu uma série de vantagens: isenção de impos­tos, empréstimos de dinheiro a juros baixos e a longo prazo, descontos no imposto de renda etc. Com esses incentivos, muitas empresas agro­pecuárias se instalaram na Amazônia. Com isso, o rebanho de gado bovino cresceu em curto es­paço de tempo. A maior parte dos projetos agropecuários incentivados pelo governo federal, através da Sudam, localiza-se na região do Rio Araguaia, em trechos do Pará, Mato Grosso e Tocantins, co­mo pode ser observado na figura 16.15.
O desmatamento provocado pela expansão da pecuária nessa região tem sido intenso, com a utilização de machado, foice, fogo, motosserras e o correntão.
O correntão, como o próprio nome diz, é uma grossa corrente, com cerca de 100 metros de comprimento, cujas extremidades ficam pre­sas a tratores que a arrastam no solo, arrancan­do e destruindo a vegetação. É uma técnica uti­lizada em áreas de cerrado ou em matas de tron­cos finos. Segundo o Prof. Orlando Valverde, somente em 1979 a Liquifarma Agropecuária Suiá-Missu S. A. (grupo econômico italiano) der­rubou cerca de 20 mil hectares de mata no nor­deste de Mato Grosso utilizando a técnica do correntão. Exemplos como esse são comuns em toda a Amazônia, onde as sementes de capim, para formar o pasto, são jogadas até mesmo por avião.
Em algumas áreas da Floresta Amazônica, como pode ser observado na figura 16.16, o des­matamento já ultrapassou 50% da área. E o caso da região Bragantina, no Pará, e do estado de Rondônia.
Ao longo de algumas rodovias, como, por exemplo, da Belém—Brasília e da Cuiabá—Por­to Velho, o desmatamento também é intenso. Calcula-se que, nessas áreas, o desmatamento já tenha atingido cerca de 40% da área florestal.
Até o final de 1990 já tinham sido desmatados 415 mil quilômetros quadrados da Flores­ta Amazônica. Para você ter idéia do que isso representa, essa área corresponde a quase a área territorial do estado de São Paulo e do estado do Paraná juntos.
Calcula-se que, de 1978 a 1988, a Floresta Amazônica foi desmatada em média, por ano, cerca de 21 mil quilômetros quadrados.
Nos anos de 1987 e 1988, os satélites do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) registraram enormes desmatamentos e queima­das na Amazônia. No ano de 1987, o desmata­mento atingiu a impressionante área de 80 mil quilômetros quadrados, o que corresponde a qua­se a área territorial do estado de Santa Catarina, que é de 95.985 km2. No ano de 1988, o desma­tamento na Amazônia foi de 48 mil quilômetros quadrados, o que corresponde a uma área maior que a área territorial do estado do Espírito Santo (45.597 km2).
Tornaram-se mais intensos os desmatamen­tos nesses dois anos em virtude da Constituição que entrou em vigor em 1988. Proprietários de terras inativas (não-exploradas) temiam que, pe­la nova Constituição, essas terras fossem desa­propriadas pela falta de uso.
Muitos proprietários de terras na Amazônia tomaram, então, providências urgentes para transformá-las em pastagens. Com isso mostra­riam que as propriedades estavam sendo utiliza­das e não correriam o risco de perdê-las ou de serem desapropriados.
Para você avaliar a intensidade do desmatamento, em 1988, no dia 24 de agosto um saté­lite espacial norte-americano forneceu para o Inpe, em São José dos Campos, no estado de São Paulo, informações de 7.400 pontos de queima­das ocorrendo na Amazônia.
Essas enormes queimadas têm contribuído para a ocorrência do efeito estufa, já estudado no volume l desta coleção de Geografia.
Procurando resumir as causas dos desmata-mentos na Amazônia, temos:
• a prática da agricultura de subsistência e a extração de lenha (o desmatamento causado, nesse caso, é pequeno se comparado a outros);
• a formação de pastagens para a criação de gado;
• a inundação de áreas da Floresta Amazônica para a construção de barragens das hidroelétricas;
• a exploração madeireira realizada por em­presas nacionais e estrangeiras, que destroem não somente as espécies vegetais que lhes inte­ressam, mas também outros vegetais.
A ação humana na Amazônia tem sido ir­responsável, e a sua ocupação tem sido movida pelo desejo de lucro a qualquer custo. Não podemos nos esquecer de que, na na­tureza, tudo se relaciona, que há interdependên­cia entre todos os elementos que a formam. Se um deles se modifica, todo o conjunto se altera. Assim, as conseqüências do desmatamento não ficam apenas no perigo de se acabar com a flo­resta, o que já é muito, levando em conta a grande diversidade de espécies vegetais. As conseqüências são muito mais amplas: a extinção de espécies animais, alteração profunda no clima do Brasil e do mundo, erosão do solo, alteração do nível das águas dos rios. Tudo isso provoca intensa desarmonia (desequilíbrio) na natureza, cujo resultado final pode ser a desertificação da região.
Como já foi dito anteriormente, a ocupação atual da Amazônia necessita urgentemente de uma reavaliação. Caso isso não aconteça, corre­mos o risco de ver uma das mais belas e ricas criações da natureza — a Amazônia — destruí­da num curto espaço de tempo.

