quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Resposta a Micheline Borges - por Gesiel de Souza Oliveira

É Micheline Borges, essas médicas cubanas tem mesmo a “cara de empregadas domésticas”, assim como muita gente  de cor branca tem “a cara de gente rica” apesar de ser pobre. Há ainda outros de tem "postura", tem "aparência", tem "nível social", não tem "cara de empregada doméstica", não possuem características "lombrosianas", e que se encaixam perfeitamente nos quesitos admissionais "michelianos", mas que diferença isso faz? Que o diga o foragido médico Dr Roger Abdelmassih, condenado a 278 anos. A aparência, infelizmente, ainda continua sendo uma ferramenta de descriminação, especialmente quando se fazem análises tão tacanhas e superficiais como essas. "Que bom" que os médicos que possuem cara e roupa de gente rica estão no Brasil, principalmente nas capitais, longe de gente que tem cara de pobre nos rincões interioranos esquecidos no nosso extenso Brasil (SIC!). Tomara que as médicas cubanas não tenham somente “cara de empregadas”, mas coração de trabalhadoras, humildade de médicos que vieram para atender quem realmente precisa, humildade que tanto falta em muita gente nesse nosso Brasil. Ainda no século XXI a aparência continua sendo para muitos o meio para “identificar” pelo “aspectrômetro-ariano” quem tem capacidade e quem não tem. “Será que são médicas mesmo?”, acrescentaria mais: “será que essa gente não se parece também com Barack Obama, que tem a mesma feição do gari que coleta o lixo todos os dias aqui na minha casa?”. Quanta gente, que não tem “cara de empregada doméstica” e que estão presas, cumprindo penas altíssimas, pelos piores crimes, e ninguém vai lá dizer “você tem cara de CEO de multinacional!”, exatamente porque os estereótipos preconceituosos tem preferência pela cútis. Realmente esses abnegados trabalhadores não tem “postura” de médicos, que de acordo com a parca leitura da “Afrodite ariana” Micheline Borges, tem de ter “cara de médico, e se impor pela aparência”, aparência que aliás realmente é o mundo em que muitas dessas pessoas vivem. Tentando passar o que não são, vivendo no seu mundo de “plutomanias”, e rotulando pelas aparências fisionômicas, dando mais valor ao que “aparenta ser” do que pelo que é. Nesse mundo preconceituoso há os que “tem postura” e os que “não tem aparência”. Nesse diapasão seriam os que possuem “aparências, postura e imposição visual” os mais qualificados a desempenharem a ínclita função médica no Brasil?  Não, minha nobre e crócea Micheline, eu não diria “coitada da nossa população” formada em sua ampla maioria por gente com "cara de empregadas domésticas". Diria sim “coitadas dessas pessoas com cara de empregada, que não estão sendo atendidas pelos que tem cara de gente rica”. Eu só lamento por esse país, que vai receber a copa, as olimpíadas e que ruma ao crescimento, mas que ainda tem enrustido em sua gênese uma mentalidade de “michelines”, que entendem que o lugar de pessoas com “cara de empregada” é nas filas de sopões, debaixo dos viadutos ou mendigando, na ausência da antiga e ideal senzala. Quem deixa de ler o livro pela aparência da capa perde lindas histórias.

Gesiel de Souza Oliveira
Twitter: @PrGesiel_

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