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Derrotas legislativas e o rombo fiscal: impactantes golpes ao governo Lula que revelam a crise de governabilidade.




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Nesta semana, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva enfrentou uma série de derrotas significativas no Congresso Nacional, que revelaram a fragilidade de sua articulação política. Essas derrotas, que incluem a derrubada do veto presidencial às "saidinhas" dos presos e a revogação de decretos sobre Colecionadores, Atiradores Desportivos e Caçadores (CACs), destacam fissuras na base aliada e levantam dúvidas sobre a eficácia da comunicação entre o Executivo e o Legislativo.

Derrubada do veto às "saidinhas" dos presos

A primeira e mais emblemática derrota ocorreu com a rejeição do veto de Lula às "saidinhas" dos presos. Originalmente, Lula vetou a medida com o objetivo de manter os laços familiares dos detentos, mas o Congresso restabeleceu a redação original da lei, limitando o benefício apenas para estudos. Esta decisão não apenas reflete uma diferença de opinião sobre o sistema penitenciário, mas também revela uma desconexão entre o governo e as correntes conservadoras do Congresso.

Revogação dos decretos sobre CACs

Outro golpe significativo foi a aprovação de um projeto que suspende partes do decreto presidencial sobre armas de fogo e CACs. A medida, que agora segue para análise do Senado, representa um desafio direto às políticas de desarmamento defendidas pelo governo e evidencia a influência da "bancada da bala" no parlamento. Esta derrota sublinha a necessidade de uma articulação mais eficaz por parte do Executivo para garantir apoio em temas sensíveis.

Rombo fiscal de abril: um desafio econômico gigantesco

Além das derrotas legislativas, o governo enfrenta um cenário econômico preocupante, com a prévia de abril revelando um rombo fiscal de mais de 1 trilhão de reais. Esse déficit, que supera os números registrados durante a pandemia da Covid-19, coloca em xeque a gestão fiscal do país e exige uma atenção redobrada às políticas de austeridade e crescimento econômico. A incapacidade de controlar as finanças públicas pode ter consequências graves, afetando a confiança dos investidores e a estabilidade econômica a longo prazo.

Consequências e reflexões

As derrotas recentes têm múltiplas implicações, desde a percepção de uma base aliada fragmentada até a pressão por mudanças na estratégia de articulação política. O governo Lula, que já manifestou a intenção de se envolver mais ativamente nas reuniões com lideranças do Congresso, precisa navegar cuidadosamente nesse cenário político complexo. É essencial equilibrar as demandas legislativas com as promessas de campanha e os anseios da sociedade.

Desconexão com a realidade

Além dos desafios legislativos e econômicos, o governo enfrenta críticas por focar em questões que não estão alinhadas com as preocupações reais da população. Temas como o controle das redes sociais, a política externa em relação aos Estados Unidos, Israel e o Irã, e a atuação do Banco Central são frequentemente mencionados pelo governo, mas não ressoam com as necessidades cotidianas dos brasileiros. Essa desconexão está minando a popularidade do governo e sua capacidade de implementar políticas eficazes, e isso fica cada dia mais evidente nos números das pesquisas de opinião pública

Reafirmação da autonomia legislativa

O Congresso, ao derrubar vetos presidenciais e revogar decretos, fez mais do que simplesmente desafiar o Executivo; enviou uma mensagem clara ao Judiciário. Ao tomar decisões que contrariam medidas apoiadas por Lula, os parlamentares demonstraram que estão dispostos a resistir a qualquer tentativa de ingerência indevida do STF em suas prerrogativas extrapolando suas atribuições constitucionais. Esta postura é uma resposta direta às ações do Supremo, que em diversas ocasiões têm sido vistas como extrapolando suas funções e interferindo nas competências do Legislativo.

Limites constitucionais em debate

O Supremo Tribunal Federal, ao longo dos últimos anos, tem assumido um papel cada vez mais proeminente na política nacional, muitas vezes decidindo sobre questões que, segundo críticos, deveriam ser de exclusiva competência do Congresso. Casos emblemáticos, como decisões sobre pautas econômicas, sociais e eleitorais, têm gerado um ambiente de desconfiança e tensão entre os poderes. As recentes ações do Congresso são uma tentativa de reequilibrar esse jogo de forças, deixando claro que o poder de legislar e decidir sobre certos assuntos pertence aos representantes eleitos pelo povo.

Consequências das interferências do STF

As constantes interferências do STF têm gerado uma série de repercussões. Por um lado, fortalecem a percepção de judicialização da política, onde questões que deveriam ser resolvidas no âmbito legislativo são transferidas para o Judiciário. Por outro lado, estas intervenções frequentemente resultam em decisões monocráticas que não refletem o consenso político necessário, criando um clima de instabilidade e insegurança jurídica.