LEITURAS COMPLEMENTARES

TEXTO COMPLEMENTAR I
Exploração insensata
Iniciamos agora a "Conquista da Amazônia", última grande selva tropical do globo. Queremos "integrá-la" e para isso partimos das mesmas ati­tudes de destruição do colono de 1500, mas com tecnologias mais desenvolvidas. Se o colono do Rio Grande do Sul levou cento e cinqüenta anos para, a machado e fogo, destruir cem mil quilômetros quadrados de floresta, na Amazônia, com o trator, a motosserra, o "desfolhante" e os incên­dios gigantescos de cem mil hectares ou mais, por vez, a eficiência é bem outra. Em cinco anos cau­samos mais estragos que nos quinhentos anos an­teriores de nossa história. As grandes empresas, muitas das quais estrangeiras e sem nenhuma tra­dição agropastoril, todas interessadas no lucro pró­prio, sem nenhum conhecimento de estudos eco­lógicos, derrubam simplesmente a floresta, para substituí-la por plantações ou pastos, os quais não se sabe ainda quanto tempo vão durar. Os exem­plos de desastres já havidos de nada têm servido, infelizmente, para alertar a todos.Além do fogo da roça, já por si irracional, temos o escândalo da piromania (mania de fogo) nacional. Quem hoje sobrevoa este continente, se, em vez de aprofundar-se na leitura do noticiário esportivo ou dormir, observar atentamente a paisa­gem, em qualquer época do ano, mas especial­mente durante os períodos secos, pode ver fogo ou os estragos do fogo em toda a parte, A bruma produzida pela fumaça da queimada alcança vá­rios milhares de metros de altura.
Adaptado de José A.  Lutzenberger, Manifesto ecológico
brasileiro; fim do futuro?, Porto Alegre, Movimento, 1986, p. 22-23.

TEXTO COMPLEMENTAR I
Chico Mendes e as reservas extrativistas da Amazônia
Francisco Alves Mendes Filho, Chico Mendes, seringueiro e ecologista, foi presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri (Acre) e mem­bro do Conselho dos Seringueiros, consultor do Ban­co Mundial e do Banco Interamericano para o De­senvolvimento, para projetos da Amazônia.
Em 1987, Chico Mendes recebeu o Prêmio Global 500, da Organização das Nações Unidas. Ainda no mesmo ano recebeu em Nova Iorque uma medalha da Sociedade para um Mundo Melhor e, em 1908, o titulo de Cidadão Honorário do Rio de Janeiro, Sempre lutou contra o desmatamento da Amazônia e em prol da criação de reservas extrati­vistas no Brasil. Em 22 de dezembro de 1988, Chico Mendes foi brutalmente assassinado na porta de sua casa, em Xapuri, no Acre.
Eis um trecho de suas declarações: "Descobri­mos que, para se garantir o futuro da Amazônia, era necessário criar a figura da reserva extrativista como forma de preservar a floresta, mas como forma econômica, como proposta econômica ao mesmo tem­po. (...) O que nós queremos com a reserva extrativista? Que as terras sejam da União e que elas se­jam de usufruto dos seringueiros ou dos trabalhado­res que nelas habitam, pois não são extrativistas só os seringueiros. Nessas regiões, o seringueiro é ao mesmo tempo castanheiro, mas em outras regiões tem o castanheiro, tem os trabalhadores de babaçu, tem outras espécies de trabalhadores extrativistas, o pessoal que trabalha com a juta, enfim, tem várias espécies de trabalhadores extrativistas na Amazônia".
(Citado por Cândido Grzybowski (org.), O testa­mento do homem da floresta Chico Mendes por ele mesmo. Rio de Janeiro, Fase, 1989.)

TEXTO COMPLEMENTAR II
Utilizam até agente laranja para destruir a floresta
Quando terminou a guerra do Vietnã, sobra­ram nos Estados Unidos imensos estoques do desfolhante chamado agente laranja, que aniquilou as matas [do Vietnã] e causou moléstias horríveis em sua população. Esse material foi em parte contra­bandeado para a Zona Franca de Manaus, e lá ad­quirido no comércio. No Acre, observam-se claros sinais de aplicação generalizada de desfolhantes: árvores mortas em pé, capoeiras ou pastos malformados, nenhum gado (...) É que o desfolhante foi também um dos meios utilizados pêlos grileiros pa­ra expulsar seringueiros e índios. Não tendo como sobreviver sem a mata, tiveram que emigrar.
Orlando Valverde e Tácito Lfvio Reis de Freitas, O problem& florestal na Amazónia brasileira, p. 41.




EXERCÍCIOS

1-(UNIFAP) As medidas que visavam ao desenvolvimento da Amazônia não tiveram o sucesso tão propagandeado pelo go­verno federal, no sentido do desenvolvimento econômico e soci­al da região. Dentre essas medidas, coloca-se a criação de órgãos federais com objetivos diversos como:

1- Integrar a porção ocidental da Amazônia mediante a isenção de impostos e a criação de centros industriais e agropecuários.
2- Coordenar e supervisionar programas e planos regionais e decidir sobre a distribuição de incentivos fiscais na chamada Amazônia legal.
3- Executar a estratégia de distribuição controlada da terra, através de projetos de colonização.

Os objetivos 1, 2 e 3 correspondem, respectivamente, aos seguintes órgãos.
A) SUFRAMA, SUDAM e INCRA
B) SUDAM, INCRA e SUFRAMA
C) SUFRAMA, INCRA e SUDAM
D) SUDAM, SUFRAMA e INCRA
E) INCRA, SUFRAMA e SUDAM

2-(UFPA) Analise as afirmações abaixo e assinale a alternativa que contem todas as corretas em relação aos 30 anos de intervenção intensiva do Governo Federal na Amazônia, através da SUDAM,
1- A ocupação foi baseada, preferencialmente, em grandes projetos agropecuários e agro-industriais.
2- Apos o desmatamento e o empobrecimento do solo, foi comum o abandono de tais projetos.
3- Os problemas agrários do sul do Para" foram resolvidos através da reforma agrária. ;
4- Os recursos públicos sob forma de incentivos fiscais foram utilizados para o assentamento dos sem-terra.
5- Com os projetos integrados de colonização evitou-se o êxodo rural para a Amazônia ocidental,
6- Lucraram com esse tipo de desenvolvimento parte da burguesia regional, empresas nacionais e multinacionais e o Estado brasileiro que dominou, política e economicamente, a região.
A) 1, 3, 4
B) 2, 4, 5
C) 1,2,6
D) 4, 5, 6
E) 1,2, 3e6

3- (FIT-Faculdade Integrada do Tapajós-97) "Foi-se o tempo As entidades que congregam garimpeiros tern demonstrado sua preocupação com a gradual queda de produção do ouro. especialmente em áreas da Amazônia que, tradicionalmente, fizeram “bamburrar” muita gente".
(Fonte: Noticia publicada no Jornal "Diario do Para", 15/12/96)
O fato em destaque pode ser associado:
A) ao esgotamento do minério de ouro em "Serra pelada", devido a longo período de exploração mecanizada feita pelos ga­rimpeiros.
B) a liberação pela CVRD (Companhia Vale do Rio Doce) das áreas de reservas auríferas para garimpagem, inclusive as minas de recém descoberta Serra Leste.
C) aos acordos feitos pelos garimpeiros e empresas mineradoras, entre elas a CVRD, com o intuito de divisão igualitária do lucro
D) à decadência da exploração com lavra manual na maioria das áreas de garimpagem, em especial “Serra Pelada”, o minério localizado no fundo das cavas só pode ter exploração mecanizada.
E) a fiscalização do governo na maioria dos garimpos da Amazônia, que procura controlar o uso do mercúrio nesta atividade.

4- {FIT-Faculdade Integrada do Tapajós-97) Um empresário desejoso de criar gado de corte, sem derrubar florestas, precisaria de área de campos naturais. Pelas características fitogeográficas, qual a melhor área da Amazônia para tal atividade:

A) Sul do Para
B) Ilha do Marajó
C) Zona Bragantina
D) Oeste do Para
E) Vale do Rio Madeira


5- (UNAMA-97) Em novembro de 1996, o Jornal "O Liberal" publicou um caderno especial sobre a economia do Para nas Ultimas décadas. Nele, nosso Estado e chamado de "pobre Estado rico". O uso da expressão pode ser justificada.
A) devido a crescente pobreza urbana, principalmente em Belém, onde as áreas de invasão proliferam nas periferias.
B) porque o Para continua como fornecedor de matéria prima, embora tenha todos os fatores que favoreceriam a industrialização, em especial uma excelente rede de transportes rodo-ferroviario.
C) porque mesmo predominando em seu território solos ricos e férteis, possui uma agricultura incipiente voltada apenas para o abastecimento do próprio Estado.
D) pela extrema contradição de ser o segundo produtor de minérios do pai's, possuir uma vastíssima província mineral e adotar um modelo extrativista numerador e exportador, que gera concentração de renda, desemprego, miséria e conflitos fundiários,
E) porque apesar da exuberante floresta com grande diversidade botânica, possui reduzida produção extrativa vegetal que destina-se apenas ao mercado interno.

6- (UNAMA-97) Os solos em um dos recursos naturais de funda­mental importância na organização do espaço econômico de uma região. No caso Amazônico...
A) os solos denominados de "terra firme", localizados distantes dos cursos fluviais, são de formação mais recente que os de várzea e considerados bastante férteis, dai serem propícios ao cultivo de vegetais de ciclo curto.
B) os solos de várzeas são de formação recente, aluviões quaternários, estão situados as margens dos rios possuem boa fertilidade por receberem um processo de adubação natural, por esse motivo permitem a atividade agrícola com excelentes rendimentos.
C) predominam os solos de origem basáltica, sobretudo os chamados "terra roxa", que possibilitam cultivo de varies cereais, dentre eles a soja.
D)a maioria dos solos são de extrema fertilidade, fato comprovado pela exuberância e diversidade da floresta equatorial, considerada o maior banco genético do planeta.
E) embora os solos de várzea sejam os mais férteis da região, sua utilização e limitada por fatores como: as grandes cheias e a reduzida área dos mesmos, já que a rede hidrográfica e inexpressiva.