Um chamado à reflexão

O recado do Congresso é um chamado à reflexão sobre os limites do poder de cada instituição. O equilíbrio entre os poderes é fundamental para a democracia, e qualquer tentativa de extrapolar as funções previstas na Constituição pode gerar um desequilíbrio perigoso. A insistência do STF em atuar em áreas tradicionalmente reservadas ao Legislativo e Executivo tem sido vista por muitos como uma tentativa de usurpação de poder, algo que o Congresso parece determinado a combater.

A necessidade de diálogo e respeito mútuo

Para que a democracia brasileira funcione de maneira saudável, é essencial que haja um diálogo constante e respeitoso entre os poderes. O Congresso, ao reafirmar sua autonomia, não está apenas protegendo suas prerrogativas, mas também defendendo o princípio de que cada poder deve atuar dentro dos limites estabelecidos pela Constituição. É crucial que o STF reconheça e respeite esses limites para evitar conflitos que possam comprometer a estabilidade política e jurídica do país.

As derrotas de Lula

A série de derrotas que o governo Lula sofreu no Congresso Nacional não se deve às justificativas frequentemente apresentadas. Atribuem a culpa ao líder do governo, que, sem filiação partidária sólida, não tem a capacidade de liderar efetivamente. Apontam também o dedo ao ministro responsável pelas relações com o Congresso, que não se comunica com o presidente da Câmara desde novembro. Diversas teorias complexas são formuladas para explicar os fracassos.

No entanto, o verdadeiro problema é ignorado: Lula e sua administração promovem um Brasil que não corresponde aos desejos dos brasileiros. A falta de apoio é evidente não apenas na Câmara dos Deputados, onde mal conseguem reunir 120 votos dos 513 possíveis, mas também na população em geral. Impondo suas vontades de maneira autoritária, o governo falha em obter o respaldo necessário.


A desconexão entre o governo e a população é cada vez mais evidente. A insistência em políticas impopulares, como o veto ao fim das "saidinhas" dos presos — amplamente desaprovadas pelo público — exemplifica essa desconexão. É essa falta de sintonia com os anseios do povo que leva o governo a sofrer sucessivas derrotas, e enquanto essa realidade persistir, novas derrotas continuarão a ocorrer.

Rombo fiscal de abril

Além das derrotas legislativas, o cenário econômico do governo Lula enfrentou um desafio alarmante: a prévia de abril revelou um déficit fiscal que ultrapassou 1 trilhão de reais. Esse rombo fiscal, que supera os registros da pandemia, levanta preocupações sobre a gestão financeira do país e pressiona por uma revisão urgente das políticas econômicas e fiscais.


Consequências das derrotas

As consequências dessas derrotas são múltiplas e profundas. Primeiramente, elas expõem uma base aliada fragmentada e uma comunicação ineficaz entre o Executivo e o Legislativo. Em segundo lugar, elas impõem uma pressão significativa para que o governo reavalie suas estratégias de articulação política e econômica. A percepção pública de um governo incapaz de manter controle sobre suas iniciativas pode minar ainda mais a confiança na administração Lula.


Além das questões políticas e econômicas, há uma crescente percepção de que o governo Lula está desconectado das preocupações reais da população. Enquanto o governo se ocupa com questões como controle das redes sociais e políticas externas controversas, muitos brasileiros enfrentam desafios diários mais urgentes, como a economia, saúde e segurança. A insistência em temas que não ressoam com as necessidades imediatas dos cidadãos apenas agrava a sensação de alienação e frustração popular.


Desafios e Futuro
O governo Lula agora enfrenta o desafio de reforçar sua base aliada e realinhar suas estratégias para garantir a governabilidade. Será crucial estabelecer um diálogo mais eficaz com todas as facções políticas e focar em políticas que atendam às necessidades reais da população. A sobrevivência política do governo dependerá de sua capacidade de adaptação e resposta aos desafios impostos pelo Congresso e pela economia.



Gesiel de Souza Oliveira, tem 46 anos, é casado, pai de três filhos, amapaense, palestrante, Oficial de Justiça do Tribunal de Justiça do Amapá, Pós-graduado em Docência e Ensino Superior, Pós Graduado em Direito Constitucional, Professor de Geopolítica Mundial, Geógrafo, Bacharel em Direito, Escritor, Teólogo, Pastor Evangélico, Professor de Direito Penal e Processo Penal, Fundador e Presidente Internacional da APEBE – Aliança Pró-Evangélicos do Brasil e Exterior.


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