7- (UNAMA-00) Sobre a recente ocupação do espaço Amazônico são fatos a destacar.
A)o desmatamento que ocorre no sul e sudeste do Para\ para fabricação de carvão vegetal, destinado ao abastecimento da siderurgia do Projeto Grande Carajás.
B) a pecuarização de Roraima, com a destruição de áreas de antigos seringais para a criação de gado de corte.
C) a implantação de projetos de colonização integrada, feita pelo INCRA no norte do Para e Amapá.
D)a chegada de grandes contingentes de migrantes gaúchos e paranaenses para a dedicam a atividade agro-industrial.
E) a proliferação de garimpos no nordeste do Pará (região bragantina e do salgado) , que tem provocado uma corrida de nordestinos principalmente do Maranhão e Piauí.

8-(UEPA-97) "Rica em recursos naturais. Pobre quanto ao desenvolvi mento econômico e social", : A citação acima reflete a contradição que caracteriza a realidade amazônica. Analisando as raízes dessa contradição, pode-se afirmar;
A) as atividades extrativas, desenvolvidas na região desde o período colonial são responsáveis pelo seu empobrecimento, visto que apresentam baixa produtividade e grandes danos ambientais.
B) os Grandes Projetos visam ao aproveitamento industrial de nossos recursos naturais, o que permitira o desenvolvimento regional, gerando empregos e divisas a população local.
C)a  migração nordestina e sulista ocorrida em direção a Amazônia durante o período militar, causou desemprego e desestruturação social, contudo serviu para solucionar os problemas fundiários existentes nestas regiões.
D)a retirada dos recursos naturais - das drogas do sertão ao (erro de Carajás - visando a exportação, tern sido a principal característica da exploração da região,, cujos resultados são expressos em graves problemas sociais e ambientais sofridos pela maioria da população.
E) o projeto de Integração Nacional, implementado nos anos 40, marcou a passagem da economia extrativa a urbano-industrial, o que possibilitou o desenvolvimento sócio-ambiental de nossa região.

9-(UEPA-2006) Há alguns anos os colonos dos Estados meridionais do Brasil viviam sitiados pela grande lavoura; hoje estão sitiados pelo grande capital e migram rumo a Amazônia Ocidental em busca de terras para retomarem, em um novo espaço, as velhas tradições de produção familiar. Neste contexto, e VERDADEIRO afirmar que:
A) os migrantes sulistas expropriados de suas pequenas propriedades transformaram-se, na maioria das vezes, em gran­des latifundiários e proprietários de empresas agro-exportadoras.
B) esses migrantes vão constituir mão-de-obra especializada. para os grandes projetos agropastoris, favorecendo uma diminuição dos conflitos fundiários.
C)os migrantes sulistas aclimatam-se facilmente a Amazônia e conseguem em um curto período, uma significativa produção agrícola devido as políticas publicas existentes para o setor.
D) a causa de atração para a Amazônia Ocidental e a fertilidade dos solos nessa área, o que vai facilitar a atividade agrícola e a adaptação desses lavradores.
E)os lavradores sulistas raramente conseguem recriar suas condições originais e sua antiga condição social de pequeno proprietário; os pequenos sítios existem em numero reduzido no Acre e em Rondônia.

10-(Cesupa-97) Nas ultimas décadas foram planejadas e construídas grandes hidrelétricas na Amazônia, cujo objetivo principal era o abastecimento energético dos grandes projetos de investimentos que se implantaram desigualmente no espaço amazônico. A esse respeito e correto afirmar.
A) a Usina Hidrelétrica de Tucurui, a segunda do pais, esta localizada no rio Tapajós, na região oeste do Estado do Para.
B) a Usina Hidrelétrica de Samuel, a terceira em tamanho da Amazônia, esta localizada no rio Purus, na região Sudeste do Estado do Amazonas.
C) a Usina Hidrelétrica de Balbina, a primeira usina a entrar em operação na Amazônia, esta localizada no rio Amazonas, na região oeste do Para.
D) a Usina Hidrelétrica de Tucurui, a primeira genuinamente brasileira, esta localizada no rio Tocantins, na mesorregião do Sudeste Paraense.
E) a Usina Hidrelétrica do Paredão, a terceira a entrar em operação, localiza-se no rio Araguari, na região norte do Estado de Roraima.


11-(Cesupa-97) "Laraia, R. & Da Malta, R., em 1978, referindo-se a cidade de Tucurui (Pa) na década de 60, acentuava: "a cidade esta dividida em duas zonas, uma onde se encontram as instalações da estrada de ferro e outra onde se localizam o mercado, casas, igreja, comercio e o porto. As diferenças existentes entre estas duas zonas são bem nítidas, tanto no que se refere aos aspectos urbanísticos quanto a situação socioeconômica dos moradores de cada uma. Quando a noite chega, pode-se notar uma verdadeira delimitação de cada zona: enquanto a primeira e iluminada peia energia elétrica fornecida pela estrada de ferro, a segunda fica mergulhada na escuridão....". Sobre essa dicotomia sócio-espacial e correto afirmar.
A) embora o texto refira-se as peculiaridades da idade de Tucu­rui na década de 60, revela a atualidade da contradição sócio-espacial dessa cidade e de outras da Amazônia, sob os efeitos dos grandes projetos.
B) a realidade retratada no texto, há muito foi excluída da realidade urbana das cidades da Amazônia. O desenvolvimento e o progresso nas relações entre os grandes projetos e seu entorno, alteraram e aboliram essa dicotomia.
C) desde o final dos anos oitenta que a dicotomia sócio-espacial - cidade da companhia versus cidade pioneira foi superada com a incorporação da primeira pela administração municipal de Tucurui(Pa).
D) o texto evoca uma realidade do passado que não se reproduz no presente. Certamente, apos 1970, as políticas públicas implantadas na Amazônia produziram uma nova realida­de, mais igualitária e extensiva a todos os cidadãos.
E) essa realidade dicotômica somente se reproduz na cidade de Tucurui(Pa). A maioria das cidades em que foram implantados grandes empreendimentos não expressa essa segregação sócio-espacial.

12- (UNIFAP) Habitado em terras localizadas em ambos os lados da fronteira Brasil e Venezuela, os índios Yanomamis constituem o maior grupo indígena entre os que mantém seu modo de vida tradicional, A recente chacina desse grupo indígena, tern suas causas na política governamental, através:
1- Do projeto ferrovia Norte-Sul, que com a 'lebre do ouro", atraiu levas de garimpeiros para explorar a área, envenenando os rios com mercúrio.
2- De projetos que estimulam a exploração e formação de assentamentos de imigrantes, em terras desses índios.
3- Do programa de integração nacional que incentivou a ida de colonos e garimpeiros para aquela região.
4- Do projeto calha norte que incentivou a colonização do norte do país.
5- Do Projeto Trombetas, que instalou suas bases na terra Ya­nomamis, com o apoio total do governo.
A) 1,2,3        
B)2,3,4
C) 1,4,5       
D)2,3,5       
E) 1,3,5

13- (UNAMA) A região Amazônica e vista, por grupos nacionais e internacionais, como área de fácil penetração e implantação de projetos que visam a exploração de seus recursos naturais e a produção de energia na área. Foi instituído pelo governo um re­gime de incentives para implantação desses projetos na região, que trouxe conseqüências ambientais e sociais para a população. Assim...
1- Com a construção do projeto Albras-Alunorte, em Barcarena, os habitantes da região tiveram suas vidas estruturadas pela geração de empregos para a população.
2- Com a construção da barragem de Tucurui' muitos morreram: fauna, flora e homem.
3- A implantação de grandes projetos na Amazônia e questionado pela opinião publica devido ao violento desmatamento que causa prejuízos incalculáveis para a flora e fauna locais.
4- E constante, hoje, nessa região o apossamento de terras, por grandes empresários, que, ao longo dos anos, vinham sendo ocupadas pela população nativa.
5- Com a construção da hidrelétrica de Tucurui houve o alarga-mento dos principais rios, tornando-os navegáveis em trechos mais estreitos, facilitando a vida dos ribeirinhos.
A) 1,2,3        
B)3,4,5
C) 1,2,5       
D)2,3,4    
E) 1,4,5

14- (UFPA) "No Sugar em que havia mata, hoje há perseguição grileiro mata posseiro só pra lhe roubar seu chão castanheiro, seringueiro, já viraram ate peão afora os que já morreram como ave de arribação Zé da Nana ta de prova, naquele lugar tern cova gente enterrada no chão: pois mataram índio, que matou grileiro, que matou posseiro disse um castanheiro para um seringueiro que  matou  um   estrangeiro   roubou   seu   lugar."   ("saga"   da Amazônia, Vital farias)
Os versos acima destacam personagens que fazem parte da realidade atual do espaço amazônico. Nesse sentido, afirma-se que:
A) Grileiro e posseiro são os principais personagens dos conflitos no espaço rural: o primeiro sendo proprietário legal da terra e o segundo apenas ocupante.
B) Os posseiros são agricultores que cultivam pequenas parcelas de terra e que não possuem os títulos de propriedade das mesmas; incluem-se nessa categoria os indígenas.
C) Os grileiros, também chamados de "gatos", são pessoas responsáveis por recrutar trabalhadores ou peões para os projetos agropecuários da região.
D) Os peões são trabalhadores recrutados para realização de atividades diversas, em geral por baixos salários e sem registro em carteira.
E) Castanheiros e seringueiros, também chamados de "paulistas", são pessoas que adquirem extensas propriedades para a exportação dos castanhais ou seringais nativos.

15- (UNIFAP/2004) "A recente ocupação da Amazônia deve ser vista no contexto da acumulação de capital e da modernização, e não em termos de desenvolvimento, pois a apropriação recente de seus recursos naturais renováveis e não-renováveis, pelo capital nacional e internacional, resultou numa destruição maciça de seu patrimônio natural e na marginalização da maioria das populações locais" (DIEGUES, 1999). Neste contexto, é correto afirmar que:
(A) A biodiversidade da Amazônia é um fator determinante para o desenvolvimento de biotecnologias, considerando que 85% das espécies são utilizadas como fármacos.
(B) Apesar dos altos índices de investimentos, a Amazônia não constitui uma fronteira econômica, social e política com potencial para novas oportunidades.
(C) A ocupação da Amazônia está relacionada à concentração fundiária, porém as disputas pela posse da terra na região são praticamente inexistentes.
(D) Os focos de modernidade, na região, são exemplificados pela presença da Zona Franca de Manaus e pêlos grandes projetos minero-metatúrgicos,
(E) A criação de reservas e parques na Amazônia tem proporcionado a melhoria da qualidade de vida para o conjunto da população regional.

16- (UNIFAP/2001) Leia o seguinte texto
A preocupação de que os efeitos do Plano Combia respinguem no Brasil levou o exército brasileiro a reforçar sua presença na fronteira da Amazônia, diz o 'The New York Times" de ontem, O jornal cita uma frase de Mauro Sposito, chefe da força brasileira na fronteira: "Sabemos que quando os gringos reforçarem a mão do Exército lá, podemos ser atingidos também ". (..) Segundo o jornal, a campanha é "só, o sinal mais visível de que está a caminho uma militarização em larga escala da Amazônia, enquanto a guerra da Colômbia ameaça atingir seus vizinhos ". O repórter Larry Rohter afirma que o projeto Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia) ganhou importância militar para vigiar as fronteiras com a Colômbia. Segundo ele, em outubro o país fez um acordo para dividir dados coletados pelo Sivam com países vizinhos e os EUA.
folha on-line - Brasil - Amazônia está sendo militarizada. (Pl).Da Folha de S. Paulo (31/10/2000),

A partir dos estudos sobre questões amazônicas e com o apoio do texto, podemos afirmar que
(A) o reforço militar que está sendo firmado para a Amazônia conta com o apoio dos EUA, para salvaguardar as intensas relações comerciais existentes no norte brasileiro com este país, e especificamente, para eliminar a rota do narcotráfico existente na Amazônia.
(B) o projeto SIVAM, conforme foi citado no texto, ainda está firmando suas bases de vigilância aérea na Amazônia, porém o Brasil está encontrando sérios problemas diplomáticos, bem como forte concorrência armamentista e tecnológica com países fronteiriços, como é o caso da Colômbia, Venezuela e Suriname.
(C) o Plano Colômbia existente na fronteira entre Brasil e Colômbia, manifesta a forte resistência do cartel do narcotráfico à implantação do SIVAM e evidencia seu interesse por proteção da rota do narcotráfico existente na Amazônia.
(D) a garantia de instalação do projeto SIVAM substitui os demais projetos de controle militar sobre as áreas fronteiriças da Amazônia - a exemplo do Projeto Calha Norte - já que aquele apresenta maiores recursos bélicos, científicos e tecnológicos para garantir a integridade territorial brasileira na região.
(E) o projeto SIVAM visa criar uma rede integrada de comunicações, utilizando aviões, radares fixos e satélites para a manipulação de dados e informações destinados ao controle do tráfego aéreo, objetivando detectar e coibir o contrabando e o narcotráfico, identificando focos de queimadas e facilitando, evidentemente, a ação Norte-Americana sobre as riquezas naturais da região Amazônica.

17- (UNIFAP/2005) Quando se pensava que as descobertas sobre a nascente do rio Amazonas estavam finalizadas, cientistas brasileiros anunciaram a localização de uma outra nascente deste rio, demonstrada no mapa a seguir. Esta descoberta pode ser estratégica para países da América do Sul drenados pela bacia amazônica, quanto a presença de água doce em seus territórios.
De acordo com o texto, com os seus conhecimentos e com a representação do mapa, é possível afirmar que
(A) a partir da descoberta da nova nascente, o rio Amazonas ultrapassa o rio Nilo quanto a extensão territorial, entretanto esta descoberta não implica no aumento do potencial de água doce no Brasil, considerando que a nascente já existia.
(B) a antiga nascente do rio Amazonas, localizada no lago Titicaca, dava ao Brasil o destaque de possuir a maior reserva de água doce do planeta. Com a descoberta da nova nascente, o rio Amazonas passa a destacar-se no contexto mundial como o mais extenso.
(C) a descoberta da nova nascente do rio Amazonas aumenta o seu potencial de água doce, colocando o Brasil em uma posição privilegiada como detentor de um recurso estratégico ao desenvolvimento do país.
(D) com a descoberta da nova nascente do rio amazonas, este passa a englobar na sua bacia o lago Titicaca caracterizando-se como um rio flúvio-lacustre, contribuindo para a integração da Bolívia e do Peru ao Mercosul.
(E) a nova nascente do rio Amazonas provoca a  modificação no seu  aspecto fisiográfico, o qual passa a ser um rio de planalto e navegável em toda a sua extensão, contribuindo para o aumento dos fluxos comerciais e migratórios entre Bolívia, Peru e Brasil.

18- (UNIFAP/97) A Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia - SUDAM - é o órgão encarregado de gerir, em sua política financeira, os incentivos fiscais para atrair investimentos na Região. Antes de sua criação, vários Projetos foram desenvolvidos na Amazônia. Que alternativa apresenta correia relação entre o projeto, sua finalidade é conseqüência, e a época de criação da SUDAM ?
(A) A Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, construída para escoar a produção de cacau, é hoje utilizada para desenvolver o ecoturismo.
(B) A Zona Franca de Manaus, criada com o objetivo de desenvolver um pólo industrial na Amazônia, trouxe benefícios sociais para a região, como a diminuição da taxa de desemprego, a melhoria de capacitação profissional, os salários mais .elevados, a assistência à saúde, etc.
(C) A ICOMI, instalada para extração e exportação do manganês de Serra do Navio, contribuiu para aumentar o superávit na balança comercial do Brasil, fazendo retomar grandes lucros para o Amapá.
(D) O Fordlândia foi um projeto de plantação de seringueiras que fracassou por desrespeitar as condições ecológicas.
(E) O Projeto Grande Carajás, destinado a explorar a maior mina de ferro do mundo, transformou Marabá na "capital da violência rural".

19- (UNIFAP/2000) "A devastação obedece a um padrão geográfico. Para definir esse padrão, foi criada a expressão "arco do desflorestamento ", que indica a faixa de terras submetidas a
profunda interferência humana."
MAGNOU, Demétrio. Conhecendo o Brasil Região Norte. São Paulo: Moderna, 2000.

O  texto expressa a problemática da degradação ambiental na Amazônia. Marque a alternativa que indica conseqüências do desmatamento na qualidade do meio ambiente.
(A) a perda do banco genético composto por inúmeras espécies animais e vegetais ainda desconhecidas e o desequilíbrio no clima, alterando o regime das chuvas e provocando secas ou inundações na floresta e nas áreas vizinhas.
(B) o desequilíbrio na produção de oxigênio, já que é nas florestas que ocorre a maior produção de oxigênio e a eliminação da maior reserva genética existente no planeta, com importância na economia, na medicina, na alimentação e na indústria.
(C) o impacto negativo sobre o solo e sobre a floresta, já que a ausência da vegetação aumenta o humo, camada superficial pobre em nutrientes, provocando o empobrecimento do ecossistema.
(D) a alteração nas condições climáticas, provocando o desequilíbrio entre a produção de oxigênio e de fotossíntese e a alteração da biodiversidade, com redução de espécies vegetais e aumento das espécies animais.
(E) a redução generalizada dos índices pluviométricos, provocando secas localizadas e a diminuição da quantidade de gás carbônico na atmosfera, provocado principalmente pelo aumento da temperatura.

21-(UNIFAP/2006)-Leia o texto abaixo:
“ Os desmatamentos para a criação de grandes latifúndios agropecuários substituiu a floresta por pastagens e empobreceu grandes extensões de solo. Projetos como o Grande Carajás e Jarí, a exploração mineral e hidrelétrica são fontes de grandes impactos ambientais de âmbito regional” (Adaptado de ROSS, 1995)
De acordo com texto e com os seus conhecimentos, associe a coluna superior com a inferior, indicando as conseqüências para a destruição provocada pelos grandes projetos implantados na Amazônia.

I – Degradação da Biodiversidade
II – Destruição do solo
III – Mudanças Climáticas
IV – Estresse e doenças
( ) A retirada da floresta rompe com o sistema natural de ciclagem dos nutrientes, ficando desprotegido da ação da erosão da chuva e tornando-se improdutivo.
( ) O desmatamento elimina de um só vez grande contingente de espécies ainda desconhecidas pela ciência e homogeneíza o ecossistema quando se implanta a monocultura.
( ) As monoculturas implantadas na Amazônia são mais sensíveis ao ataque de pragas e parasitas que são combatidas com agrotóxicos, os quais destroem, por sua vez, a diversidade dos ecossistemas.
( ) As florestas são responsáveis pela umidade local. Sua destruição elimina essa fonte injetora
de vapor d’água na atmosfera e, ao mesmo tempo, diminui a captura do CO2 atmosférico.

A associação correta, pela ordem, é:
(A) I, II III e IV
(B) II, IV, I e III
(C) IV, II, III e I
(D) III, I, II e IV
(E) II, I, IV e III

22-(Fatec-SP/2007) Nos últimos anos, as taxas de crescimento urbano da Amazônia foram bastante elevadas. Se­gundo o Censo 2000 (IBGE), 70% da população da região vive em núcleos urbanos.
Entre as causas que melhor justificam esse crescimento, é correto citar:
a) A instalação da zona franca de comércio em Ma­naus e a construção da Rodovia Transamazônica.
b) O esgotamento da capacidade de absorção de mão-de-obra dos grandes centros da Região Sudeste e a migração de suas indústrias para a área de Carajás.
c) As altas taxas de natalidade no meio rural, que obri­gam parte dos filhos dos agricultores a procurar meios de sobrevivência nas cidades de mineração.
d)As políticas de ocupação da Amazônia, a amplia­ção da fronteira agropecuária e a adoção do modo agroindustrial de produção.
e) O fato de o solo da região amazônica ser pobre e incapaz de produzir altas quantidades de alimentos, o que obriga as pessoas a migrar para as cidades.

23-(PUC-RS, adaptada) No Brasil, têm se identificado focos de tensões em áreas indígenas, causadas pelo extrativismo mineral e vegetal, bem corno pela inva­são das reservas por posseiros para transformá-las em áreas agrícolas. O complexo regional e o Estado que centralizam o maior número de conflitos são, respectivamente,
a) Nordeste e Rio Grande do Norte.
b) Norte e Rio Grande do Norte.
c)Amazônia e Pará.
d) Nordeste e Piauí.
e) Amazônia e Ceará.


25-(FGV-SP) O grande problema ambiental causado pela produção de ferro-gusa que se concentra na área do Projeto Carajás, na Amazônia, é:
a) A formação de ilhas de calor no sul do Pará e nor­te da Região centro-oeste, diante da crescente ur­banização na região.
b) A ocorrência de chuvas ácidas, uma vez que ao redor desse projeto ocorreu a formação de uma densa complementaridade industrial. (cj)O desmatamento de várias áreas para a obtenção do carvão vegetal, ainda utilizado nos fornos side­rúrgicos da região.
d) A contaminação dos afluentes e subafluentes da margem esquerda do Rio Amazonas por metais pesados, que ali são despejados devido às atividades de siderurgia.
e) A destribalização e o quase extermínio dos primi­tivos habitantes - os indígenas - que ocupavam a região.


26-(Mackenzie-SP) 
No ano de 2003, o desmatamento na Amazônia bra­sileira superou a marca dos 21 mil km , conforme se observa na tabela acima, divulgada pelo Ministério do Meio Ambiente.
A principal causa do avanço desse desmatamento, nos estados onde o índice é maior, é:
a) a intensificação da extração mineral, que desde o período colonial norteou a ocupação humana e econômica dessa região.
b) a expansão exclusivamente da pecuária bovina de corte, uma vez que as condições de relevo e de clima são ideais para essa prática econômica.
c^urna conjugação de fatores, como a boa fase dos agronegócios, a grilagem de terras públicas e a ex­ploração predatória de madeira.
d) a necessidade do crescimento da área para o cultivo da cana-de-açúcar, respondendo ao aumento da pro­dução de automóveis movidos a álcool na última década.
e) a implantação da política de descentralização econômica, que tem levado à região atividades do setor secundário e aliviado as tensões nos estados do Centro-Sul do país.


27-(Unesp/2007) A figura mostra a área da reserva Raposa-Serra do Sol, com 1,7 milhão de hectares e pouco habitada, no norte do Brasil.
Sobre essa área, pode-se afirmar que é uma reserva:
a) de garimpeiros, localizada no Estado de Rondônia, limitada pela Venezuela e Guiana.
b) indígena, localizada no Estado de Rondônia, limi­tada pela Venezuela e Guiana.
c} de garimpeiros, localizada no Estado de Roraima, limitada pela Venezuela e Suriname.
d) indígena, localizada no Estado de Roraima, limi­tada pela Venezuela e Suriname.
e) indígena, localizada no Estado de Roraima, limitado pela Venezuela e Guiana.

28-(UFPR/2007, adaptada)
No cinturão de máxima diversidade biológica do pla­neta (...) a Amazônia se destaca pela extraordinária con­tinuidade de suas florestas, pela ordem de grandeza de sua principal rede hidrográfica e pelas sutis variações de seus ecossistemas.
AB’SABER, A. Os domínios da natureza no Brasil: potencialidades paisagísticas. São Paulo: Ateliê, 2003.

Analise agora as seguintes frases:
I. A Amazônia, domínio das florestas ombrófilas (plu­viais), tem como um dos seus limites naturais a por­ção oriental dos Andes e ocupa áreas da Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia, além do Brasil.
II. A presença da floresta prende-se, prioritariamen­te, à alta incidência de energia solar, à entrada de massas de ar úmido e à baixa amplitude térmica, de­terminadas pela sua posição geográfica.
III. O regime do rio Amazonas, principal eixo da rede hidrográfica da Amazônia, é predominantemente plu­vial, embora suas nascentes estejam relacionadas ao regime nival.
Qual (ou quais) das frases está (estão) correta(s)?
a) Apenas 1.
b) Apenas II.
c) Apenas III.
d) Apenas I e III
e) Todas.

29-(UERJ) O avanço da produção de soja na Amazônia Legal tem levado a um significativo aumento dos pro­blemas ambientais. Por outro lado, seu cultivo vem contribuindo para a incorporação de vastas áreas ao espaço econômico nacional. Essa expansão ocorreu sobretudo em ecossistemas originalmente adversos ao plantio da soja, como o cerrado e, mais recentemente, a floresta equatorial.
Dentre os fatores que viabilizaram esse processo de expansão podemos citar:
a) Declínio da produção em outras áreas do país e redução do protecionismo norte-americano.
b) Aplicação de políticas de estímulo ao pequeno pro­prietário e manutenção de mão-de-obra barata.
c) Investimento em pesquisas na área de biotecnolo­gia e crescente demanda no mercado internacional.
d) Existência de uma boa rede de transporte e esta­belecimento de acordos de livre comércio com a União Européia.

30- (FGV-SP)
Cerca de uma dezena de bacias sedimentares es­tão situadas na Amazônia Legal Brasileira, perfazendo quase 2/3 dessa área territorial. Três delas - bacias do Solimões, Amazonas e Paranaíba -são as mais impor­tantes, não só pelo tamanho (juntas ocupam aproxi­madamente 1,5 milhão de km ), mas principalmente pelo seu potencial.
Fonte: Amazônia legal, 2003
O texto refere-se à existência, nessas bacias sedimen­tares, de expressivos depósitos de:
a) Níquel e minério de ferro.
b) Ouro e diamantes.
c) Manganês e estanho,
d) Petróleo e gás natural.
e) Urânio e tório.














Um comentário :

  1. prof.gesiel,vou fazer a prova para a educação e tenho que fazer uma redação,voce poderia me dizer alguns temas que podem ser cobrado na redação.pesquisei nas provas da universa e encontrei uma sobre "acessibilidade dos deficientes".mande as dicas para:analisacramento@hotmail.com.agradeço!

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